30 março, 2008

Bom senso

Esteve há dias em Portugal Hung-Hsi Hu, professor da Universidade de Berkeley, membro do National Mathematics Advisory Panel, que aconselhou recentemente o governo americano sobre a reforma do ensino da matemática no equivalente aos nossos ensinos básico e secundário. Entrevistado pelo Público, respondeu como se segue à pergunta "que recomendações daria aos Governos portugueses?"

"É preciso que os educadores trabalhem em conjunto com os matemáticos, desde que estes tenham a humildade de aceitar que o ensino nas escolas é complexo. As decisões não podem ser deixadas apenas a quem mal percebe de Matemática. Segundo: concentrem todos os esforços em arranjar bons professores."

"So simple, elementary!" Magistral!

6 comentários:

homoclinica disse...

“Ideias muito simples só estão ao alcance de espíritos complexos.” R. De Gourmont (in O Receituário de Peter)

Henrique disse...

Nas Faculdades de Ciências conta-se aquela anedota do indivíduo que aterra de balão no meio de um enorme deserto, e pergunta a um viajante onde é que está. O viajante fez umas contas demoradas e respondeu-lhe que ele estava dentro do cesto de um balão. O homem concluiu de imediato que o viajante era um matemático: não deu resposta sem ter feito ponderações e cálculos demorados, além disso a resposta era objectiva, rigorosa e não servia para nada.

homoclinica disse...

Acho que não é bem nas Faculdades de Ciências que essa anedota se conta... é mais nas outras... tipo Sociologia ... e até têm inspirado certas equipas ministeriais... por isso é que isto chegou ao que chegou.

"para que é que isto serve?"
Tudo depende do que se quer fazer.
Para se ser merceeiro, não é preciso, basta ter uma máquina de calcular.
Para ser futebolista também não é preciso... Bem, se formos ver a matemática que se dá na Faculdade de Motricidade Humana é semelhante à dada no IST. Há professores que transitam duma para a outra. Seria interessante saber a que ponto a matemática que o Mourinho lá aprendeu é responsável pelo seu sucesso.

Os americanos precisam de mais matemática. Não está numa máquina de calcular como fazer naves espaciais. É preciso um longo caminho, aprender a pensar e muitos conhecimentos adquiridos, não apenas "competências".

Mais isso são os americanos, pois nós somos mais "espertos". Basta por as criancinhas a usar o indicador nas teclas duma qualquer máquina.

Henrique disse...

Eu contei a anedotados matemáticos porque, na verdade, a solução de Hung-Hsi Hu é óbvia, correcta, simples, etc. é, aliás, a solução que matemáticos e professores de matemática partilham e afirmam. Não conseguem é entender-se em como concretizá-lo.

Henrique disse...

Quem me contou a anedota foi um matemático da Faculdade de Ciências da Universidade de Aveiro

JVC disse...

Domingos, entenda-se que, dada a sua especificidade, nunca incluo a Aberta quando critico ou elogio (infelizmente muito menos frequentemente) as outras universidades públicas.

E até tenho experiência pessoal muito boa, de colaboração em programas sobre saúde para África, quando fui director do IHMT.