16 novembro, 2007

Nota gastronómica (XXXIX)

Ainda os minhotos, mas com charrinhos

Há dias, o meu irmão telefonou-me de S. Miguel, à hora do almoço, a dizer-me "estou a recordar o pai, comendo uma bela posta de moreia frita". Era uma da suas predilecções, coisa bem açoriana. Achei graça porque, do lado de cá, respondi "também eu, com outra das coisas com que ele se deliciava, 'charrinhos' de molho de vilão e minhotos". Era o que eu estava a cozinhar, aproveitando a tal oferta de minhotos de que falei.

O molho de vilão tem referência em muitos textos da cozinha portuguesa, mas nunca o vi feito no continente. Creio que se perdeu a tradição. Mesmo em S. Miguel, já anda muito aldrabado. Tradicionalmente, usa-se com variados peixes fritos e pode ser usado a quente, logo que preparado ou, como eu prefiro, frio, depois de ficar a embeber o peixe durante um dia, à maneira da técnica do escabeche. O que eu faço segue o ensinamento da minha avó, cultora da mais genuína tradição culinária micaelense. Infelizmente, tenho de aldrabar ligeiramente. Ela fritava a malagueta em peça, picada aos pedaços pequenos. Cá, só tenho malagueta moída. Quem não tem cão caça com gato.

Outra diferença, essencial, é que cá tenho de me contentar com o carapau Trachurus trachurus, parente muito pindérico do açoriano Trachurus picturatus, o "charrinho".

Chicharros com molho de vilão
Chicharros (carapaus) para 4 pessoas, 1/2 chávena de farinha de milho, 0,5 l de óleo para fritar, 1 cabeça de alho, 0,5-1 dl de vinagre (a gosto), sal, uma malagueta ou 1,5 c. sopa de massa de malagueta, uma folha de louro, uma c. chá de açaflor, sal e pimenta preta, 6 batatas médias ou minhotos.

Fritar em óleo os chicharros (carapaus, no continente) embrulhados em farinha de milho. Retirá-los e remover o excesso de óleo de fritar, deixando apenas cerca de 1 dl. Fugindo à regra e por questões de saúde, faço uma variante, rejeitando todo o óleo de fritar, sem soltar o fundo e aquecendo azeite de fresco. Refogar o alho picado, a folha de louro, a malagueta cortadas em pedaços pequenos ou a massa de malagueta, sal e pimenta. Regar com o vinagre, temperar com a açaflor e deixar apurar, cobrindo os chicharros com este molho. Pode-se servir quente ou frio. A minha variante, de influência terceirense, é a de temperar também com meia dúzia de grãos de pimenta da Jamaica, esmagados. Servir com batatas ou com minhotos.

Tradicionalmente, as batatas são "batatas com pimenta": com pele, um golpe quase completo, recheadas com massa de malagueta e cozidas em água com sal, alho pisado grosseiramente e louro.

15 novembro, 2007

Stoned

Lembram-se os meus cada vez mais caros e cada vez mais raros leitores que, no dia das bruxas, lhes fiz um convite, para provarem um bolinho dos "embruxos", cá da minha lavra, para comemorarmos, hoje, 15 de Novembro de 2007, a festa de aniversário da entrada, para apreciação na Direcção Geral de Ensino Superior, de 120 propostas de criação de mestrados do subsistema politécnico, sem termos mais notícias?
Que maçada,... o bolinho que eu fiz com tanto carinho, para o efeito, petrificou.
Desculpam-me não é verdade?
Não perdem nada, costumo envenenar o pessoal, logo à primeira garfada de prova dos meus acepipes.
E às propostas de mestrado do subsistema politécnico, o que é que aconteceu? perguntam-me todos os interessados.
E acham que eu sei?
Não, não sei, mas juraria que também petrificaram.

Não perdem nada também, porque vão ver..., para o ano, comemoramos com festa rija, o 2º aniversário do sumiço dessas mesmas propostas!
Depois, comemoramos, sempre, em cada um dos outros 48 anos seguintes, até o destino final dessas propostas deixar de ser um "assunto classificado".
Encontramos-nos, então, sempre aqui, à mesma hora, todos os anos? Pode ser?
Combinadíssimo!

Dislates mirandinos

Jorge Miranda (JM) é para mim um bom exemplo do nosso conservadorismo universitário, muito evidente na tradição particular das escolas de direito e de letras. Hoje, no Público, protesta contra o uso do inglês em diversas actividades universitárias. Não vou gastar muita cera com esse defunto, apenas algumas anotações.

1. O que se propõe como generalização do ensino em inglês refere-se apenas ao segundo ciclo, o mestrado. Tudo indica que será cada vez mais o nível de estudos mais internacionalizado, mais promotor da mobililidade, mais atraente para estudantes não europeus. Não é razão sobeja para o uso do inglês, a língua franca actual? Se uma empresa portuguesa quiser fazer uma grande campanha de promoção no mercado internacional, vai publicar anúncios em português?

2. JM esquece que, durante séculos, o ensino universitário foi sempre em latim? Em Coimbra, isso era considerado uma traição à língua portuguesa?

3. Marginalmente, JM deprecia os actuais mestrados à bolonhesa em relação aos anteriores mestrados portugueses. A meu ver, não tem razão. O nosso mestrado não era carne nem peixe. Como trabalho de investigação, só tinha algum valor nos casos perversos, como em direito e letras, em que ele era prolongado quase até à duração de um doutoramento. Nas ciências e tecnologias sempre foi, em geral, uma perda de tempo, melhor aproveitado na ida directa para o doutoramento. No fim, sem qualquer impacto no mercado do trabalho, só servia para formar professores do politécnico e para propinas chorudas das universidades.

4. JM refere que "um pouco por toda a parte, já se vão reconhecendo os excessos e os malefícios trazidos por aplicações rígidas do processo de Bolonha". Isto é como eu dizer a um jurista como JM que cada vez mais se reconhece os vícios do código penal por causa das decisões erradas dos juízes. Mas, afinal, JM é coerente, se nos lembrarmos do seu incrível documento quando coordenou a comissão para Bolonha na área do Direito.

5. JM escandaliza-se por haver debates em inglês no conselho científico de uma faculdade. É que essa faculdade, e outras, ao contrário da Faculdade de Direito, não se fica por recrutamento doméstico, tem professores estrangeiros cujo contributo para a política institucional discutida no conselho científico é muito importante. Devem ser afastados da discussão por não falarem português? Já agora, coisa impensável na Faculdade de Direito, há cada vez mais doutorandos orientados por investigadores estrangeiros, que, pela lei, são membros do júri. As provas de doutoramento, neste caso, devem ser obrigatoriamente em português?

As listas dos reitores

Esta nota exige um esclarecimento prévio, para a generalidade dos leitores. As instituições de ensino superior, universidades e politécnicos, estão a passar por um momento importante, de adequação dos seus estatutos à nova legislação, vulgarmente conhecida como o RJIES (regime jurídico das instituições de ensino superior). Apesar das queixas contra uma alegada diminuição dos poderes corporativos, pela criação de um novo órgão, de política estratégica, o conselho geral, com membros externos, o que é verdade é que a nova lei atribui poderes desmesurados aos reitores.

Ora é o reitor que preside a uma mini-assembleia que tem por encargo elaborar os novos estatutos. E é parte interessada, porque os reitores conseguiram uma alteração de última hora da lei segundo a qual se podem manter em funções depois da aprovação dos novos estatutos, e com os tais novos poderes muito amplos. Parece-me elementar que se defendam da suspeita de que a sua presidência de tal assembleia serve para forjar estatutos à medida do seu provável desempenho reitoral subsequente.

Mandaria o bom senso e alguma elegância que, nestas circunstâncias, o reitor se mantivesse apenas como o garante da regularidade e eficácia do processo de revisão estatutária. Não é o que se está a ver em algumas universidades, em que as listas para a tal assembleia estatutária aparecem claramente promovidas por reitores.

É certo que um reitor responsável deve considerar este trabalho de definição estatutária como fundamental em termos de reflexão estratégica sobre a instituição. No entanto, creio que o seu principal papel é o de promover com isenção essa reflexão, não o de se envolver nela em termos de disputa eleitoral, sempre com riscos de fractura institucional.

14 novembro, 2007

A impossível reforma das universidades Portuguesas?

As universidades públicas Portuguesas estão a ser palco de acesos debates sobre o futuro do seu modelo de governança.

Razão? - Está em curso a revisão dos seus estatutos ao abrigo do novo RJIES.

Como não podia deixar de ser perfilam-se dois paradigmas de governação:

1. Os que defendem que o poder deve estar ser concentrado nos que detêm responsabilidades de gestão (um modelo que segue o espírito e letra da nova Lei);

2. Os que defendem que o poder deve ser repartido entre os que têm responsabilidades de gestão e os que não a têm (um modelo que procura contrariar o espírito da Lei aproveitando ambiguidades e/ou indefinições na sua letra).

Todos conhecemos os resultados que adviram do modelo de gestão actual que consistiu em dar poder a quem não tinha responsabilidades directas de gestão, retirando poder a quem as tinha: Inércia, inércia e mais inércia.

Importa perguntar, a quem interessa esta inércia? A resposta é simples: - a quem incomoda a mudança.

E que tipo de mudança incomoda? A resposta também é simples: - toda e qualquer mudança que decorre de um modelo de gestão orientado por objectivos. Ou seja, uma gestão que não está centrada nos interesses dos funcionários mas sim no interesse colectivo do País.

Conseguirão os defensores do "status quo" abortar a reforma em curso em nome de concepções discutíveis mas populares de democracia?

Conseguirão os promotores da mudança convencer o eleitorado académico de que é justo retirar-lhes poder em nome do interesse colectivo?

É difícil que a mudança prevaleça no contexto actual.

Porque razão haveriam os funcionários das universidades consentir uma mudança que lhes retira poder de bloqueio? Porque haveriam de promover uma mudança que conseguiram bloquear durante décadas?

Muita retórica será usada para defender uma e outra concepção de governança mas vale a pena centrarmo-nos na realidade.

Comparem-se resultados e confrontem-se os mesmos com os modelos de gestão que os produzem.

Vejam-se os casos dos EUA, Reino Unido, Suíça, Dinamarca, onde a governança é caracterizada por uma sólida ligação entre responsabilidade e poder. Contrastem-se os resultados académicos nestes Países com outros onde vigora a diluição de poderes e responsabilidades como é o caso de Portugal, Espanha, Grécia, Itália e França.

Os resultados falam por si. Se é verdade que existe uma grande variedade de factores que contribuem para a qualidade da ciência e do ensino também é verdade que padrões inequívocos emergem da comparação entre resultados e sistemas de governança.

Como não podia deixar de ser o sistema de governança é um factor importante de promoção ou bloqueio das condições que conduzem à excelência.

Em última análise está em jogo a capacidade de nos adaptarmos à mudança ou, se quisermos ser mais ambiciosos e seguindo o lema da Universidade de Oxford, liderarmos a mudança.

13 novembro, 2007

Leituras

Anda pela blogosfera uma nova brincadeira: transcrever a linha 5 da página 161 do livro mais à mão. Vou alinhar: "connecto, is. Atar, travar uma cousa". Não tenho culpa de que o livro mais à mão, junto ao computador, fosse o meu dicionário de latim-português.

Mas não se pense mal de dicionários, que podem contribuir grandemente para o prazer cultural. Uma antiga empregada minha passava largas horas de serão a ler em voz alta com o marido, página após página, um dicionário de português.

E leitores há de todos os géneros. MSP, casado com uma prima da minha mãe, era leitor ávido do Diário de Notícias, que comprava diariamente. Não conseguia era deixar de o ler de fio a pavio, anúncios e tudo. Resultado é que em cada noite ainda estava a ler o jornal de meses antes. O do dia aguardava a sua vez, para dali a uns meses. Isto fazia parte do seu espírito ordenado. Quando se casou, pediu a toda a família que nunca os visitassem à quarta feira à noite. Curioso é que manteve sempre este pedido, até quase aos oitenta anos. No entanto, para evitar extrapolações indevidas sobre cargas de loucura familiar, ele era só meu primo afim.

12 novembro, 2007

Humor negro

Às vezes, alinho com Vasco Pulido Valente, principalmente quando ele mostra a sua capacidade de ironia fina. Nos últimos dias, tem-se batido contra a ditadura da "saúde correcta" (contra o fumo, bebida, obesidade, etc.). Numa dessas crónicas, pergunta-se, a propósito da boa barriguinha portuga, "porque (...) morrem mais cedo? Porque gastam mais dinheiro ao sistema de saúde (embora com certeza poupando à segurança social)?" [itálico meu, JVC].

Ora aqui está um tema para conversa interessante entre Correia de Campos e Vieira da Silva (com Teixeira dos Santos a espreitar).

Sem papas na língua

António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, já aqui o escrevi, é um dos expoentes do que me parece ser um movimento de mudança no CRUP. Não tem papas na língua. O ministro que se cuide, até porque já viu o que a casa gasta, num célebre debate televisivo.

Agora foi o seu discurso na abertura do ano académico. Selecciono algumas passagens, a que aliás a imprensa deu eco, e que me parecem não precisar de maior comentário.

"... faz-nos falta a revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária, a mais urgente de todas as mudanças. Sem um Estatuto que permita recrutar e promover os melhores, pondo fim à mediania e à endogamia, estabelecendo uma ligação forte entre ensino e investigação, é impossível reformar a universidade. Sobre isto, até agora, o Governo disse nada."

"... fazem-nos falta modelos claros e transparentes de financiamento. (...) A nossa reivindicação é clara: queremos modalidades de financiamento mais exigentes, mais competitivas, baseadas em resultados concretos (de ensino, de empregabilidade, de ciência, de tecnologia)."

"Nos últimos dois anos somos o único país da Europa que reduziu o investimento no ensino superior, remetendo as instituições para uma lógica de pura sobrevivência".

"... vulgo RJIES, que contém inúmeros aspectos positivos mas que corre o risco de se transformar numa mera reforma orgânico-burocrática".

Elementary, my dear Nóvoa. "Elementary", mas não há ninguém no MCTES que perceba? É preciso obrigar um reitor a gastar esforços a dizer isto?

Ficam por comentar duas afirmações importantes de António Nóvoa, a da comparação com o financiamento do programa MIT e quejandos, bem como a possível reorganização do espaço de educação superior de Lisboa. São dois temas de fôlego, não cabem nesta nota, ficarão para seguintes. Merecem.

11 novembro, 2007

Adeus

"Os nus e os mortos", um dos livros da minha vida (também o filme de Raoul Walsh). Good bye, Norman Mailer.

Dignidade

Juan Carlos de Espanha ficou na grande História pelo seu papel no 23 de Fevereiro. Agora, fica também na "pequena" História pelo memorável "Porque no te callas?" dirigido a Hugo Chavez. Chapeau! Também a Zapatero, pela dignidade com que defendeu o seu adversário Aznar, que ali estava a ser atacado não como pessoa mas como ex-governante espanhol. Era bom que os portugueses tivessem sempre este sentido da "grandeza de Espanha". Já não digo grandeza, que somos pequeninos, mas ao menos "dignidade de Portugal".

À margem - Chavez faz-me pensar às vezes no que poderia ter sido, noutro rumo das coisas, o Otelo cá da casa.

10 novembro, 2007

Nota gastronómica (XXXVIII)

Cataplana

A nota de hoje de David Lopes Ramos, no Público, é sobre amêijoas na cataplana. Gostei de a ler, porque, entre outras coisas, é confecção de que gosto muito e que, muitas vezes, faz as maravilhas de amigos estrangeiros (a quem, normalmente, prefiro fazer eu um bom jantar do que convidar para um restaurante).

A cataplana, cujas origens finas desconheço, é uma boa invenção. A parte inferior, tal como o "wok" chinês, tem uma forma que permite a convecção perfeita do calor por toda a superfície. Experimentem ir passando os legumes "deep fried" para o cimo do "wok", mesmo sem óleo e vão ver como a fritura fica excelente. Ao mesmo tempo, a tampa é essencial, a meu ver, porque as amêijoas libertam muito líquido e vapor, que condensa na tampa e cai para o cozinhado. Assim, saliento aquilo que DLR escreve e que alguns leitores podem não dar por ser muito importante: a lume forte!

Por tudo isto, cataplana é para amêijoas com presunto ou chouriço, mailos demais atavios que DLR descreve e que correspondem à receita que uma prima algarvia me passou como genuína. No entanto, hoje, no Algarve, para turistas, cataplanas há muitas e horrorosas. Contra toda a base técnica que descrevi, fazem-se com peixes tenros e até, para cúmulo, já me propuseram uma cataplana de peixes variados com batatas! Também uma coisa que vi uma vez, na Praia da Rocha, e que não sei se é para rir se para chorar: "carne de porco à alentejana", servida (claro que só servida) numa cataplana. É turismo à algarvia.

P. S. (14.11.2007) - Uma informação de David Lopes Ramos, inteira novidade para mim: "Andei à procura da História da cataplana, mas não encontrei nada. Sei, no entanto, que, sobretudo na Beira Baixa, onde era muito utilizada por caçadores para confeccionar os seus petiscos de forma rápida, lhe chamavam prussiana, o que também sucede no Algarve."

Contrapúblico (V)

Uma boa jornalista, que estimo, mete hoje "a pata na poça", escrevendo "soundbyte". É coisa que não existe. "Byte" é uma invenção recente da língua inglesa, aliás bem humorada, para um aumentativo/múltiplo de "bit", um pedacinho, a unidade de informação (também "with a little bit of luck", lembram-se?). O que ela devia ter escrito era "sound bite", dentada sonora, coisa perfeitamente adequada ao sentido com que é usada a expressão, em diversos domínios da comunicação/manipulação e, infelizmente, cada vez mais na política.

No prato de ovos e bacon, somos a galinha ou o porco?

Ontem, estava eu salivando, diante de uma irresistível bomba calórica, daquelas lotadinhas do "péssimo" colesterol - um prato de ovos e bacon, deliciosamente, fritos na manteiga - e uma pessoa minha conhecida perguntou-me: "Olha lá, tu aqui - nas circunstâncias desta maravilha de comida - serias o quê? O porco ou a galinha?" Para falar a verdade, duvidei da interpretação que deveria dar à pergunta e, de chofre, menos ainda me apetecia ser qualquer um deles, mas estoicamente respondi, escondendo, simultaneamente, a gula e o choque resultante da potencial e hipotética ofensa pessoal, com um mal disfarçado sorriso amarelo - bom... talvez eu pudesse ser a galinha, não?...
Como sempre, cada vez que tenho 50% de hipóteses de acertar, é 100% certo que selecciono a asneira, como os meus caros e raros leitores, hoje e aqui, testemunharão.
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Vem a descrição desta passagem constrangedora, a propósito do facto de, hoje, percorrer, ao de leve, a blogosfera, e encontrar em diversos blogs e também em jornais online, a referência a diversos textos, sobre o (des)emprego de licenciados, de que cito só alguns exemplos:
1 - Três publicitações muito vagas sobre o emprego de licenciados, na Edição Impressa do Diário Económico online - em dois dos quais o acesso ao documento completo é condicionado, e que aproveitei para só ler as "headlines" gratuitas:
"Conheça os cursos com emprego garantido;
Ministro garante que próximo relatório já vai separar as escolas;
O retrato do desempregado licenciado num estudo inédito".
2 - Dois textos deveras interessantes, subscritos por Virgílio A. P. Machado, que encontrei no Blog de Campus, um dos quais (o primeiro) muito simples, mas bem fundamentado, facilitando a compreensão dos assuntos: "Com a verdade me enganas" e "Arranja-me um emprego".
Deste último texto ficou-me zunindo no miolo, a seguinte frase: "A ligação acima (V.A.P. Machado referia-se a um documento do SIMPLEX'07, permitindo como é seu hábito salutar, aos leitores a confirmação das suas afirmações através da consulta de documentos originais), destina-se a qualquer pessoa mais incrédula que queira confirmar, com os seus próprios olhos, que o texto citado é mesmo assim, sic, ipsis verbis, sem tirar nem pôr". Porque será que nem todos - e são, entre nós aos milhares, com níveis diferenciados de responsabilização - os que discorrem, publicamente, sobre assuntos de interesse colectivo não seguem esta boa (boníssima e elementar) prática? Dizem-nos qualquer coisa dogmática do alto do seu elevado e selectivo conhecimento, e esperam que façamos dos seus saberes e dizeres, os nossos verdadeiros actos de fé.
Contei-lhes isto porque - face ao que nos descreveu V.A.P. Machado - considerei ser super enigmático (no caso presente, não deveria eu escrever "inimigático"?) o subtítulo do texto Ministro garante que próximo relatório já vai separar as escolas: "Estudo de 2008 já vai mostrar a evolução da oferta de emprego e terá o nível de desemprego por curso actualizado automaticamente, garante Mariano Gago".
Querem os meus caros e raros leitores apostar comigo em como, seguramente, iremos ler, lá para 2008, excertos devidamente orientados, de mais um relatório, daqueles "estrategicamente" encomendado, efectuado com base em:
1 - excelentes compilações e sínteses estatísticas, sempre disponibilizadas online, e executadas pelos colaboradores do GPEARI, na página: "A procura de emprego dos diplomados desempregados com habilitação superior", que encontram, com mais pormenor aqui e aqui; e
2 - com as informações, produzidas pelas escolas, sabe Deus como, se souber..., e que serão arquivadas para consulta futura, numa plataforma do SIMPLEX'07?
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Depois disto, explico o contexto da minha descrição do prato de ovos e bacon: é que o meu companheiro do almoço detectou a minha atrapalhação, e explicou-me: "Num prato de ovos e bacon, a galinha é só envolvida no processo, enquanto que o porco se empenha pessoalmente... não achas?".
Que pena que, em quase todas as questões mais sérias, relacionadas com a educação superior, ciência e tecnologia portuguesas, a maioria dos interessados não tem sequer opção, não pode ser porco, nem que gostasse muito de se empenhar na estratégia e nas soluções, exclusivamente, após compreender toda a extensão da problemática,.... mas terá que contentar-se com os dogmas - resta-lhe ser galinha.

09 novembro, 2007

Nota gastronómica (XXXVII)

Minhotos

Sabem o que é? Uma variante açoriana de inhames, mais pequenos, de sabor mais suave e de textura mais delicada. Recebi-os de oferta e imaginei uma coisa para fazer com eles. Impus-me como regra fazer uma receita com evidente raiz açoriana mas que pudesse ser feita no continente. claro que só com inhames brasileiros, mas paciência. Também, em vez da malagueta açoriana, substitutos.

Nacos de porco em vinha de alhos à açoriana, fritos com inhames
Para 4 pessoas. 1,2 kg de carne de porco (lombo, pá ou perna), 100 g de banha. Vinha de alhos: 1 copo de vinho tinto, 4 c. sopa de vinagre, 5 dentes de alho esmagados, 1 c. sopa de sal grosso, 8 grãos de pimenta preta, 4 cravinhos, 1 c. sopa de malagueta açoriana (na falta, pimenta da Caiena ou piripiri a gosto, mas sem ficar muito picante), 3 c. sopa de colorau, 1 c. chá de cominhos, 1 c. chá de erva doce, 1 limão aos gomos e esmagado, 1 laranja, idem. Inhames q. b. para 4 pessoas, conforme o tamanho.

Cortar a carne em pedaços de bom tamanho e deixar dois dias na vinha de alhos.

Numa panela sem gordura, derreter a banha e deixar aquecer bem. Escorrer muito bem a carne, espremendo para sair o máximo da marinada e fritar, em lume alto, mexendo com frequência, até alourar muito bem. Juntar a vinha de alhos coada e ferver, a apurar bem. A meio, se necessário, molhar com um pouco de água.

Limpar muito bem a pele dos inhames com uma escova de arame ou com palha de aço, a ficar bem lisa e sem "pelo". Ferver, 10 minutos. Escorrer, passar por água fria e transferir para outro tacho já com água a ferver e sal. Cozer, no tempo adequado ao tamanho dos inhames (como banalmente, espetar um palito). Passar por água fria e descascar. Se a escovadela foi forte, até nem é preciso retirar os restos de pele, que dão bom sabor. A servir, aquecer no micro-ondas só a amornar. Os inhames não são para se comer quentes. Eu até dispenso esse amornar e como-os frios.

(Receita na minha página)

08 novembro, 2007

O mundo está louco?

A notícia de hoje sobre a matança num pacato liceu finlandês não me impressiona por si própria. A mais pacífica, estável e desenvolvida das sociedades não está livre de aberrações psicopáticas. Impressionante e inquietante é outra coisa. O rapaz tinha publicado no YouTube um vídeo explícito, com mensagens de ódio a acompanhar imagens de si próprio, armado, a apontar para o liceu. O título era, nem mais nem menos, "O massacre da escola secundária Jokela, 7 de Novembro". O vídeo foi visto por 200.000 pessoas e nenhuma achou que devia avisar a polícia. O mundo está louco?

Adivinha


Esta vai principalmente para a minha gente, de/dos 60s. Tentem imaginar estas caras há 40 anos e digam por que nome eram chamados.

Joceane e Joana


O Público de ontem traz uma história exemplar. António Lança de Carvalho, controlador aéreo, tem uma vida confortável e podia ser um bom crítico de café, à nossa boa maneira. Achou que podia fazer alguma coisa mais, nem que fosse um simples acto de alcance individual, nada de uma grande revolução. Mas é assim que se fazem muitas revoluções. Reservou 1000 euros para uma bolsa que permitisse a continuação de estudos a um jovem carenciado que, de outra forma, não poderia prosseguir para o ensino secundário. A junta de freguesia dobrou a aposta. Querem coisa mais simples mas tão importante para umas incógnitas Joana e Joceane da Escola Fernando Lopes Graça de S. Domingos de Rana, mesmo aqui à beira da minha casa?

Com base nisto, José Vítor Malheiros, director executivo do Público e meu caro amigo, tem andado hoje a desafiar amigos para a constituição de uma rede de dadores de bolsas deste tipo. Obviamente que não serão necessárias contribuições de 1000 euros, mas pouca coisa anual de muita gente já dá para muito. A minha modesta contribuição, para já, foi ampliar este apelo pelos meus amigos e agora também o faço neste blogue. Quem estiver interessado no projecto, que me mande um "mail". Depois se combinará o modus faciendi.

06 novembro, 2007

E pur si muove!

Domingo, resolvi ir ver a exposição do Hermitage. Cheguei por volta das 15 horas, a fila era quilométrica e, como só podem entrar grupos reduzidos de cada vez, a informação da bilheteira foi de que me arriscava a esperar duas horas. Desisti, lá voltarei em dia de semana.

Isto faz-me pensar que alguma coisa está a mudar em Portugal, quanto à apetência pelas artes. Estou a lembrar-me também das filas enormes para a festa da música (paz à sua alma!) ou para a exposição do Amadeo. Só lamento que, em todos estes casos, a idade mediana dos interessados não seja nada jovem.

Mais uma laçada

No Diário da República, 1.ª série - N.º 212 - 5 de Novembro de 2007, foi publicado o Decreto-Lei n.º 369/2007 - o Diploma da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superio - e amanhã entra em vigor (ver aqui).
Ainda bem que se assume, legalmente e por escrito, que: "O traço essencial deste organismo é a sua independência, quer face ao poder político, quer face às entidades avaliadas, independência essa desde logo evidenciada no próprio enquadramento institucional escolhido." Eu disse ainda bem, porque logo no anexo "ESTATUTOS DA AGÊNCIA DE AVALIAÇÃO E ACREDITAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR", SECÇÃO II. Conselho de curadores. Artigo 8.º - "Composição e funcionamento um dos Órgãos principais da Fundação Privada de Direito Público" - O Conselho de Curadores é assim constituído:
1 - O conselho de curadores é composto por cinco membros, designados por resolução do Conselho de Ministros, sob proposta do ministro responsável pela área do ensino superior, de entre personalidades de reconhecido mérito e experiência.
2 - Dois dos membros do conselho de curadores são escolhidos de entre cinco personalidades indicadas em lista apresentada, conjuntamente, pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e pela Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado, ao ministro responsável pela área do ensino superior.
3 - Pela resolução do Conselho de Ministros a que se refere o n.º 1 e sob proposta do ministro responsável pela área do ensino superior, é nomeado, de entre os membros que não os referidos no número anterior, o presidente do conselho de curadores.
Compete a este Conselho de Curadores, entre muitas outras coisas mais prosaicas, "Designar os membros do conselho de administração e do conselho de revisão"; e é, basicamente, o Conselho de administração que dá as cartas ao que lá se tem que passar e decidir;
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Penso que economizaríamos muito tempo, muito carbono, muitas árvores, muito papel e, sobretudo, muita paciência e recursos financeiros, se tudo o que se refere ao actual Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior fosse, muito simplesmente, determinado por tudo e na oportunidade em que o actual Senhor Ministro da tutela muito bem entenda.

05 novembro, 2007

Nota solta (2)


Às vezes, apetece-me escrever coisas ligeiras, para relaxar. Vem isto a propósito da crónica de hoje de Rui Tavares, no Público. Critica a ideia de Vital Moreira de se referendar apenas coisas tão gerais e de entendimento comum como "queremos permanecer na UE?".  Rui Tavares, com razão, entende que isto seria um exercício gratuito, sem significado, com resposta assegurada e até com alta probabilidade de uma baixíssima votação, por desinteresse.

A seguir, escreve que isto seria como referendar a república ou as cores da bandeira. Aqui é que não estou de acordo. Creio que, de facto, as cores da bandeira não dizem nada a muita gente, mas continuo a achar que a bandeira portuguesa é horrorosa! Qualquer das que estão na imagem não é mais bonita, e respeitando as nossas cores tradicionais?

Deontologia médica

Quem escreve sobre deontologia de outras profissões devia preocupar-se um pouco com a deontologia de quem tem a comunicação social à sua disposição. Não é o que faz António Bagão Félix (ABF), num artigo de há dias no Público, "Aborto: ética e lei". Protesta contra a intenção do governo de fazer consagrar no código deontológico médico (CDM) a adequação à actual lei do aborto, deixando de ele ser considerado, como hoje, praticamente em todos os casos, como uma violação ao CDM.

Escreve ABF que "é habitual a confusão entre a lei e a ética. Mas o que é certo (e elementar) é que nem tudo o que é legal tem automaticamente o estatuto de conformidade ética e nem todo o enquadramento ético é regulado pela lei". Isto é verdadeiramente elementar, como ABF escreve.

A grande confusão, que me custa a compreender numa pessoa com a cultura de ABF, é entre ética e deontologia. São coisas completamente diferentes. A ética, embora com raízes sociais e culturais colectivas, é essencialmente do domínio individual. Neste sentido, a lei vai-lhe como companheira de caminho, mas com marchas diferentes. E a lei até é generosa, permitindo, neste caso como em muitos outros, a objecção de consciência, que, lembre-se, é um acto estritamente individual.

Deontologia é diferente. Embora assente em valores éticos, traduz-se num código imperativo, que já não tem a ver com a ética individual mas sim com o conjunto de regras que rege a prática profissional, numa determinada situação histórica, cultural e social. E, sendo um código, implica penalização pelo seu não cumprimento, independentemente da opção ética individual.

Lembremo-nos de que foi esta a opinião do bastonário. Em declarações que agora não posso reproduzir literalmente, disse que esse "valor deontológico" (não percebo: a deontologia tem regras exactas ou valores?) é milenar, já vem do juramento de Hipócrates e deve manter-se. Isto é espantoso, que um velho grego ainda continue a mandar nos tempos de hoje, mas adiante. Disse também o bastonário que, apesar disto, a Ordem não tencionava processar nenhum médico que cumprisse a nova lei. Raramente tenho lido maior exemplo de hipocrisia!

P. S. (10:00) - Acabo de ler um texto sobre o mesmo assunto de Vital Moreira, no causa nossa.

04 novembro, 2007

Nota gastronómica (XXXVI)

Restaurante de serviço

1. Não sei se já repararam que, com raras excepções, todos os restaurantes da lista ainda relativamente numerosa dos que considero serem grandes restaurantes de Lisboa resolveram encerrar ao domingo. Valha o Valle Flor mas também era o que faltava, encerrar um restaurante de hotel. Lanço uma ideia, rodarem, como as farmácias, e haver sempre um aberto, de serviço.

2. A propósito de grandes restaurantes, tive recentemente uma experiência curiosa, de duas refeições praticamente iguais, uma entrada com base em marisco, um prato de peixe, vinho branco a copo, uma sobremesa, café. Uma foi num restaurante relativamente banal, de chefe ignoto, com ambiente vulgar, com serviço de bom nível mas sem nada de especial, todavia agora na moda na linha do Estoril. A outra foi num restaurante de luxo, de alto nível de serviço em todos os aspectos, com um dos melhores chefes (estrangeiro) a trabalhar em Portugal, num ambiente de charme, onde só nos sentimos bem de fatinho e gravata. Garanto que paguei exactamente o mesmo por pessoa!!! E nem estou a entrar em conta com os grátis, "os mimos do chefe", que só tive num deles.

Notas soltas

1. A visita do rei de Espanha aos enclaves de Ceuta e Melilha está a levantar problemas e o embaixador de Marrocos em Madrid já foi chamado a casa. Tenho alguma dificuldade em encarar estes casos residuais como problemas de colonialismo. São micro-sociedades com forte identidade histórica muito influenciada pela potência dominante. É por isto que nem me passa pela cabeça que Olivença passe a terra portuguesa. Mas também, consequentemente, não era razoável que a Espanha deixasse de reivindicar Gibraltar?

2. É notícia recente que na África subsaariana a infecção da SIDA já é dupla, HIV e tuberculose. Primeiro, não é novidade nenhuma, é história já com bastantes anos. Segundo, não é só problema africano. Como se sabe, ninguém morre directamente pela infecção pelo HIV, mas sim pelas doenças secundárias à imunodeficiência. Ora, em Portugal, desde já há vários anos, a situação é essa mesmo: morte principalmente por tuberculose grave, muitas vezes com resistência múltipla aos tuberculostáticos. A situação é especialmente preocupante nos meios degradados, nas prisões, nos grupos de viciados de droga.

3. Já aqui escrevi repetidamente que o racismo, entre muitas coisas, é uma estupidez em termos científicos, segundo os quais não se pode definir o que são raças humanas. Voltei a escrever isto a propósito das senilidades de Jim Watson. É com muito prazer que leio no Público um pequeno artigo de um grupo de jovens investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, "Será que existem raças humanas?". Parabéns aos autores, Francisco Dionísio, Isabel Gordo, Lounés Chikhi, Mónica Bettencourt Dias, Rui Martinho e Sara Magalhães.

03 novembro, 2007

Escolas públicas e privadas (III)

Procurei por toda a parte mas não consegui obter os dados brutos que o Público usou para o seu suplemento de 2.11.2007 sobre os "rankings". Tenho pena, porque, em menos de meia hora, teria feito uma coisa essencial, de estatística elementar.

Os "rankings", se elaborados com critério, dizem-me alguma coisa sobre o que melhor tenho para escolher e do que devo fugir como diabo da cruz. No entanto, qualquer pessoa sabe que isto é olhar para o menos significante estatisticamente, isto é, os extremos da distribuição. Ora o que se está a tentar fazer é a comparação entre públicas e privadas, o que é absolutamente ilegítimo num simples exercício de "ranking".

Então o que é que eu teria feito, com uma simples folha de Excel (já agora, Numbers, no Mac)? Separar públicas e privadas, calcular as respectivas médias e desvios padrão e fazer um teste "t" de Student. Só assim se comparam amostras desta grandeza (para amostras pequenas a história é mais complicada). E até podiam ter feito ANOVAs (análises de variância) bem interessantes, porque havia dados importantes de natureza geográfica, social e económica.

A gente do projecto não tem culpa, provavelmente ninguém do Público se lembrou de lhes encomendar coisa tão primária. No entanto, há no Público muita gente responsável que aprendeu estatística na universidade, o que me faz suspeitar de que há sempre estatísticas que interessam e outras que não interessam.

02 novembro, 2007

Contrapúblico (IV)

Hoje, a queixa não é minha. O meu estimado provedor do Público também recebe outras. Transcrevo a de um amigo meu, hoje.
"Senhor Provedor,

Serve a presente missiva para lhe "apontar" uma grave falsa afirmação feita hoje na página 5 do Público. Afirma o Público a certa altura do local Strauss-Kahn – Fundo Monetario Internacional: "Mas também há alguns desaires: quando o seu nome foi envolvido no escândalo de corrupção que levou à queda do Governo de Lionel Jospin".

Trata-se de uma afirmação duplamente falsa: o Governo Jospin nunca caiu e acabou o mandato; DominiqueStraus-Kahan não se viu envolvido num escândalo de corrupção mas sim num caso de detenção ilegal de uma cassete denunciando o escândalo do financiamento ilegal do PRP, o partido o então presidente francês,Jacques Chirac. DSK, foi ilibado desta acusação.

Como é possível que um jornal que se diz de referência se permita cometer erros destes? Aliás, rara é edição em que, por exemplo, na secção “Mundo” não apareçam várias afirmações “simplesmente” factualmente falsas. Salvo melhor opinião, são situações que remetem para mau profissionalismo dos articulistas e descuido."

Faço uma proposta, que nem é mais do que, pessoalmente já faço: bombardeiem a caixa de correio dos Azevedos, Belmiro e Paulo. Há-de chegar um momento em que a direcção do jornal vai cheirar a cueca borrada!