19 junho, 2007

Devaneios de jardim (VII)

Da leitura do Público de ontem.

1. Há pequenos erros políticos, aparentemente insignificantes, que não são assim tão insignificantes pelo que revelam de infantilidade e de irresponsabilidade. Mesquinhamente, o governo vai-se fazer representar por um obscuro secretário de Estado na tomada de pose do novo governo madeirense. Dar razões justificadas de queixa a Alberto João Jardim, ainda por cima numa coisa secundária, é mesmo tiro no pé. O gabinete do primeiro ministro é uma escola infantil?

2. O "estudo van Zeller" sobre o NAL pode vir a ter grandes efeitos políticos e económicos. Para já, teve como consequência uma surpreendente (?) mudança de atitude do governo. Pode também ser justificação mais ou menos oculta para, no fim, a decisão beneficiar importantes interesses privados. É estudo que deve ter custado muito dinheiro. Neste sentido, o anonimato dos seus financiadores é uma ofensa clamorosa da transparência política, em democracia, é coisa eticamente tão inaceitável, noutro domínio, como uma denúncia caluniosa por carta anónima.

3. Ainda sobre este assunto, surpreende-me (?) o grande interesse da Associação Comercial do Porto (ACP) e a defesa acalorada que faz do Portela+1. Eu sei que o NAL é questão de interesse nacional e que, portanto, legitima o interesse da ACP, até disponível para ter financiado o estudo van Zeller. Mas a decisão sobre o NAL, num país geograficamente tão pequeno, não afecta o aeroporto das Pedras Rubras?

4. Allain Juppé, figura histórica da direita francesa, teve de se demitir do recente cargo de ministro por não ter sido eleito deputado. Isto pode-nos parecer muito estranho, mas é comum nos sistemas parlamentares. Na Grã-Bretanha, é impensável ser-se ministro sem se ser deputado e até nem se suspende o mandato parlamentar. Nós valorizamos o oposto, ou o perfil técnico ou mesmo o ser-se independente, como se um governante fosse um director geral. Sem cair em exagero, não ficava mal que os nossos ministros tivessem experiência política, nomeadamente parlamentar. Como se tem visto, não basta ser-se bom técnico.

5. O dono de uma fábrica chinesa de tijolos, agora preso, justificou-se com toda a candura, em relação à sua atitude para com os "operários": "Pensei que não era grave bater e gritar com os trabalhadores e não lhes pagar o salário". A China ainda é um país comunista? O que acha, Jerónimo de Sousa?

1 comentário:

antonio disse...

E isto (como bem notou o excelente JPCastro) ninguem nota?
- "Outra coisa: cada vez se torna mais evidente que a força motriz por detrás destas movimentações é a Lusoponte, presidida pelo ex-ministro Joaquim Ferreira do Amaral. E parece-vos bem que Ferreira do Amaral tenha aceite dirigir os destinos de uma empresa que recebeu a concessão que hoje explora do mesmíssmo Ferreira do Amaral ao tempo em que era Ministro dos Transportes e Obras Públicas? Raio de sociedade civil, esta!) do Blogoexisto

- E o facto do Dr. Marques Mendes ter sido pago em senhas aquando da sua permanência na Universidade aí de Oeiras?

Obviamente que estes comentarios seriam mais apropriados num post seu dedicado à gastronomia (que são excelentes, obrigado)mais especificamente dedicado às caldeiradas.