21 agosto, 2007

TG

Não, meus caros e raros leitores, ao título deste meu post não lhe falta nenhum V; Para lhes falar do TGV ando já há um bom par de meses em recolha e compilação bibliográfica pertinente. Este TG é apenas um nome carinhoso que atribuo para abreviar o conceito de "transgénico".
Só lhes venho falar de TGs porque faz hoje, precisamente, uma semana que ando um bocado envergonhada com o que, honestamente, penso serem as tristíssimas figuras públicas, actualmente, já com repercussões internacionais, de alguns dos meus compatriotas.
A questão a que me refiro, subscrevendo e parafraseando JVC, deste blog, é mesmo muito grave e, a meu ver, tudo se resume a duas nossas já consagradas atitudes deploráveis: muita gente com pouco que fazer e desprovida de know-how para defender, à séria, as suas pretensas causas, e pouca gente que teria muito que fazer e muitas causas a defender, mas que pouco ou nada faz, nem deixa fazer.
Incluo no primeiro grupo (A) as desabonatórias exibições das Associações Ambientalistas Verde Eufêmia e Almargem e, para mal dos meus pecados, no segundo grupo junto, em exequo, o B) Ministério da Agricultura Desenvolvimento Rural e Pescas (MADRP) e C) a GNR.

A) Quanto às Associações Ambientalistas, além da minha mais absoluta e radical reprovação dos seus processos e métodos, nesta e noutras, demasiadas, intervenções semelhantes (ex: co-incineração) não tecerei comentários, para os fazer precisaria, previamente, discorrer pelo menos uns dois ou três compêndios temáticos, e não estou nem com tempo nem com disposição para isso - quem sabe, um dia...

B) Quanto ao MADRP, vejamos, apesar das INFELIZMENTE, reduzidíssimas actividades produtivas neste nosso país, na área dos transgénicos, deveria:
1 - garantir e fazer cumprir a Directiva Europeia n.º 2001/18/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de Março, e a Legislação Nacional, a saber: Decreto-Lei n.º 72/2003, de 10 de Abril, Decreto-Lei n.º 164/2004, de 3 de Julho, Decreto-Lei n.º 168/2004, de 7 de Julho, o Decreto-Lei n.º 160/2005, de 21 de Setembro, a Portaria n.º 904/2006, de 4 de Setembro,
2 - Respeitar o Principio da Precaucionaridade nos seus elementos chave: "Anticipatory Action: There is a duty to take anticipatory action to prevent harm. Government, business, and community groups, as well as the general public, share this responsibility. Right to Know: The community has a right to know complete and accurate information on potential human health and environmental impacts associated with the selection of products, services, operations or plans. The burden to supply this information lies with the proponent, not with the general public. Alternatives Assessment: An obligation exists to examine a full range of alternatives and select the alternative with the least potential impact on human health and the environment, including the alternative of doing nothing. Full Cost Accounting: When evaluating potential alternatives, there is a duty to consider all the reasonably foreseeable costs, including raw materials, manufacturing, transportation, use, cleanup, eventual disposal, and health costs even if such costs are not reflected in the initial price. Short-and long-term benefits and time thresholds should be considered when making decisions. Participatory Decision Process: Decisions applying the Precautionary Principle must be transparent, participatory, and informed by the best available science and other relevant information."

Quando o MADRP desata a pular a esmo as fases e etapas que lhe competem, sobretudo as fases de conveniente divulgação pública, está a chamar por sérias complicações posteriores. Não adianta nada agora vir dizer que o agricultor em causa cumpriu a lei.
O que seria preciso era TODOS sabermos que este Senhor agricultor cumpria a lei dos TG, e que o Estado cumpriria também a parte que lhe cabe, isto é, lhe asseguraria em contrapartida TODOS os direitos.

C) O que pelos vistos não adiantou mesmo nada foi chamar a GNR, o que me trás ao último ponto:
Mas porque havemos nós de custear forças policiais se, na "hora do vamos ver", ele(a)s chutam os problemas para canto?
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Observações:
-Esclareço já que apenas e só, sob o respeito absoluto ao principio da precaucionaridade, sou INTEIRAMENTE favorável aos transgénicos e à co-incineração de resíduos banais/perigosos.
- O perigo REAL que Portugal enfrenta, actualmente, é o nosso firme propósito de querermos, à viva força, e até sob protecção da inércia da segurança pública e governamental, permanecer atrasados, ignorantes e dependentes.
-"Spanish growers have led the adoption of GMO in Europe - resulting in annual reductions of pesticide applications of up to 123,000 pounds (56,000 kg) per year in Spain. Ismael Purroy, a GM corn grower from Spain, explains how biotech crops have eliminated damage from serious insect infestations and brought peace of mind and security to him and his family."

4 comentários:

Manuel Correia disse...

Cara Regina Nabais,

li o seu poste com atenção. Parece-me uma pessoa corajosa, tomando as Associações Ambientalistas que menciona como suas adversárias e, cumulando essa ousadia, o anúncio genérico de estar a favor dos TG's e, como se tal não bastasse, da co-incineração também.
Cada qual faz suas as causas que entende.
Não percebi como coaduna tudo isso com uma abordagem séria do princípio da precaucionaridade, que explana.
Dado que muitos dos preceitos envolvidos estão por cumprir, não vislumbro a razão pela qual não põe um pouco mais de ênfase no direito à informação e à acção preventiva.
Se puder esclarecer estes pontos, muito grato lhe ficaria.

Regina Nabais disse...

Olá Manuel Correia,
Obrigada por ter feito este comentário. Dá-me, assim, uma desculpa para desenvolver o esclarecimento que os leitores deste post merecem.
Vou ter que lhe pedir paciência e para se constituir como mais um dos meus credores de informação, ficar-lhe-ei devedora de uma explicação futura pormenorizada, num outro post, mas em resumo - para já - o que quis dizer foi:
Que os péssimos resultados das questões como co-incineração e agora também este específico caso do milho TG, têm origem na mesmíssima omissão de clarificação dos dados dos problemas logo no INÍCIO DOS PROCESSOS de natureza controversa. Este único e simples facto - incluído no principio da precaucionaridade que deveríamos respeitar - trás como consequência a suspeição pública e os inevitáveis aproveitamentos políticos, sócio-políticos e organizacionais que testemunhámos.
Só lhe digo mais uma coisa não considero de forma nenhuma que os activistas ambientais sejam "meus" adversários pessoais, mas considero que estão muito longe de assumir o papel útil que poderiam ter nestes processos.
Então até a um próximo post sobre a precaucionaridade...

José N. Azevedo disse...

A minha objecção pessoal aos transgénicos passa sobretudo pelos aspectos económicos e políticos. Vejo a redução das alternativas, o controle do mercado por um punhado de grandes empresas multinacionais, a elevação da produção agrícola a novas alturas de industrialização.
Penso que estão documentados problemas sérios relacionados com os transgénicos, e vejo muitos paralelismos entre a indústria agro-alimentar a a indústria farmacêutica na forma de lidar com eles.
Quanto às supostas vantagens na redução de pesticidas, vejo-as como mais um fase numa luta inglória contra o poder da evolução. Porque hão-de as toxinas do Bacillus thuringiensis ser diferentes do DDT?

Regina Nabais disse...

Olá josé azevedo fez bem em ter passado aqui e deixado a sua forma de pensar sobre o assunto.
Penso que tem mesmo razão - a agricultura está a passar velozmente, do sector produtivo primário para o secundário, e até para o terciário; e, também se anulou a distância entre processos e procedimentos da indústria alimentar e cosmética, e os da da indústria farmacêutica. Já ninguém "acompanha" acompanha com arte e desvelo, uma fermentação para vinho/cerveja, agora "pilotam-se" reactores e, de preferência, automáticos e à distância...