15 julho, 2007

Notas de viagem


As minhas viagens aos Açores são frequentemente contraditórias. De bom têm tanto que me é difícil escrever, mas certamente intuído por quem está habituado às minhas velhas "açorianices", ou agora o meu companheiro de viagem, um grande amigo, vítima da "seca" de um cicerone tão entusiasmado. Infelizmente, também aspectos negativos, que anoto só na perspectiva de poder contribuir para a sua correcção.

1. Em geral, e como tenho a snobice, justificada por questões de saúde, de só viajar em executiva (em económica, nas rotas açorianas, é só uma sandes), usufruo com prazer do cattering da TAP, com a qualidade do seu responsável, Vítor Sobral. No regresso da Horta, no dia 13, o prato estava muito bom, um lombo de porco com molho de amêndoas, com um bom esparregado e batatas ao ponto, entre o estufado e o assado. Como sobremesa, um bom pudim de queijo sobre crocante de coco e coberto com um molho de chocolate. Mas não é que me serviram como queijo esta coisa ordinária que se vê na imagem? Eu ainda vou com o Président, porque não conheço embalagens individuais de camembert de queijo cru (embora já tenha tido em outras companhias embalagens individuais de gruyère ou de cheddar). Mas queijo fundido que eu usava para barrar as sandes que os meus filhos levavam para a escola e de que eles gostavam principalmente porque a vaca ria?

2. Não estou certo de a minha segunda critica merecer apoio geral, mas é o meu gosto e sentido da elegância. Estive nas três ilhas principais e, em todas elas, em hotéis modernos de quatro estrelas. Nada a dizer em relação aos quartos e ao serviço, em geral, com excepção da falta, nos bares, dos excelentes Chico Maria, dos Biscoitos (ao menos, no restaurante, havia o Donatário). Mas jantares só com bufete? É óptimo para reduzir as despesas com pessoal, mas, para mim, é totalmente oposto ao nível mínimo de elegância e de bom gosto que eu exijo ao jantar, sendo até condescendente com uma maior ligeireza de um almoço de negócios. Além do mais, é muito difícil preparar um prato para ficar no aquecedor que tenha qualquer vislumbre da qualidade de um prato servido individualmente. No aquecedor, só "pratos de cantina", mesmo que de supercantina.

3. Finalmente, uma história surrealista. Como já estava atrasado, não tive o cuidado habitual de verificar bem, num hotel, que tinha posto tudo na maleta. Só ao chegar a Lisboa dei por falta do pijama e telefonei para o hotel, para pedir o envio. A primeira informação, da responsável pela arrumação dos quartos, era mentira descarada, que o pijama estava todo roto e que eu o tinha posto no cesto do lixo, pelo que ele lá foi para o lixo geral. Eu admito erros, mas detesto que me tomem por parvo. Pedi para me passarem a um responsável superior, uma senhora amável, não sei com que cargo, que desmentiu essa versão (de facto, eu tinha-o esquecido na casa de banho, ao despir-me para o duche). Prontificou-se a indemnizar-me, o que recusei, para ficar livre de poder escrever esta nota sobre o Hotel Terceira Mar, em Angra do Heroísmo.

1 comentário:

Henrique disse...

Se ficou pelo terceira mar e não saiu de Angra, passou ao lado de uma das mais distitas referências gastronómicas da Terceira