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21 setembro, 2008

Nota gastronómica (LXI)

Vinho da Madeira

É o tema de uma crónica deste fim de semana no Fugas, o suplemento de lazeres do Público. Espero que tenha sucesso, porque é incrível como o Madeira (e também os verdelhos açorianos do Pico e dos Biscoitos) andem tão esquecidos. Coisa importante desse artigo é o alerta para que, em relação aos Madeira correntes, a classificação não corresponde às castas tradicionais dos vinhos monocasta: sercial, verdelho, bual, malvasia, para não falar dos raros terrantês, listrão (de Porto Santo) e bastardo.

O que me suscita esta nota é a demasiadamente fácil correspondência entre as castas e os "estilos", hoje dos vinhos correntes da casta tinta negra mole. A secura tem de ser equilibrada com a acidez e força dos taninos.  Neste sentido, se a escala habitual é sercial-verdelho-bual-malvasia, eu acho que o mais caracteristicamente de aperitivo, ou a meio da tarde, não é o mais "seco", o sercial, mas sim o verdelho, um pouco mais adstringente e áspero. O sercial é para dez minutos antes da refeição. É gosto pessoal, ficam livres de me contradizer. Importante é que, no continente, antes de uma boa refeição de restaurante, ao pedirem um banal Porto seco, pensem na alternativa de um Madeira (ou Pico ou Biscoitos).

21 maio, 2008

Nota gastronómica (LVI)

Catembe

Há largos anos, quando vivi temporariamente em Angola, fazia-me impressão o hábito de colonos recentes (não os das “gloriosas famílias” do Pepetela), mais ricos do que educados, de pedir no restaurante um bom tinto do Puto e beberem-no com 7 Up. Mais tarde, um frequente convidado meu, também retornado, pedia-me sempre duas pedras de gelo para pôr no copo de vinho tinto, que eu tinha “chambré” com esmero.

Por isto, franzi o nariz há dias, quando uma amiga angolana misturou vinho tinto e coca-cola. Resolvi depois provar, claro que com um tinto corrente e, para mal dos meus pecados diabéticos, com uma cola zero. Fiquei surpreendido, é um bom cocktail, melhor do que o Cuba Libre. Para os africanos, chama-se catembe, em honra da ilha turística próxima de Maputo. Terá sido inventado num dos hotéis ou bares do Catembe?