04 outubro, 2008

Pérolas jornalísticas

Tendo decidido não comprar mais o Público, passei a escrutinar com cuidado o DN, possível alternativa para quem desde há muitos anos o jornal em papel é tão obrigatório como o café (valha que já não a cigarrilha). Nanja, como diz o meu povo. Aqui vão algumas pérolas, parafraseando o meu amigo Pedro Aniceto.

1. Ontem, noticia-se que "para combater a poluição microbiológica vão (JVC - itálico meu) haver novas normas".

2. Hoje, um jornalista escreve uma peça correcta em que refere com frequência o Tribunal de Contas como TC, identificando claramente a abreviatura logo na primeira linha. A notícia não permite qualquer ambiguidade, por se referir a coimas aplicadas a autarcas por irregularidades de contas. No entanto, quem depois escreveu a epígrafe e a legenda da fotografia entendeu que era o Tribunal Constitucional.

3. Mais grave, também hoje, o título e o texto de uma pequena notícia sobre um assalto realça que se trata de assaltantes romenos. Se fossem portugueses, tal facto teria tido honras de chamada de atenção?

Será que ainda vou ter de experimentar o Correio da Manhã? 

2 comentários:

PJ disse...

Há dias experimentei, pela primeira vez, comprar o Correio da Manhã (CM). É uma daquelas experiências que cada um de nós deve fazer pelo menos uma vez na vida. Duas coisas chamaram-me a atenção. A primeira é que as primeiras 8 ou 10 páginas noticiavam crimes diversos. Parecia que em Portugal se instalado um clima idêntico ao de Chicago nos anos 30.
A segunda é que estando habituado, ocasionalmente, a passar os olhos pela secção de relax do Jornal de Notícias, diário que leio quase todos os dias num café perto de minha casa, fiquei surpreendido com a extensão e o grafismo explícito da secção correspondente do CM.

Anónimo disse...

Há muita gente com dificuldades com o verbo haver. Conheço pessoas com elevados graus universitários que dizem "houveram muitos casos de..." e leio pérolas idênticas nos jornais. Eu pensava que, pelo menos os jornalistas e colunistas, tinham dicionários e gramáticas à mão...mas parece que não.
Graco