07 março, 2007

Os tambores da guerra

Já soam, bem audíveis, em relação ao Irão. Condoleezza Rice, diz que não, é o seu papel de "polícia bom". Mas os patrões, Bush e Cheney, esclarecem direitinho que nenhuma hipótese está fora da mesa. A bom entendedor...

Desde a grande convulsão do sistema internacional soviético, implosiva, que me interrogo se ainda não vamos ter saudades do sistema bipolar. Hoje vivemos numa ordem internacional unilateral, tanto mais perigosa quanto pode estar nas mãos de mentecaptos. O sistema anterior tinha o aspecto horroroso da guerra fria, da ameaça da catástrofe nuclear. Mas quem é que acreditava que isso fosse possível, de facto, a não ser na ficção do "Dr. Strangelove"?

Mas, nessa época, alguma vez teria sido possível a estupidez da guerra do Iraque? (À margem, quando é que o governo dá o sinal político, simbólico mas muito importante, de retirar imediatamente a GNR do Iraque? Zapatero, dá lá umas liçõezinhas ao Sócrates!).

Podem acusar-me de cinismo. É verdade que considerar historicamente negativo o desaparecimento do equilíbrio de forças (afinal, tudo é "checks and balances") significa aceitar que ainda milhões de pessoas continuassem subordinados aos regimes de tipo soviético, perversão de um verdadeiro mundo novo sonhado por tantos génios da humanidade, nos últimos dois séculos.

Finalmente, a declaração de interesses. Este texto não é a malvada América contra o bom Irão. Tenho enorme admiração por tanto de excelente que tem a América e os americanos, entre os quais conto dos maiores amigos. Sempre vi com muita reserva a revolução iraniana, cada vez mais detestando a sua essência teocrática. E quanto ao seu inefável presidente actual, só não digo que os iranianos têm o que merecem porque sei o que me desgostava ouvir tal coisa em relação a nós, até ao 25 de Abril.

3 comentários:

Joao Soares disse...

Estimado João V Costa
Preparei um dossier no Bioterra http://bioterra.blogspot.com Educação pelo Desenvolvimento, Ambiente, Paz e Não Violência
que pretendo o mais extenso possível, como que um MANIFESTO comum, alertando os leitores do meu blogue que existem imensas possibilidades para a Paz e Cooperação Ambiental e quantas associações disponiveis a nivel local,regional e global que estão empenhadas neste espírito.
Um abraço e Paz
Joao

rui disse...

a queda do muro foi uma oportunidade perdida. precisamente porque o mundo, por vezes apetece dizer, infelizmente, não é a preto e branco. relativamente às saudades do mundo unipolar, há que tirar o chapéu ao Pulido Valente. Foi o único cronista que na altura destoou do optimismo geral.

lino disse...

E a China está aí. Já fez mais umas ameaças relativamente à Formosa.