20 agosto, 2007

Jónico, dórico, coríntio e ferroviário


Dos mitos urbanos da minha infância, havia a história do pedreiro que deu asas à imaginação e arredondou um capitel com volutas de combóio.

A coisa aconteceu nas obras de restauro do Convento da Madre de Deus, em Xabregas, Lisboa. As obras iniciaram-se por volta de 1870, tendo um ano depois sido inaugurada a estação de Santa Apolónia. Ainda havia ecos da célebre viagem de inauguração da linha de caminho-de-ferro que ligava Lisboa ao Carregado. A zona oriental de Lisboa tinha uma economia ribeirinha que sofreu um forte impulso pelas obras públicas e pela inauguração da nova ferrovia, que 1870 já chegava a Santarém.

Em vez dos clássicos motivos de um neo-manuelino ou da estatuária sagrada, o tal pedreiro resolveu mostrar o que de novo e importante havia na cidade. O capitel pode ser visto no Museu Nacional do Azulejo. Está num dos claustros que liga o convento à igreja e terá que ser procurado, pois não há qualquer indicação da sua existência.

1 comentário:

Henrique disse...

Está um astronauta no portal plateresco da entrada para o claustro universitário de Salamanca e "um" Salazar nos painéis de S. Vicente. São coisas que se fizeram.