09 novembro, 2007

Nota gastronómica (XXXVII)

Minhotos

Sabem o que é? Uma variante açoriana de inhames, mais pequenos, de sabor mais suave e de textura mais delicada. Recebi-os de oferta e imaginei uma coisa para fazer com eles. Impus-me como regra fazer uma receita com evidente raiz açoriana mas que pudesse ser feita no continente. claro que só com inhames brasileiros, mas paciência. Também, em vez da malagueta açoriana, substitutos.

Nacos de porco em vinha de alhos à açoriana, fritos com inhames
Para 4 pessoas. 1,2 kg de carne de porco (lombo, pá ou perna), 100 g de banha. Vinha de alhos: 1 copo de vinho tinto, 4 c. sopa de vinagre, 5 dentes de alho esmagados, 1 c. sopa de sal grosso, 8 grãos de pimenta preta, 4 cravinhos, 1 c. sopa de malagueta açoriana (na falta, pimenta da Caiena ou piripiri a gosto, mas sem ficar muito picante), 3 c. sopa de colorau, 1 c. chá de cominhos, 1 c. chá de erva doce, 1 limão aos gomos e esmagado, 1 laranja, idem. Inhames q. b. para 4 pessoas, conforme o tamanho.

Cortar a carne em pedaços de bom tamanho e deixar dois dias na vinha de alhos.

Numa panela sem gordura, derreter a banha e deixar aquecer bem. Escorrer muito bem a carne, espremendo para sair o máximo da marinada e fritar, em lume alto, mexendo com frequência, até alourar muito bem. Juntar a vinha de alhos coada e ferver, a apurar bem. A meio, se necessário, molhar com um pouco de água.

Limpar muito bem a pele dos inhames com uma escova de arame ou com palha de aço, a ficar bem lisa e sem "pelo". Ferver, 10 minutos. Escorrer, passar por água fria e transferir para outro tacho já com água a ferver e sal. Cozer, no tempo adequado ao tamanho dos inhames (como banalmente, espetar um palito). Passar por água fria e descascar. Se a escovadela foi forte, até nem é preciso retirar os restos de pele, que dão bom sabor. A servir, aquecer no micro-ondas só a amornar. Os inhames não são para se comer quentes. Eu até dispenso esse amornar e como-os frios.

(Receita na minha página)

1 comentário:

Henrique disse...

Há uma carne de vinha d'alhos madeirense, parecida com esta, mas com um toque de louro, mais picante e um avinagrado próprio.

é excelente mas só se pode comer uma vez por ano.