Não sei se os leitores do Público já reparam em que Eduardo Prado Coelho deixou novamente de escrever. Ocorre-me que possa ser devido aos seus graves problemas de saúde. Como devem saber, muitas vezes aqui tenho criticado EPC, que não é nada da minha estimação, como opinador. No entanto, sou sempre solidário com o sofrimento alheio. Por alguma coisa escolhi tirar medicina. Por isto, os meus melhores votos ao EPC.
P. S., 2.8.2007 - EPC retomou oje a escrita. bem bom que os meus receios parecem não se justificar.
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31 julho, 2007
30 julho, 2007
As asneiras do Público
Cada vez mais me parece que o Público é escrito com os pés. Não há dia sem asneira, umas mais importantes, outras menos. Nas menos importantes, quase uma picuinha, noto hoje que, na inconcebível página Pessoas, se escreve que, na exposição do casamento de Isabel II, se exibe o uniforme que o noivo usou, de almirante da Royal Navy. Eu não exijo que o jornalista saiba de cor que, nessa altura, Philip Mountbatten era um modesto 1º tenente e que foi este o uniforme que usou. Basta ir à net ver as fotografias. Em vez disto, porquê inventar, só porque talvez se tenha pensado, parolamente, que o marido da rainha (que ainda nem era rainha) tinha de ser almirante.
Noutra notícia, sobre a esclerose múltipla (aliás tradicionalmente designada, na medicina portuguesa, como esclerose em placas e não esclerose múltipla, tradução literal do inglês) escreve-se, por duas vezes que Zeca Afonso foi vítima desta doença. Não é verdade, foi de esclerose lateral amiotrófica, uma doença completamente diferente.
É claro que os jornalistas não podem ser enciclopédicos. Mas o que se lhes pode exigir é que, humanamente, tenham dúvidas e achem que se podem enganar, o que justifica irem confirmar uma informação um pouco menos corrente.
Noutra notícia, sobre a esclerose múltipla (aliás tradicionalmente designada, na medicina portuguesa, como esclerose em placas e não esclerose múltipla, tradução literal do inglês) escreve-se, por duas vezes que Zeca Afonso foi vítima desta doença. Não é verdade, foi de esclerose lateral amiotrófica, uma doença completamente diferente.
É claro que os jornalistas não podem ser enciclopédicos. Mas o que se lhes pode exigir é que, humanamente, tenham dúvidas e achem que se podem enganar, o que justifica irem confirmar uma informação um pouco menos corrente.
29 julho, 2007
Aforismo
Paulo Teixeira Pinto (PTP), presidente do CA do BCP, lançou uma OPA hostil contra o BPI, causando certamente muitas enxaquecas ao seu presidente, Fernando Ulrich (FA). PTP, criatura do patriarca Jardim Gonçalves, ao que se diz tudo em família de Opus Dei, rebela-se contra o pai e conta espingardas para o mandar para a reforma definitiva. Aparece agora uma batelada de novas espingardas, contra PTP, compradas por FU.
Acreditem que eu sou uma jóia de pessoa, de brandos costumes, mas é verdade que me lembro sempre de que "a vingança serve-se fria".
Acreditem que eu sou uma jóia de pessoa, de brandos costumes, mas é verdade que me lembro sempre de que "a vingança serve-se fria".
17 julho, 2007
Ainda o Público
Continua a asneira. A efeméride de hoje no caderno P2 é a conferência de Potsdam e lá vem o texto correcto, referindo a presença de Truman. Mas não é Truman que aparece na fotografia muito destacada, mas sim Roosevelt, claro que em Ialta. Em Potsdam, já ele não era vivo. Já não há um jornalista minimamente culto? Ou um editor que tem por obrigação rever toda a secção?
O Público tabloide
Vou explicar o título, porque ainda não cheguei ao ponto de considerar o meu jornal diário como tablóide, ou então não o comprava. Mas faz o jogo de popularuchismo com o caderno P2, que, a princípio, até prometia.
Ontem, gastou as duas páginas centrais com 60 factos sobre Camilla, princesa, duquesa, viscondessa e utilizadora dos mais famosos tampax da história, com uma fotografia que me confirma a ideia de que, fisionomicamente, ela saiu mais aos cavalos do que aos pais. Aprendi imenso, nomeadamente que sua alteza perdeu a virgindade aos 17 anos. Será que algum jornalista me paga para saber com que idade eu perdi a minha? Talvez fosse história tão interessante como a camiliana.
Mas, já que me dei ao exercício masoquista de ler a peça, fiquei a saber que sua alteza gasta mensalmente 7500 euros em cabeleireiro, maquilhagem e cosméticos. Muito má propaganda para quem não lhe consegue melhorar o visual horroroso (mas o pateta windsoriano também não merece mais)!
Ontem, gastou as duas páginas centrais com 60 factos sobre Camilla, princesa, duquesa, viscondessa e utilizadora dos mais famosos tampax da história, com uma fotografia que me confirma a ideia de que, fisionomicamente, ela saiu mais aos cavalos do que aos pais. Aprendi imenso, nomeadamente que sua alteza perdeu a virgindade aos 17 anos. Será que algum jornalista me paga para saber com que idade eu perdi a minha? Talvez fosse história tão interessante como a camiliana.
Mas, já que me dei ao exercício masoquista de ler a peça, fiquei a saber que sua alteza gasta mensalmente 7500 euros em cabeleireiro, maquilhagem e cosméticos. Muito má propaganda para quem não lhe consegue melhorar o visual horroroso (mas o pateta windsoriano também não merece mais)!
15 julho, 2007
Notas de viagem

As minhas viagens aos Açores são frequentemente contraditórias. De bom têm tanto que me é difícil escrever, mas certamente intuído por quem está habituado às minhas velhas "açorianices", ou agora o meu companheiro de viagem, um grande amigo, vítima da "seca" de um cicerone tão entusiasmado. Infelizmente, também aspectos negativos, que anoto só na perspectiva de poder contribuir para a sua correcção.
1. Em geral, e como tenho a snobice, justificada por questões de saúde, de só viajar em executiva (em económica, nas rotas açorianas, é só uma sandes), usufruo com prazer do cattering da TAP, com a qualidade do seu responsável, Vítor Sobral. No regresso da Horta, no dia 13, o prato estava muito bom, um lombo de porco com molho de amêndoas, com um bom esparregado e batatas ao ponto, entre o estufado e o assado. Como sobremesa, um bom pudim de queijo sobre crocante de coco e coberto com um molho de chocolate. Mas não é que me serviram como queijo esta coisa ordinária que se vê na imagem? Eu ainda vou com o Président, porque não conheço embalagens individuais de camembert de queijo cru (embora já tenha tido em outras companhias embalagens individuais de gruyère ou de cheddar). Mas queijo fundido que eu usava para barrar as sandes que os meus filhos levavam para a escola e de que eles gostavam principalmente porque a vaca ria?
2. Não estou certo de a minha segunda critica merecer apoio geral, mas é o meu gosto e sentido da elegância. Estive nas três ilhas principais e, em todas elas, em hotéis modernos de quatro estrelas. Nada a dizer em relação aos quartos e ao serviço, em geral, com excepção da falta, nos bares, dos excelentes Chico Maria, dos Biscoitos (ao menos, no restaurante, havia o Donatário). Mas jantares só com bufete? É óptimo para reduzir as despesas com pessoal, mas, para mim, é totalmente oposto ao nível mínimo de elegância e de bom gosto que eu exijo ao jantar, sendo até condescendente com uma maior ligeireza de um almoço de negócios. Além do mais, é muito difícil preparar um prato para ficar no aquecedor que tenha qualquer vislumbre da qualidade de um prato servido individualmente. No aquecedor, só "pratos de cantina", mesmo que de supercantina.
3. Finalmente, uma história surrealista. Como já estava atrasado, não tive o cuidado habitual de verificar bem, num hotel, que tinha posto tudo na maleta. Só ao chegar a Lisboa dei por falta do pijama e telefonei para o hotel, para pedir o envio. A primeira informação, da responsável pela arrumação dos quartos, era mentira descarada, que o pijama estava todo roto e que eu o tinha posto no cesto do lixo, pelo que ele lá foi para o lixo geral. Eu admito erros, mas detesto que me tomem por parvo. Pedi para me passarem a um responsável superior, uma senhora amável, não sei com que cargo, que desmentiu essa versão (de facto, eu tinha-o esquecido na casa de banho, ao despir-me para o duche). Prontificou-se a indemnizar-me, o que recusei, para ficar livre de poder escrever esta nota sobre o Hotel Terceira Mar, em Angra do Heroísmo.
14 julho, 2007
Devaneios de jardim (X)
Depois de uma viagem académica aos Açores, que tem muito que contar (de bem), o que irei fazendo nos próximos dias, regresso às escritas, hoje a pretexto da leitura do Público.
1. Foi confirmado, por autópsia, o primeiro caso português da nova variante da doença de Creutzfeld-Jakob (DCJ). Como muita gente sabe, é uma doença humana degenerativa e rara, tipicamente de idosos. No entanto, por transmissão alimentar de uma doença relacionada da vaca, a das vacas loucas, apareceu esta nova variante humana da DCJ, com a característica marcante de afectar pessoas muito mais jovens. O que isto não tem nada a ver é com a afirmação da jornalista de que se trata de uma variante mais agressiva. O que éque isto quer dizer? No caso da DCJ e da nv-DCJ, certamente que nada. Era bom que os jornalistas, principalmente os "especializados" fizessem mais frequentemente aquilo que faz um já praticamente meu amigo, do JN, que me telefona com grande frequência.
2. Keil do Amaral foi um grande arquitecto, mas com alguma dose de pouca sorte, no sentido de algumas das suas obras emblemáticas já não o merecerem, por degradação a que foram deixadas. É o caso, se não estou em erro, do restaurante de Montes Claros e, agora em foco, o da piscina do Campo Grande. Não me parece viável reanimá-la para este fim, mas não haverá outro uso que justifique a recuperação desta obra de Keil do Amaral? Um bom bar restaurante à volta de uma piscina convertida em espelho de água e até com um pequeno estrado com mesas, ao centro? E para quando umaboa exposição da sua obra? Posso estar enganado, mas não me recordo de ter havido, ao contrário, por exemplo, de boas exposições de que me lembro sobre Fernando Távora e sobre Cristino da Silva.
3. Uma pequena notícia refere melhoramentos em estruturas costeiras nos Açores. É verdade que a região está claramente a apostar no mar, e muito bem. O que me é mais visível são os aproveitamentos de lazer, para locais e para turistas, com destaque para excelentes zonas balneares naturais, a justificar porque é que um açoriano como eu ainda hoje acha que praia é coisa menor, comparada com os meus banhos de miúdo entre rochas. Particularizando, anoto que um dos maiores empreendimentos, que me suscitou dúvidas, a nova "zona de mar" de Ponta Delgada, pelo que vi agora, me parece muito promissora.
4. Título de uma coluna: "O nosso ADN". Não é correcto. O uso das siglas é muito variável. Correntemente, dizemos NATO, à inglesa, mas ONU, à portuguesa. O caso do ADN é um pouco diferente, porque há uma recomendação internacional que, ao menos, devia obrigar os cientistas, que, por sua vez, alargariam a norma. A regra, da USB (união das sociedades de bioquímica) é de os compostos químicos serem designados, por extenso, em cada língua mas, como siglas, conforme à designação inglesa. Assim, será ácido desoxirribonucleico, mas DNA (deoxyribonucleic acid). Lembro, para quem está metido nesta área, que ninguém se lembra de designar como TFA o ATP (trifosfato de adenosina, em inglês adenosine triphosphate, donde o ATP).
5. "14 juillet: liberté, égalité, fraternité". Com pequenas actualizações, como isto me parece ainda definir bem a alma de esquerda: liberdades, igualdade de oportunidades, solidariedade social. Uma pequena nota marginal. Seria bom que o jornalista tivesse esta fórmula tão enraizada que nunca se pudesse lembrar de escrever, como fez, "igualdade, liberdade e fraternidade". Pequeno pormenor, mas significativo da incultura que por aí vai nas redacções.
1. Foi confirmado, por autópsia, o primeiro caso português da nova variante da doença de Creutzfeld-Jakob (DCJ). Como muita gente sabe, é uma doença humana degenerativa e rara, tipicamente de idosos. No entanto, por transmissão alimentar de uma doença relacionada da vaca, a das vacas loucas, apareceu esta nova variante humana da DCJ, com a característica marcante de afectar pessoas muito mais jovens. O que isto não tem nada a ver é com a afirmação da jornalista de que se trata de uma variante mais agressiva. O que éque isto quer dizer? No caso da DCJ e da nv-DCJ, certamente que nada. Era bom que os jornalistas, principalmente os "especializados" fizessem mais frequentemente aquilo que faz um já praticamente meu amigo, do JN, que me telefona com grande frequência.
2. Keil do Amaral foi um grande arquitecto, mas com alguma dose de pouca sorte, no sentido de algumas das suas obras emblemáticas já não o merecerem, por degradação a que foram deixadas. É o caso, se não estou em erro, do restaurante de Montes Claros e, agora em foco, o da piscina do Campo Grande. Não me parece viável reanimá-la para este fim, mas não haverá outro uso que justifique a recuperação desta obra de Keil do Amaral? Um bom bar restaurante à volta de uma piscina convertida em espelho de água e até com um pequeno estrado com mesas, ao centro? E para quando umaboa exposição da sua obra? Posso estar enganado, mas não me recordo de ter havido, ao contrário, por exemplo, de boas exposições de que me lembro sobre Fernando Távora e sobre Cristino da Silva.
3. Uma pequena notícia refere melhoramentos em estruturas costeiras nos Açores. É verdade que a região está claramente a apostar no mar, e muito bem. O que me é mais visível são os aproveitamentos de lazer, para locais e para turistas, com destaque para excelentes zonas balneares naturais, a justificar porque é que um açoriano como eu ainda hoje acha que praia é coisa menor, comparada com os meus banhos de miúdo entre rochas. Particularizando, anoto que um dos maiores empreendimentos, que me suscitou dúvidas, a nova "zona de mar" de Ponta Delgada, pelo que vi agora, me parece muito promissora.
4. Título de uma coluna: "O nosso ADN". Não é correcto. O uso das siglas é muito variável. Correntemente, dizemos NATO, à inglesa, mas ONU, à portuguesa. O caso do ADN é um pouco diferente, porque há uma recomendação internacional que, ao menos, devia obrigar os cientistas, que, por sua vez, alargariam a norma. A regra, da USB (união das sociedades de bioquímica) é de os compostos químicos serem designados, por extenso, em cada língua mas, como siglas, conforme à designação inglesa. Assim, será ácido desoxirribonucleico, mas DNA (deoxyribonucleic acid). Lembro, para quem está metido nesta área, que ninguém se lembra de designar como TFA o ATP (trifosfato de adenosina, em inglês adenosine triphosphate, donde o ATP).
5. "14 juillet: liberté, égalité, fraternité". Com pequenas actualizações, como isto me parece ainda definir bem a alma de esquerda: liberdades, igualdade de oportunidades, solidariedade social. Uma pequena nota marginal. Seria bom que o jornalista tivesse esta fórmula tão enraizada que nunca se pudesse lembrar de escrever, como fez, "igualdade, liberdade e fraternidade". Pequeno pormenor, mas significativo da incultura que por aí vai nas redacções.
03 julho, 2007
Devaneios de jardim (IX)
1. Todos os dias leio no jornal um anúncio da Clínica dos Arcos, espanhola, apresentando em título "Tratamento voluntário da gravidez". Tratamento? Tiro no pé. É caso para a velha máxima, cuidado com os meus amigos, porque com os meus inimigos posso eu bem.
2. Leio sempre com agrado a página do provedor, no Público. A do último domingo aborda uma trapalhada em que o jornal mostra que a emenda pode ser pior do que o soneto. Um jornalista começou por escrever que a mulher de D. João III tinha sido D. Catarina de Bragança, que só viveu dezenas de anos depois, emendando a seguir para D. Leonor de Áustria, que foi sua pretendida mas roubada por D. Manuel (nunca leu El Rei Seleuco?).
Mas o que é importante nesta história exemplar é a pergunta de um leitor, que repete uma que também eu já pus a Rui Araújo: "A minha preocupação é a seguinte: se encontrei estes erros sobre um assunto que conheço, qual a fidedignidade de notícias de assuntos que não domino?"
2. Leio sempre com agrado a página do provedor, no Público. A do último domingo aborda uma trapalhada em que o jornal mostra que a emenda pode ser pior do que o soneto. Um jornalista começou por escrever que a mulher de D. João III tinha sido D. Catarina de Bragança, que só viveu dezenas de anos depois, emendando a seguir para D. Leonor de Áustria, que foi sua pretendida mas roubada por D. Manuel (nunca leu El Rei Seleuco?).
Mas o que é importante nesta história exemplar é a pergunta de um leitor, que repete uma que também eu já pus a Rui Araújo: "A minha preocupação é a seguinte: se encontrei estes erros sobre um assunto que conheço, qual a fidedignidade de notícias de assuntos que não domino?"
02 julho, 2007
Escorregadelas de uma jornalista
Os jornalistas são especialistas em tudo. Há um domínio em que isto é inegável, porque é aquele em que todos nós temos de ser especialistas, o da política, da vida comunitária, da cidadania. Neste, é normalmente com muito agrado que leio as crónicas políticas semanais de São José Almeida (SJA), no Público. No último Sábado, escreve "Que modelo de universidade?" e aventura-se, sem dominar bem a matéria, por assunto que, sendo obviamente politico, é também muito mais. Claro que a escrita e a qualidade do raciocínio se ressentem.
Comecemos pela epígrafe. "A universidade deve estar sujeita ao critério da verdade na procura do conhecimento e não da sua utilização utilitarista". Muito bem, mas há alguém que discorde, salvo os gurus do "economicismo" primário? E nem tudo, ou mesmo muito pouco, do que SJA escreve a seguir é a única visão possível da concretização desse princípio.
No que respeita ao senado, SJA escreve uma total invenção sua ou bebida não sei onde: não há uma única competência actual do senado que tenha passado para o CG. Para o reitor sim, e isto também eu critico, concordando com SJA, como poder desmesurado do reitor. No entanto, é curioso que eu ainda não tenha lido uma única critica de dentro da universidade, muito menos do CRUP, sobre este exagerado poder dos reitores. É que os académicos (e eu também) sabem bem como dar a volta a isso e transformar esta proposta de lei em presente envenenado aos reitores. Porque é que os reitores querem ser "legitimados" por uma eleição? Não se pense que é para terem força externa, é muito mais para efeitos internos, a meu ver.
Depois, embora este processo seja vulgar nas empresas, mas não há tanto tempo como isto, a "corporate governance" tem regras que são comuns a qualquer organização. Neste caso, para não falar nas universidades americanas, são todas as universidades do norte e centro da Europa, excluindo-se - ainda, masaté quando? - as do sul da Europa. E o que é que isto tem a ver com "uma clara concepção ideológica neoliberal"? Ler isto é coisa que lamento, porque não estou habituado a ver SJA usar chavões tão demagógicos e irracionais.
Comecemos pela epígrafe. "A universidade deve estar sujeita ao critério da verdade na procura do conhecimento e não da sua utilização utilitarista". Muito bem, mas há alguém que discorde, salvo os gurus do "economicismo" primário? E nem tudo, ou mesmo muito pouco, do que SJA escreve a seguir é a única visão possível da concretização desse princípio.
"Muita da contestação que tem sido feita é contra a fragmentação da universidade que passa a ser possível, ou seja, as faculdades passam a poder autonomizar-se das respectivas universidades. Uma solução que adopta a lógica anglo-saxónica e entra em contradição com o modelo de universidade europeia a que obedece a concepção de universidade portuguesa."Já critiquei esta possibilidade de autonomização tão descontrolada, mas não consigo perceber em que é que ela adopta a lógica anglo-saxónica. Gostava que SJA me desse um exemplo de um departamento ou escola de Harvard ou Cambridge que se tenha autonomizado da sua universidade. Desconfio que está a pensar no MIT, apenas por causa do nome, quetalvez lhe ecoque o nosso IST, mas desconhecendo que sempre foi o MIT e que é uma verdadeira universidade, muito para além das engenharias. Também não vale vir-me com o exemplo recente do Imperial College, porque a chamada Universidade de Londres é uma manta de retalhos, com fraca coesão institucional.
"(...) pela criação de um conselho geral, que passa a concentrar também um enorme poder e se substitui ao poder de decisão da assembleia e do senado universitários."Grande confusão. É verdade que o novo CG passa a ter os poderes essenciais da actual assembleia: aprovar os estatutos e eleger o reitor. Começo por lembrar que a eleição para a assembleia é a coisa menos motivadora nas universidades, que muitas vezes é necessário ir pescar à linha os candidatos e que, quanto aos estudantes e funcionários, é exemplo frequente de jogos partidários ou sindicais. Com tudo isto, tanto pode haver excelentes reitores como fracos eleitos, comprometidos com os interesses dos seus eleitores. Quanto à qualidade normativa e formal da mioria dos estatutos, é melhor nem falar. Anote-se ainda que muitos defensores da eleição do reitor pretendem é a eleição universal, não pela assembleia. Olhem só para os efeitos que isto teve aqui ao lado, na Espanha.
No que respeita ao senado, SJA escreve uma total invenção sua ou bebida não sei onde: não há uma única competência actual do senado que tenha passado para o CG. Para o reitor sim, e isto também eu critico, concordando com SJA, como poder desmesurado do reitor. No entanto, é curioso que eu ainda não tenha lido uma única critica de dentro da universidade, muito menos do CRUP, sobre este exagerado poder dos reitores. É que os académicos (e eu também) sabem bem como dar a volta a isso e transformar esta proposta de lei em presente envenenado aos reitores. Porque é que os reitores querem ser "legitimados" por uma eleição? Não se pense que é para terem força externa, é muito mais para efeitos internos, a meu ver.
"É que este conselho geral passará a eleger um reitor através de uma espécie de concurso público, a que podem concorrer personalidades que não integram o corpo docente da universidade em causa. Esta medida aponta para mais uma introdução de um factor exógeno à escola na sua gestão, o qual tem por detrás uma clara concepção ideológica neoliberal. Reafirme-se que é bom a interacção com o meio, mas a ideia é surpreendente pelo que ela mostra do modelo de universidade que se pretende. E um concurso público para reitor só tem como referência a forma como as empresas escolhem os seus gestores."Novo equívoco de SJA (e de muita gente, até os reitores). O processo de "search and select" não tem nada a ver com um concurso de carreira. Começa por haver uma procura muito activa de bons candidatos. Depois, é essencial a apresentação e discussão aprofundada de dois documentos clássicos, a carta de motivação e o programa. Finalmente, a entrevista é baseada essencialmente na visão estratégica dos candidatos. Eu já passei por isto, cá e no estrangeiro, e sei o que é de exigente.
Depois, embora este processo seja vulgar nas empresas, mas não há tanto tempo como isto, a "corporate governance" tem regras que são comuns a qualquer organização. Neste caso, para não falar nas universidades americanas, são todas as universidades do norte e centro da Europa, excluindo-se - ainda, masaté quando? - as do sul da Europa. E o que é que isto tem a ver com "uma clara concepção ideológica neoliberal"? Ler isto é coisa que lamento, porque não estou habituado a ver SJA usar chavões tão demagógicos e irracionais.
"Os efeitos de Bolonha na universidade portuguesa já se notam - o número e a diversidade dos cursos e mestrados já diminuíram."SJA, como é que pode escrever coisa tão disparatada? Efeito de Bolonha?! Explique lá, se faz o favor.
24 junho, 2007
Devaneios de jardim (VIII)
Desta vez, como é fim de semana, os devaneios vêm-me da leitura do Expresso.
1. No seu estilo provocador, que às vezes me diverte outras me irrita, Miguel Sousa Tavares escreve, a propósito de Sócrates e seus manos espirituais: "se isto é a esquerda, que venha a direita!". Descontando o absurdo da opção, haverá muita gente a quem ainda não apeteceu dizer ou escrever isto? Confesso que a mim sim. Claro que isto merece escrito mais sério e desenvolvido. Já está agendado.
2. O exagero da democracia, como em tantas coisas na vida, pode ser contraproducente. Antes das eleições para a CML, a RTP vai promover um debate com os 12 cabeças de lista. A duração total será de 120 minutos e vou dar de barato que não haverá intervalos publicitários. Exactamente 10 minutos a cada um e o habitual ruído de fundo multiplicado não sei quantas vezes. É um bom convite a que os espectadores nunca mais queiram assistir a debates televisivos.
3.
Tão amigos que nós somos!
4. Duas notícias sobre a Guiné-Bissau, não sei qual delas a pior e mais ofensiva para a memória de Amílcar Cabral. Que desgosto, para mim de/dos 60s!
5. Daqui a poucos dias, Blair vai a Buckingham apresentar a sua demissão à rainha. Vai em carro oficial, com escolta e gasolina paga pelos contribuintes. No fim, estará à sua espera o seu automóvel privado. Parvoíce à inglesa? É com estas parvoíces que se faz a ética política. E ainda sobre Blair. Neste conselho europeu, a dias de se despedir, moeu o juízo aos outros 26 na defesa do que considera (a meu ver mal) os interesses britânicos e ganhou. Se fosse à portuguesa, pensaria "deixa-me estar bem caladinho e não fazer ondas, para arranjar um tachito europeu". Não aprecio nada o Blair do Iraque e de muito mais, mas "chapeau"!
1. No seu estilo provocador, que às vezes me diverte outras me irrita, Miguel Sousa Tavares escreve, a propósito de Sócrates e seus manos espirituais: "se isto é a esquerda, que venha a direita!". Descontando o absurdo da opção, haverá muita gente a quem ainda não apeteceu dizer ou escrever isto? Confesso que a mim sim. Claro que isto merece escrito mais sério e desenvolvido. Já está agendado.
2. O exagero da democracia, como em tantas coisas na vida, pode ser contraproducente. Antes das eleições para a CML, a RTP vai promover um debate com os 12 cabeças de lista. A duração total será de 120 minutos e vou dar de barato que não haverá intervalos publicitários. Exactamente 10 minutos a cada um e o habitual ruído de fundo multiplicado não sei quantas vezes. É um bom convite a que os espectadores nunca mais queiram assistir a debates televisivos.
3.
Tão amigos que nós somos!
4. Duas notícias sobre a Guiné-Bissau, não sei qual delas a pior e mais ofensiva para a memória de Amílcar Cabral. Que desgosto, para mim de/dos 60s!
5. Daqui a poucos dias, Blair vai a Buckingham apresentar a sua demissão à rainha. Vai em carro oficial, com escolta e gasolina paga pelos contribuintes. No fim, estará à sua espera o seu automóvel privado. Parvoíce à inglesa? É com estas parvoíces que se faz a ética política. E ainda sobre Blair. Neste conselho europeu, a dias de se despedir, moeu o juízo aos outros 26 na defesa do que considera (a meu ver mal) os interesses britânicos e ganhou. Se fosse à portuguesa, pensaria "deixa-me estar bem caladinho e não fazer ondas, para arranjar um tachito europeu". Não aprecio nada o Blair do Iraque e de muito mais, mas "chapeau"!
23 junho, 2007
Não preciso da Caras
Há dias, como hoje, em que me sinto a ganhar coisas importantes para a minha cultura. Prexemple, que a Jessica Alba não gosta que lhe chamem latina. Que a Christina Aguilera está grávida. Que Giselle Bundchen é candidata a madrasta. Que Enrique Iglesias ainda não está pronto para casar.
Para isto, muita gente tem de comprar a Caras. Eu tenho mais sorte. Como compro o Público, posso dispor da sua página diária Pessoas, no caderno P2. Não é bom? E assim me fico, pretantes, ora prontes.
Para isto, muita gente tem de comprar a Caras. Eu tenho mais sorte. Como compro o Público, posso dispor da sua página diária Pessoas, no caderno P2. Não é bom? E assim me fico, pretantes, ora prontes.
19 junho, 2007
Parabéns
Chico Buarque faz hoje 63 anos. É da notável colheita de 44, de que conheço excelentes "vinhos" (não vou dar o exemplo mais notório...). Deste lado de "tanto mar", aqui vão os votos de que "a festa seja bonita, pá!"
Devaneios de jardim (VII)
Da leitura do Público de ontem.
1. Há pequenos erros políticos, aparentemente insignificantes, que não são assim tão insignificantes pelo que revelam de infantilidade e de irresponsabilidade. Mesquinhamente, o governo vai-se fazer representar por um obscuro secretário de Estado na tomada de pose do novo governo madeirense. Dar razões justificadas de queixa a Alberto João Jardim, ainda por cima numa coisa secundária, é mesmo tiro no pé. O gabinete do primeiro ministro é uma escola infantil?
2. O "estudo van Zeller" sobre o NAL pode vir a ter grandes efeitos políticos e económicos. Para já, teve como consequência uma surpreendente (?) mudança de atitude do governo. Pode também ser justificação mais ou menos oculta para, no fim, a decisão beneficiar importantes interesses privados. É estudo que deve ter custado muito dinheiro. Neste sentido, o anonimato dos seus financiadores é uma ofensa clamorosa da transparência política, em democracia, é coisa eticamente tão inaceitável, noutro domínio, como uma denúncia caluniosa por carta anónima.
3. Ainda sobre este assunto, surpreende-me (?) o grande interesse da Associação Comercial do Porto (ACP) e a defesa acalorada que faz do Portela+1. Eu sei que o NAL é questão de interesse nacional e que, portanto, legitima o interesse da ACP, até disponível para ter financiado o estudo van Zeller. Mas a decisão sobre o NAL, num país geograficamente tão pequeno, não afecta o aeroporto das Pedras Rubras?
4. Allain Juppé, figura histórica da direita francesa, teve de se demitir do recente cargo de ministro por não ter sido eleito deputado. Isto pode-nos parecer muito estranho, mas é comum nos sistemas parlamentares. Na Grã-Bretanha, é impensável ser-se ministro sem se ser deputado e até nem se suspende o mandato parlamentar. Nós valorizamos o oposto, ou o perfil técnico ou mesmo o ser-se independente, como se um governante fosse um director geral. Sem cair em exagero, não ficava mal que os nossos ministros tivessem experiência política, nomeadamente parlamentar. Como se tem visto, não basta ser-se bom técnico.
5. O dono de uma fábrica chinesa de tijolos, agora preso, justificou-se com toda a candura, em relação à sua atitude para com os "operários": "Pensei que não era grave bater e gritar com os trabalhadores e não lhes pagar o salário". A China ainda é um país comunista? O que acha, Jerónimo de Sousa?
1. Há pequenos erros políticos, aparentemente insignificantes, que não são assim tão insignificantes pelo que revelam de infantilidade e de irresponsabilidade. Mesquinhamente, o governo vai-se fazer representar por um obscuro secretário de Estado na tomada de pose do novo governo madeirense. Dar razões justificadas de queixa a Alberto João Jardim, ainda por cima numa coisa secundária, é mesmo tiro no pé. O gabinete do primeiro ministro é uma escola infantil?
2. O "estudo van Zeller" sobre o NAL pode vir a ter grandes efeitos políticos e económicos. Para já, teve como consequência uma surpreendente (?) mudança de atitude do governo. Pode também ser justificação mais ou menos oculta para, no fim, a decisão beneficiar importantes interesses privados. É estudo que deve ter custado muito dinheiro. Neste sentido, o anonimato dos seus financiadores é uma ofensa clamorosa da transparência política, em democracia, é coisa eticamente tão inaceitável, noutro domínio, como uma denúncia caluniosa por carta anónima.
3. Ainda sobre este assunto, surpreende-me (?) o grande interesse da Associação Comercial do Porto (ACP) e a defesa acalorada que faz do Portela+1. Eu sei que o NAL é questão de interesse nacional e que, portanto, legitima o interesse da ACP, até disponível para ter financiado o estudo van Zeller. Mas a decisão sobre o NAL, num país geograficamente tão pequeno, não afecta o aeroporto das Pedras Rubras?
4. Allain Juppé, figura histórica da direita francesa, teve de se demitir do recente cargo de ministro por não ter sido eleito deputado. Isto pode-nos parecer muito estranho, mas é comum nos sistemas parlamentares. Na Grã-Bretanha, é impensável ser-se ministro sem se ser deputado e até nem se suspende o mandato parlamentar. Nós valorizamos o oposto, ou o perfil técnico ou mesmo o ser-se independente, como se um governante fosse um director geral. Sem cair em exagero, não ficava mal que os nossos ministros tivessem experiência política, nomeadamente parlamentar. Como se tem visto, não basta ser-se bom técnico.
5. O dono de uma fábrica chinesa de tijolos, agora preso, justificou-se com toda a candura, em relação à sua atitude para com os "operários": "Pensei que não era grave bater e gritar com os trabalhadores e não lhes pagar o salário". A China ainda é um país comunista? O que acha, Jerónimo de Sousa?
16 junho, 2007
Desta água não beberei!
O Sol, de que só li o primeiro número e chegou, era o jornal que nunca faria promoções. O director voltou atrás e começa logo em família, com as memórias do tio José Hermano Saraiva. A que propósito? JHS nada tem a dizer sobre uma eventual vida de historiador, parece que nunca o foi a sério. Foi, inegavelmente, um diligente e muito eficaz divulgador, mas isto não merece memórias, antes a publicação dos seus programas televisivos em DVD, se é que já não há.
A parte da sua vida que justificaria memórias é aquela que não me atrai nada e sobre a qual, possivelmente, ele terá alguma dificuldade em escrever: a de último ministro da Educação de Salazar (nem foi de Caetano!). Foi ministro na época da crise de Coimbra, dirigiu ou pactuou com a repressão, assinou muitos despachos de expulsão de estudantes, entre os quais Alberto Martins e Barros Moura, bem como o de demissão de um assistente, José Correia Pinto.
Há memórias que, ou são truncadas e são uma aldrabice, ou são completas e são um ultraje.
A parte da sua vida que justificaria memórias é aquela que não me atrai nada e sobre a qual, possivelmente, ele terá alguma dificuldade em escrever: a de último ministro da Educação de Salazar (nem foi de Caetano!). Foi ministro na época da crise de Coimbra, dirigiu ou pactuou com a repressão, assinou muitos despachos de expulsão de estudantes, entre os quais Alberto Martins e Barros Moura, bem como o de demissão de um assistente, José Correia Pinto.
Há memórias que, ou são truncadas e são uma aldrabice, ou são completas e são um ultraje.
10 junho, 2007
Devaneios de jardim (VI)
Hoje vou devanear, à ligeira e em bom estilo dominical, sobre coisas do Expresso de ontem.
1. Os índices de popularidade parecem-me surrealistas e não fico convencido pelas explicações. Sócrates, 30,5%; o PS, 44,6%; o governo, -9,7%. Bizarro, um governo tão mau em que não tem nada a ver com o primeiro ministro, aparentemente. Depois, um índice do PS que, em eleições já, voltavam a dar maioria absoluta para Sócrates formar provavelmente o mesmo governo, tão mau em popularidade. À Jô Soares, "tem português que é maluco!".
2. De facto, creio que para bem dos católicos, a missa em Latim já está esquecida. Assim se justifica que o Expresso titule "Et missa est", quando a frase ritual, de despedida, era "Ite, missa est".
3. Fiquei preocupado com coisas perigosas que possa andar a fazer a minha mulher. De acordo com o Expresso, há uma coisa terrível que "graça" por aí...
1. Os índices de popularidade parecem-me surrealistas e não fico convencido pelas explicações. Sócrates, 30,5%; o PS, 44,6%; o governo, -9,7%. Bizarro, um governo tão mau em que não tem nada a ver com o primeiro ministro, aparentemente. Depois, um índice do PS que, em eleições já, voltavam a dar maioria absoluta para Sócrates formar provavelmente o mesmo governo, tão mau em popularidade. À Jô Soares, "tem português que é maluco!".
2. De facto, creio que para bem dos católicos, a missa em Latim já está esquecida. Assim se justifica que o Expresso titule "Et missa est", quando a frase ritual, de despedida, era "Ite, missa est".
3. Fiquei preocupado com coisas perigosas que possa andar a fazer a minha mulher. De acordo com o Expresso, há uma coisa terrível que "graça" por aí...
08 junho, 2007
Devaneios de jardim (V)
1. José Miguel Júdice escreve hoje, no Público, que não gosta muito da designação "bloco central". Eu também não, preferindo, à francesa, o pântano, "le marais". JMJ propõe a "panela central", por ser onde se fazem os cozinhados. Desconhece que os fogões, habitualmente, não têm uma boca central. Por isto, aproveitando a ideia, eu diria "o tacho grande". Tem uma vantagem, a de outras conotações.
2. Informa-me o jornal, em notícia ilustrada com fotografia de meia página, que o futebolista brasileiro Kaká chegou virgem ao casamento, tinha então 22 anos e já era vedeta. Aquelas festinhas no rabo tão frequentes na alegria do golo deixam-me sempre em dúvida. O que já percebo menos é o critério de qualidade informativa do meu jornal (já agora, também a qualidade de um blogue que publica coisas destas...).
2. Informa-me o jornal, em notícia ilustrada com fotografia de meia página, que o futebolista brasileiro Kaká chegou virgem ao casamento, tinha então 22 anos e já era vedeta. Aquelas festinhas no rabo tão frequentes na alegria do golo deixam-me sempre em dúvida. O que já percebo menos é o critério de qualidade informativa do meu jornal (já agora, também a qualidade de um blogue que publica coisas destas...).
07 junho, 2007
Se o ridículo matasse...
Fico muito satisfeito por voltar a ler no Público, diariamente, o Fio do Horizonte. Em primeiro lugar, porque me agrada sempre a cura de uma doença grave, seja de quem for. Depois, porque há muito tempo que a sua leitura é um escape masoquista meu, com algum divertimento.
Hoje, o Eduardinho fala sobre as suas recordações infantis da feira do livro. Tinha ele 12 ou 13 anos, lá foi, iniciado pela mãe, recolheu muitos catálogos e passou horas em casa a estudá-los, para uma ida seguinte, então para compras. À cabeça, tão destacado que é o único desses livros de que se lembra, dos seus 12 ou 13 anos, "O Mito de Sísifo", de Camus.
O Eduardinho não tem mesmo o mínimo sentido do ridículo?
Hoje, o Eduardinho fala sobre as suas recordações infantis da feira do livro. Tinha ele 12 ou 13 anos, lá foi, iniciado pela mãe, recolheu muitos catálogos e passou horas em casa a estudá-los, para uma ida seguinte, então para compras. À cabeça, tão destacado que é o único desses livros de que se lembra, dos seus 12 ou 13 anos, "O Mito de Sísifo", de Camus.
O Eduardinho não tem mesmo o mínimo sentido do ridículo?
02 junho, 2007
Devaneios de jardim (IV)
1. Os professores e investigadores iranianos foram avisados oficialmente de que incorrem em suspeita de espionagem se contactarem com colegas estrangeiros. Sem comentários.
2. James Watson, prémio Nobel, co-descobridor com Francis Crick da estrutura do DNA, acaba de ter todo o seu genoma sequenciado. Foi coisa de significado aparentemente individual que custou 700.000 euros, certamente não pagos por ele. Para quê, para coisa narcísica? Talvez, mas o que é verdade é que quanto se pagaria para se conhecer a sequência de todos os genes de Leonardo, de Newton, de Einstein?
3. Há dias, morreu Jean-Pierre Cassel, agora Jean-Claude Brialy. Estou mesmo a ficar velho. Ao menos, fui verificar e ainda por cá andam Alain Delon e Jean Paul Belmondo.
4. Segundo a "newsletter" do Portal do Cidadão, "o número de declarações Modelo 3 entregues pela Internet superou, pela primeira vez, o das entregas em papel. Até 29 de Maio último, e no conjunto das duas fases, as declarações de IRS recebidas por via electrónica em 2007 aumentaram 27,3% em relação ao ano anterior, representando 60% do número total." E pur si muove!
2. James Watson, prémio Nobel, co-descobridor com Francis Crick da estrutura do DNA, acaba de ter todo o seu genoma sequenciado. Foi coisa de significado aparentemente individual que custou 700.000 euros, certamente não pagos por ele. Para quê, para coisa narcísica? Talvez, mas o que é verdade é que quanto se pagaria para se conhecer a sequência de todos os genes de Leonardo, de Newton, de Einstein?
3. Há dias, morreu Jean-Pierre Cassel, agora Jean-Claude Brialy. Estou mesmo a ficar velho. Ao menos, fui verificar e ainda por cá andam Alain Delon e Jean Paul Belmondo.
4. Segundo a "newsletter" do Portal do Cidadão, "o número de declarações Modelo 3 entregues pela Internet superou, pela primeira vez, o das entregas em papel. Até 29 de Maio último, e no conjunto das duas fases, as declarações de IRS recebidas por via electrónica em 2007 aumentaram 27,3% em relação ao ano anterior, representando 60% do número total." E pur si muove!
30 maio, 2007
Devaneios de jardim (III)
É caso para assinalar a coincidência do uso da palavra jardim, em contextos diferentes. Tenho dúvidas sobre se a cultura portuguesa geral valoriza suficientemente o jardim. Eu próprio, como micaelense, fui habituado a valorizar muito mais os parques do que os jardins.
Há dois anos, passei umas férias magníficas em Ponte de Lima, que me cumpriu todos os meus requisitos: óptima instalação, numa linda casa de turismo de habitação, uma vila muito bonita, boa comida, e, essencial, localização no centro de um círculo a permitir passeios óptimos de uma tarde.
Num dia, visitei com o maior prazer o Festival dos Jardins. Foi a primeira vez que me dei verdadeiramente conta de um jardim como objecto de arte moderna. É por isto que realço a notícia agora lida de que abriu novamente o festival, já em terceira edição. Quem andar por esses lados que não perca.
Há dois anos, passei umas férias magníficas em Ponte de Lima, que me cumpriu todos os meus requisitos: óptima instalação, numa linda casa de turismo de habitação, uma vila muito bonita, boa comida, e, essencial, localização no centro de um círculo a permitir passeios óptimos de uma tarde.
Num dia, visitei com o maior prazer o Festival dos Jardins. Foi a primeira vez que me dei verdadeiramente conta de um jardim como objecto de arte moderna. É por isto que realço a notícia agora lida de que abriu novamente o festival, já em terceira edição. Quem andar por esses lados que não perca.
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