28 novembro, 2008

Esquerdas e esquerdas

O Encontro das Esquerdas causa-me sentimentos mistos. Que haja muitos e variados, bem o desejo. É sinal de vontade de diálogo, de exploração de novos caminhos em colaboração, é pequena mas adivinhável luz ao fundo do túnel do nosso bloqueamento político, cristalizado em partidos já muito estabelecidos (até o BE). No entanto, por outro lado, cheira-me muito a jogada política tradicional, nada que signifique uma rotura justificativa de novas esperanças, principalmente por parte de muitos que têm essas esperanças ligadas a um percurso indissociável da rejeição de manobras políticas convencionais. Deles - e não posso honestamente deixar de me incluir, mesmo que imodestamente - falarei adiante.

O primeiro encontro, salvo erro em Maio, aparece sob o foco bipolar de duas personagens marcantes, Francisco Louçã e Manuel Alegre (a ordem dos factores não é arbitrária), obviamente pessoas representativas de uma acção política inteiramente balizada pela intervenção partidária. Não creio que qualquer deles, depois de muitos anos dessa perspectiva, possa guinar para alguma coisa de novo.

Alegre é refém do seu PS, não sabe como agir fora dele, vai aproveitando uma margem de tolerância que o PS lhe vai dando, num negócio confortável em que todos ganham. Ou melhor, ganha o PS em imagem de tolerância, porque Alegre parece não conseguir saber o que fazer dessa oferta, como não soube o que fazer do apoio de um milhão de eleitores, desbaratado num MIC de paróquia.

Louçã, arrisco-me a dizê-lo, é também refém da sua imagem, do jovem muito inteligente e muito gabado (outro Pacheco falado nas barbearias da província), do dirigente trotskista, do fanático impulsivo sempre com trejeitos de Savonarola. Ainda não me conseguiu convencer de que tenha uma grandeza de pensamento político, de projecto de sociedade, que vá para além do que sempre defendeu. A “modernidade” do BE cheira-me muito a instrumental. Nem falo só da componente trotskista, muito menos da herança UDP que nem sei o que é, mas da “herança” do meu MDP que passou por OPA política para a Política XXI. Ainda terei de fazer, com outros amigos, a história da revolução ideológica, fora de tempo, do MDP restante depois da rotura com o PCP.

Neste segundo encontro, há aparentes surpresas, mas nem tanto. São casos isolados que me parecem sinal de algum aproveitamento cauteloso, tipo “deixa-me entalar o pé na porta, para não a deixar fechar”. É Carvalho da Silva, sempre ambíguo no uso dos seus dois chapéus, do PCP e da CGTP, é António José Seguro, um candidato a alternativa no PS mas sempre avaro das suas ideias que ninguém conhece (outra vez o Pacheco) e até, pasme-se, Carlos Carvalhas (claro que certamente a mandado do PCP). Ao lado, com a sua já vista ingenuidade de vigarizados por um aparelho sabido, os renovadores comunistas, coisa que ainda não percebi o que quer dizer. Se o nome aponta para os seus amigos italianos, é melhor irem dar uma volta ao bilhar grande.

Mas há mais esquerda. Há esquerda de gente que não precisou de grandes acontecimentos telejornalísticos para reflectir sobre erros de décadas em muitos casos assumidos pessoalmente, com modéstia e sincero pesar. Há esquerda de gente que não pactua com o papel de instrumentos de luxo dos aparelhos, com vestes de gala de uma independência que não engana ninguém. Há esquerda de gente que vive satisfeita com a sua actividade profissional esgotante, com a sua participação na vida cultural e social e para quem a intervenção política é uma missão nobre mas custosa, nunca uma prebenda. Há esquerda de gente que pode defender abertamente valores e opiniões controversas, porque não precisa de pensar em termos eleitoralistas.

Ninguém desta esquerda poderá dizer que ela é a dos “bons”. É apenas a dos que têm a sorte de poderem ser livres, porque a vida isto lhes permite. E nesta liberdade desempenha papel essencial o facto de as suas roturas terem resultado de caminhos individuais, com sofrimento, quantas vezes silencioso e desconhecido da opinião pública, sem o apoio de movimentações grupais que muitas vezes espartilham a rotura em novas formas de dependência.

Pessoalmente, sinto-me obrigado a elogiar um político que soube dar valor a muita desta gente, que por isto também lhe correspondeu: António Guterres, nos Estados Gerais. Infelizmente, a sequência, nos tempos já de governo, foi frustrante, em termos de intervenção independente e dialogante. As Novas Fronteiras já nem sequer os convidaram. Desconfio de que algum dos meus amigos tivesse aceite.

27 novembro, 2008

Assinando o ponto

Ainda não desapareci, mas tempos muito ocupados têm-me afastado da escrita. Dou sinal de vida, prometendo retomar a minha intervenção dentro de pouco tempo, em outros moldes. Deixarei aviso.

20 novembro, 2008

Violência de género

Há coisas que não gosto de adjectivar ou de qualificar, são más em si. No entanto, por vezes, a qualificação alerta-nos para circunstâncias particularmente favorecedoras do mal. É o caso da violência do homem ainda hoje mais forte para com a mulher ainda hoje mais fraca, com destaque para a violência doméstica.

O Público de hoje traz um número impressionante: este ano, 43 mortes de mulheres por violência doméstica. Extrapolando, quantos casos de agressões com consequências físicas importantes? Mais ainda, quantos casos de "ligeiras agressões" mas com enormes efeitos destrutivos?

Leio também uma coisa muito interessante, uma iniciativa da UMAR para envolver numa petição também os homens que se revoltam contra esta degradação do ser masculino. Boa ideia, generalizar uma luta que corre o risco de ser considerada, redutoramente, como feminista. É pena ainda não ver concretizada a iniciativa, vou ter de estar atento.

Isto faz-me pensar que a virtude pode ser perversa, isolando-nos do que tendemos a ver como distante de nós. Chegar sistematicamente a casa embriagado e bater na mulher? Tirar o cinto para a coça nos filhos? Infelicidades, mas não é comigo... Será que não?

Nota - Um pouco a despropósito, tenho bem para mim que, com uma excepção (um filho bebé que não podia compreender de outra forma que não podia enfiar os dedos na tomada), nunca bati num filho. Porquê, porque sou especial? Sim, sou especial porque tive pais especiais que, nos anos 40 e 50, não me batiam. Estas coisas herdam-se. Não tenho qualquer sinal de que os meus filhos tenham batido nos meus netos. E às vezes talvez precisassem, como quando o André me diz que não vale a pena discutir com o avô porque só tem caca de galinha na cabeça.

17 novembro, 2008

Diletantismo portuga?

Na sua crónica habitual no Público e com a sua habitual displicência, diz hoje Vasco Pulido Valente que Marx, para os seus estudos de economia política que o levaram ao monumento intelectual que é o Capital (concorde-se ou não com as derivações políticas práticas do marxismo) falsificou dados. É a mais grave acusação que se pode fazer a um cientista e é a primeira vez que leio tal coisa em relação a Marx. Das duas uma. Ou VPV é um diletante, não é um pensador rigoroso, não conhece a ética científica e pode-se-lhe desculpar (?) a acusação atirada como barro à parede. Ou é o contrário disto e então exige-se-lhe que demonstre tão grave acusação. 

05 novembro, 2008

Obama

02 novembro, 2008

Recordando (1)

A despedir-me, quando este blogue vai passar a ser chamada de atenção para sítio mais calmo e ponderado de escrita, lembro-me da menina R, minha vizinha da então 28 de Maio, hoje felizmente rebatizada (acordo ortográfico!). A menina R talvez tenha sido o primeiro desafio a alguma abertura mental. Era execrada pela vizinhança do prédio, era muito simpática comigo, provavelmente porque sentia que eu o retribuía, que mais não fosse pelos mimos que fazia ao meu filho bebé.

Era sustentada. Um velho horroroso visitava-a ocasionalmente, mas com menor frequência, bem bom para ela, do que o António Mourão, seu professor de canto, guitarra e talvez de outros instrumentos. Mas também para mal dos meus ouvidos, sempre a ouvir “ó tempo, volta p’ra trás”. E depois de todo este rodeio, onde é que eu ia?, açoriano criado em conversa fiada de serão, ah, lembrei-me, vou olhar para algum passado deste blogue e tirar conclusões de provocação matreira e final.

Tema de grande motivação a escrita minha foi a licenciatura de Sócrates. Ele escapou ileso, até ao encerramento da sua alma mater. É portuga. De facto, nada de ilegal, só videirices de que a imprensa, inabilmente, quis fazer escândalo. Digo inabilmente porque se há coisa de que o portuga gosta, em que se revê, é na videirice, na chiquespertice. O que ele inveja não é o Nobel do Saramago nem os milhões do Jardim Gonçalves, coisa que não percebe. Inveja é o vizinho que aldrabou as finanças, o outro que vigarizou a segurança social, o outro que ficou repentinamente milionário com o euromilhões, sem essa chatice horrorosa que é trabalhar pra ganhar a vida. E eu a olhar com gozo para alguém que me repetia sempre, "aposto o que quiseres, o ministério público não pode deixar de o levar a tribunal". Um mínimo de honestidade proibiu-me de desfrutar dessa aposta.

Por isto, quem é que se importa que Sócrates não tenha vergonha de um título universitário de vão de escada, que não tenha ética de rigor intelectual, que não tenha cultivado o orgulho de reconhecimento académico por uma instituição de qualidade? Só eu e mais uns tantos, que penámos agruras e angústias pessoais de perguntas rigorosas para nós próprios sobre a qualidade do nosso trabalho intelectual e profissional, que temos a paixão e o respeito por uma coisa que transporta um milénio de civilização, a educação superior, que consideramos um grau como um prémio que tem de ser merecido e não como um cartão de visita que se manda imprimir no shopping. Mas quem sou eu e esses outros para falarmos, se qualquer coisa ajuda ao tiro de partida carreirístico na jota (que no caso até foi do PSD), mesmo um grau charunfoso, se calhar até dando competências bolonhesas para vendedor de computadores?

Hoje vai só esta memória de tempos idos do Bloco de Notas. Outras se seguirão.

Keep it simple, stupid

Muitos políticos americanos têm dotes oratórios excelentes. Lincoln, Roosevelt, Kennedy, Martin Luther King, agora Obama. Vêm na tradição do uso sintético, incisivo, da língua, e por isto é que as grandes citações, depois dos romanos, são agora as dos americanos, sem falar na eloquência exemplarmente elegante de Jorge Sampaio! Coisas célebres: “Don´t ask what your country can do for you, ask what you can do for your country”; “Ich bin ein Berliner”; “I have a dream”. Notável é a última de Obama (vai em português, não a consigo no original): “Qualquer parvo faz um filho, mas o que faz um pai é fazer crescer um filho”.

KISS, keep it simple, stupid!

01 novembro, 2008

A muralha de aço de Alcântara

Subscrevi a petição de iniciativa de Miguel Sousa Tavares contra a expansão do parque de contentores de Alcântara. Hesitei muito em o fazer, depois de também ter lido os argumentos da Liscont. Afinal, os 15 m de altura dos contentores empilhados compensam a altura dos armazéns que vão ser demolidos. 

Então, porque assinei? Porque espero que este assunto pontual traga à discussão o problema de fundo, que é o da localização do porto de Lisboa. Vai ser desafio para a minha escrita mais elaborada, como sucessora deste blogue. Para já, fica-me uma dúvida importante: qual o destino da gare de Alcântara? E os painéis de Almada, para já não falar do valor arquitectónico dessa obra de Pardal Monteiro?

Ingenuidade?

Loureiro dos Santos alertou para possíveis disparates a virem a ser praticados por militares descontentes com lesões aos seus interesses corporativos. Creio que ninguém com juízo neste nosso país pode admitir tal hipótese cesarista. Por isto, vindo do general, é alerta civicamente importante, dirão alguns. Não me parece verdade. O general não é ingénuo nem estúpido e sabe bem que o simples facto de escrever sobre tão absurda coisa é dar-lhe publicidade, importância e alento. “Porque no te callaste?”

P. S. - Não é a primeira vez que LS se faz porta-voz encapotado de interesses corporativamente mesquinhos de militares. Aonde quer ir com isto? Não percebo, por parte de um homem que pode envelhecer confortavelmente deitado sobre um bom currículo. Simples vocação populista?

Sócrates, sai um anunciozito?

Já não me bastava estar ontem encravado meia hora no trânsito de hora de ponta, ainda tive de ouvir o discurso de José Sócrates na Cimeira Ibero-Americana. Já há muito tempo que não tinha tanta vergonha de me chamarem português. 

Há por aí uma coisa a que chamam de Magalhães, pretensa invenção nacional. Não é nada, é uma criação da Intel, já posta em prática em alguns países sub-desenvolvidos, a que se destina, e agora montada em Portugal, pelos vistos também um sub-desenvolvido. 

Mas ouvir o primeiro ministro de Portugal fazer de publicitário, durante 10 minutos (!) de um discurso oficial, a enaltecer as virtudes do computadorzinho, a referir que um chefe de estado americano o tinha atirado ao chão sem ele se partir, ultrapassa tudo o que eu julgo ser a dignidade mínima do Estado português, a cumprir pelos seus representantes máximos. Era bem razão para Juan Carlos ter interrompido, “Jose, porque no te callas?”

Autonomia açoriana

Lembram-se do velho professor americano a viver em Roma, personificado por Burt Lancaster no “Conversation Piece” de Visconti? Ou mesmo do mesmo como Príncipe Salina? Distanciamento, algum desgosto pela degenerescência do que nos foi caro, sentido de que a vulgarização nos remete para um buraco íntimo de preservação da qualidade. Elitismo intragável, admito.

Isto vem mesmo a despropósito sobre a actual questão do estatuto dos Açores. Fui autonomista, nos alvores açorianos da minha descoberta política. Fui autonomista com muitos amigos dos tempos difíceis, sendo sempre justo salientar Melo Antunes e Borges Coutinho. Nessa altura, os filhotes de Mota Amaral usavam babete e hoje não se lembram de que ele, por essa época, era deputado e escrevia a favor das multinacionais americanas dominarem a pecuária açoriana. Por tudo isto, sinto-me hoje um pouco como essas personagens viscontianas.

Por isto, creio ter autoridade para me escandalizar com alguns excessos do estatuto de autonomia dos Açores e, por isto, quem diria, concordar com Cavaco Silva. O que mais me choca é a disposição aberrante segundo a qual a Assembleia da República não pode legislar sobre a autonomia a não ser sobre propostas da Assembleia Legislativa Regional. Não consigo perceber como é que tal disposição, só possível num estado federal (e nem sei se mesmo neste caso, na realidade) não é declarada liminarmente como inconstitucional.

Sou autonomista, nem de longe sou federalista ou independentista. Como costumo dizer, sou muito açoriano porque sou muito português e sou muito português porque sou muito açoriano.

Nota gastronómica (LXVII)

Um chefe que fornece as suas receitas

Vivi largos anos na Amoreira, à ilharga norte do Monte Estoril, burgo “piplar” típico, contraponto do vizinho, mesmo que este decadente. Nunca pensei que a Amoreira viesse a ser pousio de restaurante de qualidade, gabado por amigos meus gastrónomos exigentes, o “Vin Rouge”, dirigido por um jovem chefe promissor, João Antunes. É coisa já registada, a fazer engordar a minha lista iPhonica de “to do”.

É hoje tema na revista do Expresso. O que me faz escrever esta nota é uma coisa espantosa que li na revista. João Antunes não faz segredo das suas receitas e troca-as com os seus clientes. Notável! Ou, então, grande sentido de marketing. Seja como for, vou lá um dia destes mas com uma meia dúzia de receitas minhas no bolso, esperando vir de volta com outras tantas de João Antunes. E que sejam da qualidade com que ele hoje, no Expresso, disserta sobre a carne de veado, coisa de que gosto muito desde tempos idos na Suíça.

31 outubro, 2008

No creo en brujas...


...pero que las hay, hay!

O Público é useiro e vezeiro em desprezar o rigor da associação entre texto e imagem. Lembro-me de que a primeira vez em que protestei foi quanto a uma rememoração do episódio, no 25 de Abril, da fragata Pereira da Silva hesitante, defronte do Terreiro do Paço, enquanto os oficiais não controlaram o comandante Louçã. A fotografia do jornal era de uma fragata Meko, ainda nem nascida nessa altura. Respondeu-me um responsável editorial que as fotografias são só ilustrações evocativas. Como se um artigo sobre Sócrates pudesse ser evocado com uma foto de Salazar, também ele primeiro ministro.

Depois deste caso, muitos outros, até ao de hoje, que considero grave. Vejam a fotografia que ilustra uma notícia sobre o tema suscitado há dias pelo general Loureiro dos Santos, do perigo de "aventuras" antidemocráticas decorrentes do mal estar entre os militares. Vejam a parte superior da imagem: pode ser só uma atitude de vigilância de prisioneiros mas não será desonesto nem exagerado suspeitar de que é uma simulação de execução.

Das duas uma. Não é uma fotografia de exercícios do exército português, é de qualquer outro exército? Então, pelo menos, é enorme leviandade do jornal associar esta imagem a uma tal notícia que, já de si, suscita preocupações em relação às nossas forças armadas. Ou é mesmo uma fotografia de exercícios portugueses? Então, pior, o dever do jornal é levantar a questão da gravidade de tais exercícios.

Errata (2.11.2008) - Não sei como me saiu Pereira da Silva em vez de Gago Coutinho. Talvez por me ocorrer o nome da classe a que pertencia a Gago Coutinho. As minhas desculpas aos leitores.

Museu dos coches

Está anunciada a construção de um novo museu, projecto de vulto, claro que também financeiramente. Pus-me a pensar recorrendo a coisa que infelizmente tenho pouco, a sabedoria chã do Zé Povinho. Ora bem. Se eu tiver uma mercearia de bairro com tanta clientela que não me dê para as minhas capacidades familiares de atendimento e eu não quero ter empregados, se os seus lucros me chegam e sobram até para todos os meus luxos que só vão até ao bilhete semanal para o futebol ou para o livrinho a 1 euro que acompanha o Correio da Manhã de sábado, porque raio me hei-de dar ao trabalho e ao risco financeiro de transformar a mercearia num supermercado todo modernaço?

Isto vem a propósito do novo Museu dos Coches. É o museu mais visitado de Portugal, nenhum turista se queixa de não obedecer aos padrões museológicos da moda, aos desafios intelectuais do acto sexual entre observador esteticamente titilado e objecto museológico observado. Dá grandes lucros. Não tem reservas não exibidas.  Porque raio vou pagar dos meus impostos para refazer este museu (para mim, ainda por cima, de uma arte respeitável mas menor), quando há tantos outros em condições verdadeiramente precárias e sem condições de expor ricas colecções guardadas em armazém?

Admito uma razão, a utilização imaginativa das actuais instalações no picadeiro de Belém. Por exemplo, para espectáculos equestres da escola de Alter, ou, com aplicação temporária de pavimento adequado, para concertos barrocos ou variados "eventos", públicos ou em aluguer a privados. Mas ainda não vi isto discutido.


Notícia importante


Nesta ponta final, em que ajusto contas, não podia deixar de vir o Público à baila. Segundo o pasquim, faz hoje anos sua sereníssima alteza a infanta D. (perdão, Dona) Leonor, três aninhos viçosos a prometerem cultivo desde já das mais ínclitas virtudes geneticamente acumuladas de apuramento da raça lusitana. Desculpem, é confusão, estou a trescrever, passei para Alter.  

Seja como for, a regra a mesma, toda a gente sabe, o segredo do apuramento é o fomento da consanguinidade, tudo primos. Olhem lá para a cara do pai Duarte e não digam que não é feição vigorosa e expressão inteligente herdadas de D. Afonso Henriques e da pressão selectiva das bordoadas aos mouros, agora convertidas em conversas de chazinho com as suas velhas inquilinas do Chiado, quando lhes vai cobrar a renda.

Voltando ao Público. Despedi-me dele porque, salvaguardados alguns focos de resistência interna, é cada vez mais, por via do seu director, conservador, economicamente neoliberal, reaccionário em relação à evolução dos costumes, faccioso (veja-se hoje o tratamento da questão angolana, em que admito que haja muita coisa podre mas em que desconfio da fúria já antiga do Público), voz do dono, simpatizante do Opus Dei. Será que também monárquico?

Nome de família

Cada povo, seu costume. Nórdicos só usam o nome de família do pai. Latinos, de ambos os pais, mas paterno em último lugar, à nossa maneira, ou materno no fim, à espanhola. Usar só o nome da mãe é, tradicionalmente e em relação ao nosso pejorativo "filho da mãe", coisa invulgar. Saiu-me isto em sorte, mas por inteligência de sentido de "marketing", de uma filha artista que aproveita o exotismo do nome de família da sua mãe, em desprimor do meu banal Costa. Nunca me queixei, dá-me gozo a rapariga ser esperta, tem a quem sair...

Diferente, já aqui escrevi, é o caso de quem parece ter vergonha do pai ou o diminui para valorizar uma herança que não merece. Por isto, nesta lide final, eu que tanto critiquei aqui António Vilarigues, não deixo de concordar com ele em que Vasco Pulido Valente, aliás Correia Guedes de seu muito honrado e notável pai, era assim que devia assinar, não envergonhando a memória do seu outro avô Pulido Valente.

O João e a amiga

Boa tarde, é tudo o que dizemos, mas já somos amigos de todos os depois do almoço, no café da minha vizinhança, mesas lado a lado. Já nenhum de nós encomenda, é bem sabido da casa, café com adoçante para mim, uisque para ele. Depois é ouvir o seu desbobinar da vida.

Conheço muito dele, o seu passado até recentemente na Figueira, o estabelecimento comercial bem sucedido mas que foi à falência, a vinda para Carcavelos onde se amanha com um emprego precário, o apartamento onde se sente triste, a porcaria da televisão que já o enfada. Tudo isto é desabafado em longas conversas monológicas, em voz alta que nenhum vizinho pode ter o recato de não ouvir, desabafado com expressão de muita ternura, para quem se adivinha logo que é a sua amiga fiel, muito especial, que à sua mesa o olha com ternura retribuída.

Sei que, meu homónimo, ele se chama João, ouço do empregado do café. Só não consegui ainda saber o nome da sua amiga, uma linda cadela perdigueira.

Morte anunciada

Este blogue acordou hoje esquisito, cara angustiada, afilada, ensimesmada, embaciada. Pior, dedos enclavinhados nos lençóis, puxando-os desesperadamente para o queixo tremente. Sinais óbvios, na cultura popular da minha gente ilhoa, de morte próxima, "filhe, vá já chamá o padre, tê pá tá-se finande".

Podia fingir atraso de coisa inevitável, mascarado de cavaleiro medieval, jogando com a horrorosa da gadanha xadrez sobre muro dando para o mar. Podia negociar faustianamente com essa velha. Mas não, vou aceitar o destino, dando apenas um último sopro "desta luz celeste à qual as almas restitui, restituindo à terra o pó que as veste", escrevendo hoje a meu bel-prazer, em despedida.

28 outubro, 2008

Escola e laicidade


Na escola pública que o meu filho mais novo frequenta e que o mais velho também frequentou, situada no centro da cidade do Porto, existem crucifixos em todas as salas de aula. Nas duas extremidades do corredor principal pode ver-se uma figura da Nossa Senhora de Fátima e numa delas uma fotografia dos videntes Francisco e Jacinta Marto. No decurso do mês de Maio um conjunto de senhoras idosas desloca-se à escola para rezar diariamente o terço. Aparentemente trata-se de uma tradição com muitos anos. Em 2004, sem que os pais tivessem previamente conhecimento, realizou-se uma missa no recinto da escola por ocasião da reforma de duas funcionárias muito devotas. Eu e a minha mulher contactámos a responsável da escola, depois da realização da missa, demonstrando-lhe o nosso desagrado pelo facto de o nosso filho ter participado numa cerimónia religiosa dentro de uma escola pública e de os crucifixos continuarem expostos, mesmo sabendo que isso constituía uma violação da lei, incluindo a Constituição da República. Desde essa altura nada mudou.

Alguns afirmam, hipocritamente, que o Estado é laico mas não a sociedade. Esquecem-se de que a separação das igrejas e do Estado é uma conquista civilizacional cujos alicerces são o sangue de gerações e de séculos de lutas e combates. A união entre o Estado e as religiões degrada o Estado e degrada as religiões. 

25 outubro, 2008

Cartas anónimas

A crónica semanal de hoje do provedor do DN, Mário Bettencourt Resendes, aborda os problemas deontológicos da atitude dos jornais em relação a cartas anónimas. Assunto importante, mas certamente menos do que a importância a dar às denúncias anónimas com implicação criminal. Devem ser postas no caixote do lixo? Mas não terão às vezes substância, sendo o anonimato justificável por defesa?

Falo em causa própria. Era eu director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical e recebi uma delegação da Inspecção Geral de Finanças, para uma auditoria. Considerei isto como uma rotina num Estado que deve aos contribuintes a fiscalização, aleatória, do uso dos dinheiros públicos pelas instituições.  Penso ter dado aos auditores todas as condições de trabalho. No fim, o seu relatório foi muito favorável, sem qualquer acusação relevante de responsabilidades minhas, excepto algumas pequenas irregularidades administrativas de que nenhum dirigente se escapa, se aconselhado por dirigentes medianos da função pública.

Afinal, só nesse último momento é que soube que toda a auditoria tinha sido pedida pelo PGR, Cunha Rodrigues, com base numa denúncia anónima, sobre sacos azuis e outras fantasias. Esse senhor, pelos vistos, não tinha cesto do lixo.

Ficou-me deste episódio também a impressão de que muitas vezes as coisas não são tão anónimas como parecem. Analisando a informação que está por detrás da denúncia, pode-se chegar a uma quase certa identificação do denunciante. Neste caso, nunca disse a ninguém qual era o meu palpite/certeza, e até aproveito agora para dizer a muitos que julgo que estão enganados quando pensam na mais evidente pessoa minha inimiga.

Disse que me acusaram de pequenas irregularidades administrativas. Isto leva-me a outra questão, a da responsabilidade de dirigentes de organismos muito especializados em que o director, como eu, é um cientista ou um técnico sem conhecimento da legislação. Está totalmente dependente dos quadros da administração pública, muitas vezes incompetentes. No entanto, é ele que assume a responsabilidade civil extra-contratual e tem de pagar ao Estado, do seu bolso, tudo o que de irregular tenha sido gasto pelo organismo que dirige. Quem é que quer ser dirigente e pôr o espírito de missão à frente da simples segurança do seu conforto financeiro pessoal e familiar? Resultado, a actividade pública, a política, é uma rotina medíocre, defensista, sem risco, sem grandeza.

Literatura pimba

Não sou masoquista e julgo ter bom gosto, nunca li nada de Margarida Rebelo de Andrade, juro. No entanto, vivo no meu mundo real e não deixo de "valorizar", se calhar de invejar, quem é capaz de aproveitar bem o pimbismo nacional. E nem é só nacional, porque dizem os entendidos que Paulo Coelho é o escritor mais lido em todo o mundo.

Nada de mal se esta gente se situar honestamente na sua vida "intelectual". Diferente é o caso de José Rodrigues dos Santos, escritor pimba medíocre (se é que isto não é pleonasmo) que numa entrevista recente (lamento não ter a referência) se permite comparações com Saramago e Lobo Antunes, com base no volume de vendas e até com entrelinhas sobre aspirações a um Nobel. Até onde pode ir o delírio desta "sociedade de sucesso"!

O menino ficou famoso por uma prodigiosa imaginação para cenas eróticas estranhas. Se não fosse o sucesso literário, também o teria na "Maria". Num "romance" anterior, imaginou uma cena amorosa que começa por um jantar de sopa de peixe aromatizada com leite da menina (nem sempre funcionará, é preciso que ela esteja lactente, coisa difícil de compatibilizar com uma cena erótica).

Neste último livro, de há dias, vai a supremos, não posso deixar de experimentar um dia destes, se conseguir arranjar uma parceira disponível para coisa tão estranha. É uma cena de amor num curral, em que "os gemidos de Amélia misturam-se [sic, em vez do correcto "se misturam"] com os grunhidos dos porcos." Pode haver coisa mais eroticamente excitante? Já estou cá com uma pica...

Cada um tem o escritor que merece.

P. S. (por chamada de atenção, 18:59) - Garanto que um meu erro acima não é truque, trocar Pinto por Andrade. É mesmo sinal da importância que a senhora tem para mim.

Verdade ou mentira?


Era eu miúdo, habituei-me ao rito diário de ler o jornal da parvónia, quatro pobres páginas, que o ardina madrugador nos passava por debaixo da porta. Mais tarde, também o Primeiro de Janeiro que o meu pai assinava e que lá chegava à ilha requentado de uma semana de vapor a oito nós. Com isto, criei um respeito reverencial pelos jornais, símbolo da verdade absoluta, eu que não sabia o que era a censura. Mais tarde, vindo para vida minha para além da vida familiar, foi o meu saudoso Diário de Lisboa. Por tudo isto, uma das mais difíceis decisões da minha vida, muito recente, foi a de deixar de comprar jornais, que hoje mancham este meu passado de devoção.

Mas os pecados são irresistíveis e hoje caí num, comprei um jornal. Para me penitenciar e merecer absolvição, aqui vai um bom pedaço de página do DN de hoje, com a pergunta: ainda há alguma razão, pequenina que seja, para se acreditar que os jornais são a moeda de ouro da verdade?

(clicar na imagem para ver aumentada)

Old things die hard...

Em 20 de Setembro último Pacheco Pereira escrevia no Público uma das suas habituais crónicas intitulada “O ataque ao "neo-liberalismo" e o "bacalhau a pataco". Nela se podia ler:

"O desastre ocorrido na banca de investimento americana, da crise do subprime à falência do Lehman Brothers, passando pelas sucessivas intervenções sobre os gigantes do crédito hipotecário, a Fannie Mae e a Freddie Mac, e pela seguradora AIG, associado às crises bolsistas, tem sido pasto para inúmeros comentários. Estes são distribuídos por todo o espectro político, mas mais estridentes à medida que se caminha para a esquerda, para a esquerda socialista, já que a comunista e a extrema-esquerda alter-mundialista sempre disseram o mesmo, contra a "economia do casino", a "loucura do neoliberalismo", a "ganância das grandes empresas", a crise da regulação, a falta de intervenção do Estado no mercado, as "imperfeições do mercado", a necessidade de subordinação da "economia" à "política". E é decretado o "fim duma época", aquela em que supostamente o "neoliberalismo" triunfou impante e a abertura de outra, em que a mão pesada do Estado e dos governos vai "controlar" os mercados para lhes dar a "perfeição" que eles não têm naturalmente. (…)
Naturalmente, como muita gente acha, os "mercados" são maus e injustos, esquecendo-se que são os mercados que estão a acabar com o Lehman Brothers e bem, que são os mercados que estão a fazer aquilo que autores clássicos da economia liberal como Schumpeter sempre disseram que faziam, destruir, que a destruição provocada pelas crises é um mecanismo fundamental de crescimento e de inovação, de pujança do modelo económico do capitalismo. A "crise" não é o sinal da crise do liberalismo, mas sim do seu normal funcionamento, em sociedades e economias que incorporam o risco e os custos como parte do seu funcionamento normal, das regras do jogo dessa mão que Adam Smith dizia ser "invisível"."

Ora, eu devo estar distraído mas o que está a suceder é tudo menos a destruição criadora e o triunfo do capitalismo. Se o Lehman Brothers foi à falência, outros bancos e instituições foram salvas com dinheiros públicos. Isto parece-me uma abordagem muito pouco capitalista, mas poderei estar enganado.

Ontem o Público noticiava que Alan Greenspan tinha testemunhado perante o Congresso manifestando-se chocado com a dimensão da crise financeira. Segundo afirmou: "Há 40 anos ou mais que tinha uma evidência muito clara de que o mercado livre funcionava muito bem. Presumi, erradamente, que o interesse próprio das organizações, nomeadamente dos bancos, era suficiente para que eles protegessem os seus accionistas."

Hoje, novamente o Público, tem como notícia de primeira página a crise económica mundial: SEVERA, PERSISTENTE, PROFUNDA.

Há muitas formas de encarar os acontecimentos que contrariam as nossas crenças. Uma delas é negá-los. Pacheco Pereira faz-me lembrar o senador americano do Partido Republicano, George Aiken, que, em 1966, propôs que a melhor política para o envolvimento americano na guerra do Vietname era simplesmente declarar vitória e retirar as tropas. Talvez possamos fazer algo de semelhante: injectemos quantidades astronómicas de dinheiros públicos nos mercados e proclamemos o triunfo do capitalismo liberal tal como este tem sido entendido nos últimos 25 anos.

23 outubro, 2008

Da ignorância dos alunos do ensino superior

Há 20 anos atrás Luís de Mascarenhas Gaivão publicou a História de Portugal em Disparates, uma recolha de frases sobre história de Portugal que o autor foi coleccionando a partir da sua experiência de professor.
Pessoalmente também tenho a minha pequena colecção e, ouvindo colegas meus, partilho o riso e, mais raramente a tristeza, face às frases que vamos lendo nos exames e nos trabalhos dos nossos alunos. Aqui vai uma pequena amostra.

• Uma colega, numa das suas aulas, referindo-se a um determinado acontecimento, classificou-o como uma revolução coperniciana. Um dos alunos, por sinal um daqueles que, com espírito solidário, empresta os seus apontamentos das aulas aos seus colegas, percebeu e escreveu revolução com persiana…E assim, no exame, várias foram as respostas que trataram de colocar persianas à referida revolução! 

• Num exame eram apresentados num quadro as vítimas civis da 1ª e da 2º Guerras Mundiais, e pedida uma análise das causas do aumento das referidas vítimas. Um dos alunos começou a sua resposta afirmando que na 2ª Guerra Mundial, por comparação com a anterior, as vítimas civis tinham aumentado gastronomicamente!

• Numa aula um professor descreveu Viriato como resistente à invasão romana, descrevendo-o como um bandoleiro. Uma aluna escreveu no exame que Viriato era um paneleiro!

• Os três exemplos anteriores fora-me contados. Este passou-se comigo. Numa das minhas aulas explicava que as transições para a vida adulta em tribos primitivas se processavam através de rituais de iniciação, por contraponto às nossas sociedades em que os marcadores dessa transição são muito mais difusos e difíceis de delimitar. Mostrava um documentário sobre esses rituais em duas tribos africanas e colocava os alunos a trabalhar em grupo com base no material visionado. Afirmava que os rituais assumiam formas muito diversas, mas que era relativamente vulgar em determinadas zonas do globo que o ingresso na vida adulta no caso de homens se fizesse por intermédio de cerimónias em que a circuncisão ocupava um lugar central. 
Uma aluna escreveu-me no exame que os rituais masculinos envolviam frequentemente a castração! Esta mesma aluna pediu-me para ver o exame e mostrei-lhe o comentário que tinha escrito  na  margem  da  sua folha de resposta. “Coitados dos membros desta tribo. Extinguiram-se no espaço de uma geração.” Disse-lhe que se tinha enganado ao escrever castração mas ela afirmou-me que a sua resposta estava certa até porque tinha visto um documentário na televisão sobre o assunto. Pedi-lhe que consultasse o dicionário para perceber diferença entre castração e circuncisão. Não sei se fui bem sucedido… 

   

21 outubro, 2008

"DESDOBRÁVEL" desdobrado do OE2009 - Ministério 15

Financiamento médio (€) previsto para 2009, por aluno inscrito em 2007/2008

ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE COIMBRA - 5.846
ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA - 7.156
ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DO PORTO - 6.222
ESCOLA SUPERIOR DE HOTELARIA E TURISMO DO ESTORIL - 5.461
ESCOLA SUPERIOR NÁUTICA INFANTE D.HENRIQUE - 8.848
INSTITUTO POLITÉCNICO BRAGANCA - 5.008
INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA - 4.827
INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA - 6.254
INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO - 5.365
INSTITUTO POLITÉCNICO DE COIMBRA - 5.080
INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA - 5.500
INSTITUTO POLITÉCNICO DE LISBOA - 3.159
INSTITUTO POLITÉCNICO DE PORTALEGRE - 6.152
INSTITUTO POLITECNICO DE SANTARÉM - 6.051
INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETUBAL - 4.659
INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR - 3.379
INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO - 5.706
INSTITUTO POLITÉCNICO DE VISEU - 4.520
INSTITUTO POLITÉCNICO DO CAVADO E DO AVE - 3.627
INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO - 3.029
INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA - 3.938
INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DE LISBOA - 4.244
INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DO PORTO - 3.846 ________________________
UCOIMBRA - FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA - 6.240
UCOIMBRA - FACULDADE DE MEDICINA - 8.900
ULISBOA - FACULDADE DE BELAS-ARTES - 4.462
ULISBOA - FACULDADE DE CIÊNCIAS - 7.539
ULISBOA - FACULDADE DE DIREITO - 2.278
ULISBOA - FACULDADE DE FARMÁCIA - 6.322
ULISBOA - FACULDADE DE LETRAS - 4.619
ULISBOA - FACULDADE DE MEDICINA - 6.528
ULISBOA - FACULDADE DE MEDICINA DENTÁRIA - 8.750
ULISBOA - FACULDADE PSICOLOGIA E CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO - 4.323
ULISBOA - INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS* - 120.994
ULISBOA - REITORIA - 993 UNIVERSIDADE ABERTA - 2.095
UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR - 5.517
UNIVERSIDADE DA MADEIRA - 5.522
UNIVERSIDADE DE AVEIRO - 6.922
UNIVERSIDADE DE COIMBRA - 6.669
UNIVERSIDADE DE ÉVORA - 7.237
UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO - 5.533
UNIVERSIDADE DO ALGARVE - 6.577
UNIVERSIDADE DO MINHO - 5.971
UNIVERSIDADE DOS AÇORES* - 13.160
UNL - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PUBLICA* - 13.618
UNL - FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA - 7.318
UNL - FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS - 8.968
UNL - FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS - 4.160
UNL - FACULDADE DE DIREITO - 3.563
UNL - FACULDADE DE ECONOMIA - 5.248
UNL - INSTITUTO DE TECNOLOGIA QUIMICA E BIOLOGICA* - 62.308
UNL - INSTITUTO HIGIENE E MEDICINA TROPICAL* - 87.057
UNL - INSTITUTO SUPERIOR ESTATISTICA E GESTÃO DA INFORMAÇÃO - 5.827
UNL - REITORIA - 363
UP - FACULDADE CIÊNCIAS DO DESPORTO E EDUCAÇÃO FISICA - 4.424
UP - FACULDADE DE ARQUITECTURA - 4.650
UP - FACULDADE DE BELAS-ARTES - 4.694
UP - FACULDADE DE CIÊNCIAS - 6.442
UP - FACULDADE DE CIÊNCIAS DA NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO - 4.115
UP - FACULDADE DE DIREITO - 2.693
UP - FACULDADE DE ECONOMIA - 4.149
UP - FACULDADE DE ENGENHARIA - 6.945
UP - FACULDADE DE FARMACIA - 5.623
UP - FACULDADE DE LETRAS - 3.839
UP - FACULDADE DE MEDICINA - 8.872
UP - FACULDADE DE MEDICINA DENTÁRIA - 8.266
UP - FACULDADE DE PSICOLOGIA E CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO - 6.557
UP - INSTITUTO CIÊNCIAS BIOMÉDICAS ABEL SALAZAR - 6.843
UP - REITORIA - 1.062
UTL - FACULDADE DE ARQUITECTURA - 5.046
UTL - FACULDADE DE MEDICINA VETERINARIA - 9.021
UTL - FACULDADE DE MOTRICIDADE HUMANA - 6.731
UTL - INSTITUTO SUPERIOR CIÊNCIAS SOCIAIS POLITICAS - 3.110
UTL - INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA* - 11.550
UTL - INSTITUTO SUPERIOR DE ECONOMIA E GESTÃO - 4.599
UTL - INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO* - 11.948
UTL - REITORIA - 319

______________________________________
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA - 637
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA - 307
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE BRAGANCA - 323
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE CASTELO BRANCO - 273
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE COIMBRA - 178
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE LEIRIA - 493
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE LISBOA - 262
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE PORTALEGRE - 432
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE SANTAREM - 288
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETÚBAL - 217
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR - 178
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE VIANA DO CASTELO - 483
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DE VISEU - 263
SAS - INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO - 131
SAS - UNIVERSIDADE BEIRA INTERIOR - 460
SAS - UNIVERSIDADE DA MADEIRA - 534
SAS - UNIVERSIDADE DE AVEIRO - 437
SAS - UNIVERSIDADE DE COIMBRA - 587
SAS - UNIVERSIDADE DE ÉVORA - 388
SAS - UNIVERSIDADE DE LISBOA - 299
SAS - UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO - 460
SAS - UNIVERSIDADE DO ALGARVE - 337
SAS - UNIVERSIDADE DO MINHO - 472
SAS - UNIVERSIDADE DO PORTO - 291
SAS - UNIVERSIDADE DOS AÇORES - 568
SAS - UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA - 229
SAS - UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA - 267.


Financiamento global (previsto 2009) - €

ESTÁDIO UNIVERSITÁRIO DE LISBOA - 5.680.000
FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E TECNOLOGIA, I.P. - 654.236.704
INSTITUTO DE INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA E TROPICAL, I.P. - 8.059.561
INSTITUTO DE METEOROLOGIA, I.P. - 16.380.000


OE TOTAL- 2.550.655.869 €
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Observações:
a) os valores indicados foram encontrados com base nas informações constantes no número de alunos INSCRITOS na instituição, em 2007/2008, e não directamente nos registos do DIMAS - base de inscritos em 31 de Dezembro de 2007, como deveriam ter sido estimados.
b) Há uns quantos registos (*) muito fora dos valores encontrados para as restantes instituições ou entidades, pressuponho que o financiamento previsto e proposto leva em consideração outros factores para além do número de alunos inscritos...
c) Comentários sobre os "shares" seguirão logo que possível.
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Fontes:
1- http://www.dgo.pt/oe/2009/Proposta/Mapas/map07-2009.pdf
2- Inscritos no ensino superior no ano lectivo de 2007-2008 (por estabelecimento e curso)