Hoje, é só para divulgar, aos meus caros e raros leitores, duas publicações interessantes, que achei no sítio do GPEARI (ex OCES):
1ª - Dotações Orçamentais para C&T e I&D - 2008
2ª - "recursos humanos e financeiros afectos a actividades de investigação científica e desenvolvimento tecnológico (I&D) em Portugal para os quatro sectores de execução: Empresas, Estado, Ensino Superior e Instituições Privadas sem Fins Lucrativos (IPSFL)":
Sumários Estatísticos IPCTN.05 Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional 2005 [edição revista] ou aqui (ficheiros excel, bastante pormenorizados)
Apenas um levíssimo comentário - o financiamento, previsto para o subsistema politécnico público, ascende a nada mais nada menos que, vejam lá, 8% do total - magnanimidade!
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08 janeiro, 2008
Tecnologia portuguesa
Aos poucos, vou relendo recortes de jornais que me mereceriam notas, agora atrasadas. Mas, às vezes, requentar a comida não lhe tira o gosto. Há já algumas semanas, uma missão do Atlantis levou para a ISS um módulo europeu, o laboratório de investigação Columbus.
Claro que Portugal, que contribui com muito dinheiro para a Associação Espacial Europeia (ESA), não podia deixar de participar. O Columbus inclui coisa decisiva portuguesa, um termómetro. Claro que um termómetro especial. Mereceu notícia destacada nos jornais, mas não consegui perceber uma coisa importante: qual é o valor percentual desse termómetro no total do investimento feito no Columbus?
E qual foi também o valor (económico e/ou científico) dos instrumentos de medida com que se tem contribuído para o CERN, comparado com o total dessas mega-experiências de aceleração de partículas?
Já agora, o que é feito do PoSat-1? O que se obteve dele, em conhecimento científico ou em resultados de interesse económico? E haverá mais alguma ilusão de um PoSat-2? Deve ser difícil, agora que acabou a UnI.
Com tudo isto, apetece-me repetir o que era meu hábito como conclusão de apontamentos deste género: o rei vai nu!
Claro que Portugal, que contribui com muito dinheiro para a Associação Espacial Europeia (ESA), não podia deixar de participar. O Columbus inclui coisa decisiva portuguesa, um termómetro. Claro que um termómetro especial. Mereceu notícia destacada nos jornais, mas não consegui perceber uma coisa importante: qual é o valor percentual desse termómetro no total do investimento feito no Columbus?
E qual foi também o valor (económico e/ou científico) dos instrumentos de medida com que se tem contribuído para o CERN, comparado com o total dessas mega-experiências de aceleração de partículas?
Já agora, o que é feito do PoSat-1? O que se obteve dele, em conhecimento científico ou em resultados de interesse económico? E haverá mais alguma ilusão de um PoSat-2? Deve ser difícil, agora que acabou a UnI.
Com tudo isto, apetece-me repetir o que era meu hábito como conclusão de apontamentos deste género: o rei vai nu!
17 dezembro, 2007
19 novembro, 2007
Engenheirando o futuro da engenharia
Na página da European Network for Accreditation of Engineering Education, (E.N.A.E.E.) encontrei um artigo muito interessante de Sebastião Feyo de Azevedo - intitulado "Technical Education - from London 2007 to Leuven/Louvain-La-Neuve 2009… and beyond" - no qual expõe, de uma forma excepcionalmente brilhante, uma sua visão do futuro das formações nesse domínio do conhecimento, e de que extraio os pontos que se seguem, sublinhando, propositadamente, um deles:
"· Our individual and local universe is larger and larger.
· Time and space concepts and dimensions have changed dramatically.
· The reference of whatever (quality, competition, etc.) is now Europe and the World, not our City or our Country.
· Standards must be high, inflexibly high, attitude holistic, mind flexible.
· The need is clear for a reference qualifications framework and for international recognition of quality assurance standards and procedures,
· A core group of disciplines, concerning basics and engineering, and of skills and competencies, should be recognized by consensus and implemented.
· A complementary group of elective advanced curricular modules should lead the student to work on frontier topics of engineering.
· External training, more practical ‘hands-on’ training is required for first-degree level. If possible in another Country.
· There must be an understanding that it is essential that Academia and Industry, in the European Space, co-operate offering each other aided-value, by accepting students for training (the Industry), by jointly designing pilot case studies, by providing theoretical background through courses (the Academia).
· Lifelong learning is the key concept to have the edge."
____________________
Alguma coisa está mesmo em grandes mudanças no pensamento nacional e, pelos vistos, não é só a engenharia... AINDA BEM!
"· Our individual and local universe is larger and larger.
· Time and space concepts and dimensions have changed dramatically.
· The reference of whatever (quality, competition, etc.) is now Europe and the World, not our City or our Country.
· Standards must be high, inflexibly high, attitude holistic, mind flexible.
· The need is clear for a reference qualifications framework and for international recognition of quality assurance standards and procedures,
· A core group of disciplines, concerning basics and engineering, and of skills and competencies, should be recognized by consensus and implemented.
· A complementary group of elective advanced curricular modules should lead the student to work on frontier topics of engineering.
· External training, more practical ‘hands-on’ training is required for first-degree level. If possible in another Country.
· There must be an understanding that it is essential that Academia and Industry, in the European Space, co-operate offering each other aided-value, by accepting students for training (the Industry), by jointly designing pilot case studies, by providing theoretical background through courses (the Academia).
· Lifelong learning is the key concept to have the edge."
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Alguma coisa está mesmo em grandes mudanças no pensamento nacional e, pelos vistos, não é só a engenharia... AINDA BEM!
Tecnologias, inovações e mercados reais
Dá-me sempre muito o que pensar, quando leio artigos, como o que hoje foi publicado no Diário Económico online, subscrito por Luís Ribeiro, intitulado "Portugal perdeu 167 mil empregos qualificados".
A minha apreensão sobre o desemprego, em Portugal, cresce quando se recolhem opiniões de pessoas, referidas como especialistas, que nos a esclarecem com frases já lidas em cartilhas muito antigas.
Exemplos:
- "António Nogueira Leite, professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa, considera que 'o mercado de trabalho não está à procura de qualificações muito elevadas e deixou de recrutar um conjunto de profissões mais ligadas ao ensino'".
- "Eduardo Catroga, empresário e economista, confere que há um 'desajustamento crónico' entre a formação das pessoas e aquilo que as empresas procuram."
- "Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), vai mais longe e assegura que só há criação significativa de emprego 'nas áreas onde o valor acrescentado é mais baixo', sublinhando que 'não há investimentos com escala' nas áreas mais inovadoras e de alta tecnologia pois faltam pessoas com qualificações à altura".
- "Paula Carvalho, economista do Banco BPI, observa que 'ainda estamos a viver os efeitos das más opções do passado'. 'É preciso que os jovens estejam a escolher agora os cursos certos no contexto da actual política económica para que no futuro este problema se esbata'."
Já que são especialistas e, supostamente, até podem consultar não só os livros do ramo mas, sobretudo, oráculos mais correctos, não poderiam tentar ser um pouco menos repetitivos de "verdades verdadeiras" e, também, serem muito mais explícitos e concretos?
A despeito da catástrofe do desemprego dos melhor qualificados, alegra saber sobre os outros que conseguem colocação: "Neste contingente estão os trabalhadores dos serviços às empresas (empregadas de limpeza e seguranças, por exemplo), vendedores, pessoal administrativo, agricultores, operários, manobradores de máquinas e trabalhadores não qualificados. "
Sobre os nossos problemas de qualificação, parece que alguns estrangeiros os conhecem melhor, desde antigamente, por exemplo, no ano passado, preto no branco, na sua publicação "Fostering human capital development inPortugal ", Stéphanie Guichard and Bénédicte Larre põem um pouco o dedo na ferida, logo no primeiro parágrafo: "Narrowing the human capital gap vis-à-vis other OECD countries is essential for Portugal to improve its productivity and resume catching up" para, na página 11, referirem, a "bold": "Access to tertiary education remains also too limited and selective", e ainda acrescentarem: "but in Portugal , the selectivity of access is more severe than in many other countries and the participation of students from low socio-economic backgrounds remains particularly low, - e se ainda não estivermos convencidos juntam: "In Portugal , the proportion of higher education students' fathers who have achieved higher education themselves is 29% compared with 5% for the proportion of men of corresponding age in the general population (a factor of almost 6 to 1). In Germany and France , the factor is around 2 to 1. In Portugal, very few students (19%) already have work experience or have completed vocational training before starting tertiary education, compared with almost two-thirds in Germany (Eurostudent Report, 2005). "
Está mais ou menos tudo dito, ou não?
Parece que somos um povo que, globalmente, temos pouca formação e seria, por alavancarmos o padrão médio da formação da maioria de nós, que poderíamos, eventualmente, aspirar e aventurarmos-nos, mais tarde, com as tecnologias de ponta e as excelências....mas, nós não, preferimos iniciar logo por produções gigantescas de melancias cúbicas, porque fazem outra vista em mercados, virtuais ou não, de frutas e legumes e parecem proporcionar melhor arrumação.. .
A minha apreensão sobre o desemprego, em Portugal, cresce quando se recolhem opiniões de pessoas, referidas como especialistas, que nos a esclarecem com frases já lidas em cartilhas muito antigas.
Exemplos:
- "António Nogueira Leite, professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa, considera que 'o mercado de trabalho não está à procura de qualificações muito elevadas e deixou de recrutar um conjunto de profissões mais ligadas ao ensino'".
- "Eduardo Catroga, empresário e economista, confere que há um 'desajustamento crónico' entre a formação das pessoas e aquilo que as empresas procuram."
- "Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), vai mais longe e assegura que só há criação significativa de emprego 'nas áreas onde o valor acrescentado é mais baixo', sublinhando que 'não há investimentos com escala' nas áreas mais inovadoras e de alta tecnologia pois faltam pessoas com qualificações à altura".
- "Paula Carvalho, economista do Banco BPI, observa que 'ainda estamos a viver os efeitos das más opções do passado'. 'É preciso que os jovens estejam a escolher agora os cursos certos no contexto da actual política económica para que no futuro este problema se esbata'."
Já que são especialistas e, supostamente, até podem consultar não só os livros do ramo mas, sobretudo, oráculos mais correctos, não poderiam tentar ser um pouco menos repetitivos de "verdades verdadeiras" e, também, serem muito mais explícitos e concretos?
A despeito da catástrofe do desemprego dos melhor qualificados, alegra saber sobre os outros que conseguem colocação: "Neste contingente estão os trabalhadores dos serviços às empresas (empregadas de limpeza e seguranças, por exemplo), vendedores, pessoal administrativo, agricultores, operários, manobradores de máquinas e trabalhadores não qualificados. "
Sobre os nossos problemas de qualificação, parece que alguns estrangeiros os conhecem melhor, desde antigamente, por exemplo, no ano passado, preto no branco, na sua publicação "Fostering human capital development in
Está mais ou menos tudo dito, ou não?
Parece que somos um povo que, globalmente, temos pouca formação e seria, por alavancarmos o padrão médio da formação da maioria de nós, que poderíamos, eventualmente, aspirar e aventurarmos-nos, mais tarde, com as tecnologias de ponta e as excelências....mas, nós não, preferimos iniciar logo por produções gigantescas de melancias cúbicas, porque fazem outra vista em mercados, virtuais ou não, de frutas e legumes e parecem proporcionar melhor arrumação..
21 agosto, 2007
Terrorismo ecologista (III)
1. Vou tentar explicar da forma mais simples. Transgénico, ou organismo geneticamente modificado (OGM) é uma planta (ainda não se põe, na prática, a questão dos animais - a não ser o seu uso em investigação -, mas vai-se pôr) em cujo genoma se insere um gene estranho, que vai fazer com que a planta produza uma nova proteína. Pode ser um pesticida, um insecticida, um factor de resistência à secura do solo, etc. Até pode ser, como já exemplifiquei, uma vacina. Uma consequência óbvia é que isto dispensa o uso de pesticidas e de insecticidas químicos, muitas vezes de alta toxicidade.
2. Uma das coisas que mais costuma surpreender os meus alunos de biologia molecular é que parece haver uma aberração na dimensão total dos códigos genéticos. O maior é o humano, mas só se esquecermos o caso especial do trigo e do milho, mais ricos geneticamente do que o homem. Só porque, desde há milhares de anos, o homem cultiva cereais com o dobro do número inicial de cromossomas. A biotecnologia não é coisa moderna! Com isto, ninguém hoje é capaz de dizer o que era o milho primitivo.
3. Há riscos? Claro que sim, mas controlados. Não posso esgotar a lista, mas vou dar alguns exemplos. Obviamente que, ao comermos cereais transgénicos ou carne de animais alimentados com eles, não estamos a incorporar no nosso genoma o gene estranho. Não estranhem eu começar por isto, é porque já li este disparate. O que estamos a ingerir é a proteína estranha. Isto poderia ser significativo no caso do cereal, mas este serve maioritariamente é para rações. No caso da carne, a dose é negligível. Toxicidade não há, em testes muito mais exigentes do que os utilizados para numerosos produtos da nossa vida corrente (as meninas verdeufémias não usam cosméticos?). Fica, não negligivelmente, a possibilidade de alergias, mas estas são por natureza individuais e não testáveis com facilidade. Claro que há outros problemas; não me acusem de ignorância, é que tenho de me cingir ao espaço de um “post”. De qualquer forma, nem tem importância, porque a maioria destes activistas é iletrada e cientificamente ignorante (excepto na sua certeza de que os cientistas, por natureza, são uns malfeitores e génios horrorosamente frankensteinianos).
4. Diverte-me ver os seus cartazes de milho tóxico e milho doente. Lembra-me a velha criada preta do “Bem vindo, Mr. Chance” que dizia que ele só tinha papas de milho na cabeça. Há por aí gente que, infelizmente, parece ter é papas de milho doente ou de milho tóxico. Os seus patronos políticos e ideológicos, que não têm papas nenhumas na cabeça, não percebem isto, ou são desonestos política e intelectualmente?
5. Caso especial é o do potencial risco para a biodiversidade. Estas culturas não vão dominar as outras? Estes activistas tão bem informados desconhecem que, cada vez mais, os cereais transgénicos serão estéreis, não haverá pólen fértil a esvoaçar pelos campos. A cada sementeira, obrigatoriamente novas sementes. Mesmo assim, por precaução, é obrigatório actualmente manter uma distância de segurança entre culturas normais e culturas transgénicas.
6. Dizem que ainda não está provado que não haja riscos. Cientificamente, isto é uma estupidez. Não pode haver demonstração absoluta, apenas a aceitação de uma certa probabilidade significativa. Hoje, nos EUA, 90% da soja cultivada, um principal ingrediente das rações, é transgénica. Onde é que há alguma suspeita de risco? Insisto: a discussão sobre os transgénicos é irracional, ideológica e política, e principalmente dominante na Europa porque os alemães ainda não souberam digerir os seus pecados históricos.
7. E há risco zero, em alguma coisa da nossa vida? Só metendo-me num buraco para não ser atropelado, não naufragar num cruzeiro, não me ir num acidente de avião, deixar-me morrer com um AVC por não tomar anti-hipertensivos, que têm efeitos secundários não negligíveis. Mesmo assim, o buraco teria de ser à prova de raio e de terramoto. E, já agora, à prova do risco mais absoluto que há, o de morrer, seja quando e como.
8. Finalmente, uma pequena nota suscitada por um artigo de Vasco Graça Moura (Público, 21.8.2007) em que ele afirma que a invocação de Eufémia indica logo quem está por detrás disto. Se está a pensar no PCP, creio que se engana. Sobre isto, veja-se a argumentação sólida de Tiago Barbosa Ribeiro, no Contratempos. Também não digo que seja o BE mas, se não é, muito puxão de orelhas vai levar Miguel Portas.
À margem. Um amigo criticou o título destas notas, por exagerado. Prefere ecovandalismo. O que é preciso para que seja terrorismo, que haja mortos? Creio que a diferença é outra. Vandalismo é selvajaria gratuita, sem motivação que não seja pura e simples patologia psíquica e social. Terrorismo é o mesmo acto praticado como meio consciente de afirmação ideológica ou política. Neste sentido, mesmo que o acto tenha sido “soft”, para mim é terrorismo.
2. Uma das coisas que mais costuma surpreender os meus alunos de biologia molecular é que parece haver uma aberração na dimensão total dos códigos genéticos. O maior é o humano, mas só se esquecermos o caso especial do trigo e do milho, mais ricos geneticamente do que o homem. Só porque, desde há milhares de anos, o homem cultiva cereais com o dobro do número inicial de cromossomas. A biotecnologia não é coisa moderna! Com isto, ninguém hoje é capaz de dizer o que era o milho primitivo.
3. Há riscos? Claro que sim, mas controlados. Não posso esgotar a lista, mas vou dar alguns exemplos. Obviamente que, ao comermos cereais transgénicos ou carne de animais alimentados com eles, não estamos a incorporar no nosso genoma o gene estranho. Não estranhem eu começar por isto, é porque já li este disparate. O que estamos a ingerir é a proteína estranha. Isto poderia ser significativo no caso do cereal, mas este serve maioritariamente é para rações. No caso da carne, a dose é negligível. Toxicidade não há, em testes muito mais exigentes do que os utilizados para numerosos produtos da nossa vida corrente (as meninas verdeufémias não usam cosméticos?). Fica, não negligivelmente, a possibilidade de alergias, mas estas são por natureza individuais e não testáveis com facilidade. Claro que há outros problemas; não me acusem de ignorância, é que tenho de me cingir ao espaço de um “post”. De qualquer forma, nem tem importância, porque a maioria destes activistas é iletrada e cientificamente ignorante (excepto na sua certeza de que os cientistas, por natureza, são uns malfeitores e génios horrorosamente frankensteinianos).
4. Diverte-me ver os seus cartazes de milho tóxico e milho doente. Lembra-me a velha criada preta do “Bem vindo, Mr. Chance” que dizia que ele só tinha papas de milho na cabeça. Há por aí gente que, infelizmente, parece ter é papas de milho doente ou de milho tóxico. Os seus patronos políticos e ideológicos, que não têm papas nenhumas na cabeça, não percebem isto, ou são desonestos política e intelectualmente?
5. Caso especial é o do potencial risco para a biodiversidade. Estas culturas não vão dominar as outras? Estes activistas tão bem informados desconhecem que, cada vez mais, os cereais transgénicos serão estéreis, não haverá pólen fértil a esvoaçar pelos campos. A cada sementeira, obrigatoriamente novas sementes. Mesmo assim, por precaução, é obrigatório actualmente manter uma distância de segurança entre culturas normais e culturas transgénicas.
6. Dizem que ainda não está provado que não haja riscos. Cientificamente, isto é uma estupidez. Não pode haver demonstração absoluta, apenas a aceitação de uma certa probabilidade significativa. Hoje, nos EUA, 90% da soja cultivada, um principal ingrediente das rações, é transgénica. Onde é que há alguma suspeita de risco? Insisto: a discussão sobre os transgénicos é irracional, ideológica e política, e principalmente dominante na Europa porque os alemães ainda não souberam digerir os seus pecados históricos.
7. E há risco zero, em alguma coisa da nossa vida? Só metendo-me num buraco para não ser atropelado, não naufragar num cruzeiro, não me ir num acidente de avião, deixar-me morrer com um AVC por não tomar anti-hipertensivos, que têm efeitos secundários não negligíveis. Mesmo assim, o buraco teria de ser à prova de raio e de terramoto. E, já agora, à prova do risco mais absoluto que há, o de morrer, seja quando e como.
8. Finalmente, uma pequena nota suscitada por um artigo de Vasco Graça Moura (Público, 21.8.2007) em que ele afirma que a invocação de Eufémia indica logo quem está por detrás disto. Se está a pensar no PCP, creio que se engana. Sobre isto, veja-se a argumentação sólida de Tiago Barbosa Ribeiro, no Contratempos. Também não digo que seja o BE mas, se não é, muito puxão de orelhas vai levar Miguel Portas.
À margem. Um amigo criticou o título destas notas, por exagerado. Prefere ecovandalismo. O que é preciso para que seja terrorismo, que haja mortos? Creio que a diferença é outra. Vandalismo é selvajaria gratuita, sem motivação que não seja pura e simples patologia psíquica e social. Terrorismo é o mesmo acto praticado como meio consciente de afirmação ideológica ou política. Neste sentido, mesmo que o acto tenha sido “soft”, para mim é terrorismo.
16 agosto, 2007
Um exemplo notável
Esta nota é-me suscitada por um anúncio recente de recrutamento de 24 doutorados para os Açores, como bolseiros. Para além dos fundos comunitários distribuídos por todas as regiões portuguesas, as regiões autonómas ainda dispõem de fundos próprios, que podem usar com grande flexibilidade.
Com estes recursos, o governo açoriano deu importância à ciência e tecnologia, não só ao betão. Criou uma direcção regional, que inicialmente até estava na dependência do presidente do governo regional. Entre outros domínios de acção, destacou-se o das tecnologias da informação, de tal forma que os Açores eram recentemente a segunda região portuguesa em taxas de implantação e utilização das TI.
Ao lado da direcção regional, funciona um fundo regional da ciência e tecnologia, uma mini-FCT regional, com papel de relevo no apoio a projectos regionais. É este fundo que agora abre concurso de bolsas para 24 doutorados. Para uma região de 250.000 habitantes, é de assinalar. Mais ainda se considerarmos que o principal acolhedor será a Universidade dos Açores. Estes novos doutorados representarão 14% dos actuais professores e investigadores da universidade.
Chapeau!
Com estes recursos, o governo açoriano deu importância à ciência e tecnologia, não só ao betão. Criou uma direcção regional, que inicialmente até estava na dependência do presidente do governo regional. Entre outros domínios de acção, destacou-se o das tecnologias da informação, de tal forma que os Açores eram recentemente a segunda região portuguesa em taxas de implantação e utilização das TI.
Ao lado da direcção regional, funciona um fundo regional da ciência e tecnologia, uma mini-FCT regional, com papel de relevo no apoio a projectos regionais. É este fundo que agora abre concurso de bolsas para 24 doutorados. Para uma região de 250.000 habitantes, é de assinalar. Mais ainda se considerarmos que o principal acolhedor será a Universidade dos Açores. Estes novos doutorados representarão 14% dos actuais professores e investigadores da universidade.
Chapeau!
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Açores,
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