31 maio, 2008

Cabeça fria ou sangue de barata

Peço desculpas aos meus caros e raros leitores, porque tenho andado muito pouco, por aqui, mas já sabem, porque preso muitíssimo a opinião de todos os que se interessam genuinamente pela educação superior, sobrevivo mesmo mal sem a vossa companhia - é que estou a ser vítima de blogger-jacking... para, em alternativa, eu fazer o quê?
E,...e, eu sei? Ando só para aqui...
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Hoje, aproveitei uma pequena distracção dos meus sequestradores, evadi-me, e vim para aqui fazer um pequeno tour blogosférico.
Dei logo de caras com uma notícia, de há dez dias, do blog de Campus, intitulada "muita cabeça fria, muita paciência, e mais emprego próprio". Na verdade, até já a tinha lido e, de certa forma registado, mas não sei porquê, hoje, por causa da situação aflitiva das pescas e de ter ouvido por um dos seus representantes, as dúvidas dos pescadores, acerca das "parcerias científicas" para o sector, ao juntar ao anúncio que: Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior preside à cerimónia de assinatura dos acordos de constituição de quatro Laboratórios Associados, segunda-feira, 2 de Junho, pelas 11:00" (Isto, só em salários para doutorados - e eles terão que consumir mais recursos para poderem fazer alguma coisinha... - vai custar, com certeza, para cima 17,0 M€/ano) fiquei assim, meio que borocochó, e resolvi desenterrar defuntos velhos.
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De volta, à "cabeça fria", afinal, nem uma meia dúzia de empresas privadas como a Unicer, Roche, Qimonda, etc... estão a valorizar os desenvolvimentos da educação superior, porque recomendam aos formandos enveredarem por iniciativas próprias - empreendedorismo; nem uma modesta actividade produtiva que sustenta só 1/3 do abastecimento nacional do pescado, parece identificar-se com as estratégias nacionais para a ciência e/ou a educação superior nacional....
Bom, mas com incongruências como estas - ao fim de 3 anos e tal - já nos habituámos...

Enquanto isso, vamos insistindo em opções (exclusivamente) políticas, e sem conteúdo, que parecem pouco consentâneas com as perspectivas dos mercados nacionais, e até internacionais.

Por uma busca ligeira, não sistemática, de informações sobre a pesca, fica-se a saber que:
- O sector das pescas da União Europeia é o segundo maior do mundo, fornecendo anualmente cerca de 7,3 milhões de toneladas de peixe proveniente da pesca e da aquicultura. A pesca e a transformação do pescado dão trabalho a 360 000 pessoas (aqui).
- Three (EU) Member States (Estonia 15%, Portugal 25%, Spain 39%) accounted for 80% of the EU-27 catches in 2006. (aqui)
- O emprego nas pescas em Portugal evoluiu assim: 38 700(1990); 30 937 (1995); 25 021 (2000); 18 085 (2005) e 17 261 (2006);
- O que irá fazer esta gente, bem como os seus filhos e familiares, quando a pesca acabar?
- O que faremos nós para nos desabituarmos de comer peixe? Nós comemos, 59 kg/"bico" e por ano, mais que duas vezes o que a média dos 25 europeus comem... Bom, aqui temos sempre a opção dos hamburguers da cadeia MacDonalds (a título de Declaração de interesses: não gosto, mas, no mais a mim, dá-me jeito). E, neste indicador, ainda estamos longe de noruegueses e islandeses...
- Também para se consultar alguma coisa sobre o sector das pescas portuguesas, no panorama económico nacional, através das estatísticas do INE, é de facto preciso ter vários doutoramentos, em ciências ocultas e pés de cabra, ou, será melhor ainda, termos paciência de chinês... Haja muita....

Afinal, parece que não sou só eu, que não sei bem o que ando a fazer...

Como nos aconselhava o artigo do Blog de Campus, diante deste quadro, é preciso manter a cabeça fria, .....sim, é verdade,...... ou isso, ou termos sangue de barata!

Bom, meus amigos, se puderem, fiquem bem!
Eu vou regressar ao cativeiro, não vão os meus personal-carcereiros dar pela minha ausência!

1 comentário:

José N. Azevedo disse...

A única parceria científica para as pescas que vale a pena fazer agora é a de seguir as recomendações dos cientistas que sabem e se importam: redução imediata e drástica do esforço de pesca; alteração radical dos métodos de gestão, substituindo o sistema de quotas por um de tempos e espaços; criação de um organismo técnico-científico de gestão que seja independente dos governos.
A partir daqui (ou para chegar aqui) haveria muita colaboração possível. Até lá...