29 agosto, 2008
Fundamentalismo Cristão?
25 agosto, 2008
Uma fé racional
Silly season (II)
23 agosto, 2008
O veto: precedente perigoso
19 agosto, 2008
Silly season
Todos sabemos que ela existe, que é um problema para os jornais, à míngua de notícias e de artigos de qualidade por gente que está de férias. Na falta, já é costume o inquérito, normalmente da maior marca de cretinice. Afinal, a culpa é de quem se presta a isto. Leiam só a tristeza de um inquérito do Público a Irene Pimentel, prémio Pessoa. Gente ilustre pode não ter a noção do ridículo?
Nascer do Sol ou pôr do Sol?
O segundo, porque nunca assisto ao primeiro.
Qual é a sua ideia de felicidade?
Não consigo responder a uma palavra tão complexa.
Qual é o livro que tem vergonha de não ter lido?
Ulisses, de James Joyce.
Que língua gostava de falar?
Russo.
Como se imagina a envelhecer?
Exactamente como está a ser na realidade.
A quem atira a primeira pedra?
Não atiro pedras.
Obama ou McCain?
Obama.
Sócrates ou Ferreira Leite?
Sócrates.
Qual é a cidade de que mais gosta?
Lisboa.
Lê o seu e-mail nas férias?
Sempre.
Qual é o sal da vida?
É o sal da terra.
Que Caixa de Pandora nunca abriria?
A da Pandora.
Qual o assunto de que já não pode ouvir falar?
Dos anti-semitas que não se dizem anti-semitas.
Três coisas que gostava de transmitir ao seu filho/sua filha
Liberdade, Responsabilidade e Igualdade.
Onde está o diabo?
Em lado nenhum.
Quem mandava para Marte?
Ninguém. Coitadinhos dos marcianos.
Trocava Portugal por outro país para viver?
Não.
Qual é o seu museu preferido?
O museu judaico de Berlim
Como gostava de ser recordado(a)?
A prazo, ninguém é recordado.
Que pergunta gostava que lhe tivesse sido feita neste inquérito?
"Já tomou seu Toddy, hoje?"
Tristezas portuguesas
Évora é a cidade central de uma vasta região portuguesa, tem para cima de 40.000 habitantes, tem uma boa tradição cultural e um património invejável, tem uma companhia de teatro, tem uma universidade com vários cursos na área cultural e com uma população jovem educada e certamente com apetência para a cultura. Mas só tem duas salas de cinema e que talvez fechem daqui a dias. Não dá para acreditar.
13 agosto, 2008
Um pezinho de Nemesis
Já há uns dias, percorrendo a minha blogosfera favorita, li a seguinte informação: Licenciatura pode custar €13 mil - barata a feira, pensei intrigadíssima - mas, anteontem, rececebi por mail uma cópia do texto original, que - sob aboluta consciência de estar a cometer um pecado capital - vos deixo aqui neste post. 
Contudo concordo com todos que dizem serem difíceis de engolir os resultados das decisões pessoais por votos de extrema pobreza, quando se opta pela frugalidade da vida num Carmelo de Irmã(o)s Descalcinha(o)s...
12 agosto, 2008
Todo o homem tem um preço
Uns dos aspectos que me chamou mais a minha atenção eram as provocações que alguns dos ouvintes faziam aos oradores. Aproximavam-se da pequena multidão que rodeava um palestrante, em poucos minutos apercebiam-se da sua linha de argumentação e disparavam duas ou três perguntas embaraçosas, divertindo-se a ver como ele se desenvencilhava. Ao fim de pouco tempo desapareciam e iam escolher outra vítima das suas incursões.
‒ É corruptível por dinheiro?
O velho anarquista cofiou as suas longas barbas brancas, levantando os olhos em busca de inspiração. Sabendo da aversão dos anarquistas pelo dinheiro olhei para o orador à espera da sua resposta. Depois de alguns segundos ele respondeu tranquilamente:
‒ Por dinheiro julgo que não. Mas talvez fosse por uma boa refeição…
11 agosto, 2008
Ainda o Público
O Público costuma ser meu bombo de festa, nestas notas. É natural, para quem desde muito jovem tem o hábito absoluto de comprar diariamente um jornal. Diz asneiras, tem erros incríveis factuais ou de português, mas, comparado com o DN, ainda tem maior frescura e vivacidade. Lá o vou comprando.
Uma coisa interessante do jornal, e positiva, do mal o menos, é algum compromisso entre director e redacção (ou talvez entre a margem de manobra do director e as orientações do patrão). Em geral, no domínio do noticioso e do comentário, o jornal parece-me de um pluralismo objectivo e equilibrado. Diferente é a situação do que costuma ser domínio do director, a secção de opinião.
José Manuel Fernandes (JMF) garante uma gama de opinadores permanentes de extensão satisfatória, com Júdice à direita, Vital Moreira muito identificado com o actual governo, António Vilarigues “his master voice” do PCP. Diferente é o domínio de controlo de JMF. Começa pelos editoriais, do mais conservador, liberal de direita, neocon. Depois, a selecção de artigos de opinião avulsos. Ainda hoje, como frequentemente, são exemplo das posições mais retrógradas em relação a problemas societais modernos. Hoje é sobre a eutanásia, mas já tem sido em relação ao casamento de homossexuais, ao divórcio, ao aborto. Visto nesta perspectiva, o Público seria bem aceite como jornal oficioso do Opus Dei. Ai, jovens maoístas convertidos em entradotes ao charme discreto da burguesia!
Nota - Não sei se os meus leitores têm seguido o Público no que diz respeito à nova lei do divórcio, nomeadamente o que escreveram sobre isto no dia da comunicação do PR sobre o estatuto dos Açores. O perigo é que o jornal o faz com habilidade, condicionando muitos leitores.
07 agosto, 2008
Aforismo
"Se o discípulo não ultrapassar o mestre então o mestre falhou."
Provérbio zen citado por Allen Ginsberg em No Direction Home, documentário de Martin Scorcese sobre o início da carreira de Bob Dylan.
06 agosto, 2008
Arte colonialista?

Nos meus dois anos de vida em Angola, entre 1970 e 1972, impus-me a regra de tentar fazer desse prejuízo para a minha vida profissional e familiar um desafio a ficar-me na memória aquela terra. Acho que consegui, ainda hoje me sinto muito angolano, contraste extremo com ser muito açoriano. Entre muitas coisas desse aproveitar Angola, destaca-se a conquista de amizades com gente notável, de muitos e variados tipos, brancos e pretos, elite e povo.
Um foi o “velho”, exemplo de qualidade intelectual e moral, de juventude e abertura de espírito. A minha então mulher, sua colega jovem de ofício, trabalhou com ele e partilhava comigo a admiração por esse homem que já é altura de identificar: Vasco Vieira da Costa, arquitecto, radicado em Angola há muitos anos, depois de um percurso profissional notável que incluiu um estágio com Le Corbusier.
Não sou arquitecto, mas é arte que me fascina e em que julgo poder opinar acertadamente. Costumo dizer que, ao contrário do turista das compras que só olha para o rés-do-chão, as cidades só me provocam o olhar a partir do 1º andar. Ora, da influência de Corbusier em Portugal, fora o Hotel Casino no Funchal e o casino, do seu discípulo Niemeyer, ressalta o mercado do Kinaxixi (Quinachiche) em Luanda, com a demais-valia de um excelente trabalho de adaptação ao calor e à luz tropical.
É esta obra que está a ser demolida. Protesto, com a autoridade de sempre ter tido uma posição anticolonial e de me ter batido publicamente por ela. Isto não significa uma concordância acéfala, se calhar complexada, como me parece ver em muitos casos, com o desprezo dos novos países pela obra que os portugueses lá fizeram e que deve fazer parte do seu património cultural. Os pecados da dominação política, da exploração económica, não devem escamotear o que se deixou de bom, inclusivamente como, neste caso, feito por homens que se opunham ao colonialismo. E eu testemunho isto, meu caro “velho”, como lhe chamava sempre o nosso comum amigo Valério.
04 agosto, 2008
Os centros
Num artigo a não perder, no Público de hoje, Nuno Guimarães, presidente dos conselhos directivo e científico da Faculdade de Ciências de Lisboa, aponta como uma das soluções para a reforma estrutural da educação superior uma coisa que ainda considero surpreendente, depois direi porquê:
“a convergência das unidades de investigação com os departamentos universitários, reforçando a integração formal dos investigadores nas actividades de ensino.”
Não creio que seja sinal de imodéstia lembrar o que os meus leitores habituais sabem bem. Pelo menos desde o meu livro “A universidade no seu labirinto”, de 2001, que venho a bater-me por isto, sempre sem sucesso. Mesmo amigos que estão em grande concordância comigo, em geral, não partilham abertamente esta minha opinião, muito menos os que têm interesses, mesmo que legítimos, investidos nos centros. Por isto, é com surpresa que leio agora este escrito de Nuno Guimarães. Já somos dois.
02 agosto, 2008
Há salpicos iguais ao litro
As recentes posturas das organizações de classe que referem-se dominantemente à disponibilização de um número "excessivo" de vagas, de "facilitismos" e/ou de "tipologias" de formações oferecidas, quase sempre hipoteticamente prejudiciais aos respectivos feudos.
Desculpem, no caso das Ordens não são feudos, são territórios mal demarcados que se pretendem ilimitadamente expansíveis, mas inexpugnáveis..., desculpem não são nada disso, são domínios de interesses privados restritos .., desculpem, representam tão somente um responsável incentivo à consciência, consolidação e desenvolvimento do conhecimento das respectivas profissões (desde que só de poucochinhos e (c)ordeiros), no estrito interesse "do bem comum e da felicidade geral da nação" - são isto, e só isto!
Começo, desde logo, por me espantar a sua ampla bagagem intelectual eclética, ilimitada e especializada em muitas e desvairadas competências: Diante de plateias de ambito nacional, há sempre vigorosos palpites sobre todas as áreas e ramificações de engenharia - desde a localização dos aeroportos, ao urbanismo territorial, às explicações de acidentes de combóios, ou aos fundamentos de exorbitâncias de prazos e orçamentos de construção de túneis e pontes, passando pela Energia Nuclear, Energia Eólica, Biocombustíveis ou pela Eficiência Energética.
No seu conjunto, a classe de engenheiros autorgados emite juízos espantosos (em defesa de causa própria) sobre o Processo de Bolonha, rematando com explicações tenebrosas que justificam a cuidadosa selectividade da sua agremiação - não basta para a aceitação académica reunirem-se 300 ECTS na área de formação, estes devem ser reunidos numa ordem sequencial aristotélica-socrática, próxima ou melhor exacta dos mestrados integrados, a cujo 1º ano (mestrado)?/4º ano (formação integrada)? se acede de qualquer outra instituição, está bem de ver...
É claro que estes mestrados integrados não precisaram de colocar formandos no mercado de trabalho, nem de compassos de espera próprios à vistoria criteriosa de acreditação qualificação, de cerca de 18 meses, porque estes formandos, ou melhor, as suas instituições formadoras, estão automaticamente reconhecidos.
Se não, vejamos EXTRACTOS de alguns dos dizeres do Bastonário ou até de requisitos Estatutários da Ordem dos Engenheiros - não bate nunca o lé com o cré:
i - Depois de ensino secundário com formação insuficiente. Ordem dos Engenheiros critica facilitismo para entrar nalguns cursos. (09-07-2008)
ii - Os acessos ao ensino superior por alunos de mais de 23 anos sem o 12º ano é também uma falta de exigência. (-)
iii - Temos hoje no mercado licenciados de três anos, de cinco e de seis. E eu pergunto se acham que as competências de quem tirou de cinco anos ou de seis se são iguais a quem se formou com três anos (-)
iv - Os alunos que concluam o 1º ciclo dos cursos adaptados ao Processo de Bolonha poderão candidatar-se à Ordem dos Engenheiros (OE). Entre as propostas apresentadas ao Governo pelo bastonário da Ordem está ainda a criação de dois graus de engenheiros, (19-07-2007)de aco
19-07-2007
v - " Não significa que nas privadas não haja bons cursos, o que acontece é que há mais doutorados nas públicas, os docentes têm contratos mais estáveis do que nas privadas e o próprio mercado diferencia isso. Ficaria muito satisfeito se todos os cursos de Engenharia estivessem acreditados”, refere o bastonário da OE." (-)
vi - ..."a entrada na Ordem passa por um exame e esse sistema de acreditação não tem mais nenhum objectivo do que estabelecer, de forma criteriosa e pragmática, o modelo que leva a que alunos de determinados cursos possam ser dispensados deste exame". (10-12-2007)
vii - 70% dos engenheiros civis chumbam na Ordem (-)
viii - "Bastonário Fernando Santo, pensa que se deveria diminuir ao numero de vagas (...) nas Universidades" (-)
ix - "Acedi ao site www.acessoensinosuperior.pt e consultei a lista em excel que lá tem". (-)
Em 2007, foram cerca de 540 os candidatos à Ordem que tiveram de realizar um exame e a maioria não passou. (-)
x - Fernando Santo recorda que, em Portugal, cerca de 70% dos actos de engenharia não estão regulados. "Ou seja, é o mercado que escolhe e, nesse contexto, cresce a exigência de qualidade"
(04-09-2007)
xi -"Exige-se uma formação de ensino superior acumulada de 5 anos (ou 300 créditos ECTS, usando a referência de avaliação de trabalho introduzida pelo Processo de Bolonha) para uma formação que confira a capacidade e responsabilidade de intervenção a todos os níveis de actos de engenharia." (18-10-2004)
xii - "A aplicação do Processo de Bolonha alterará profundamente o contexto das formações em Engenharia em Portugal, pelo que trará consequências imediatas no âmbito profissional. Com a reestruturação do sistema de formação na área da engenharia, nascerão vários perfis de formação a que se associam níveis de competência em actividade de engenharia". (18-10-2004)
xiii - Há que reconhecer que estamos numa profissão sem regulamentação profissional. (-)
A acreditação dos cursos consiste na verificação de que estes obedecem a critérios definidos nos termos do nº 2, b) do Artº 7º dos Estatutos:Definir critérios objectivos de dispensa de provas de admissão, a rever periodicamente os quais se basearão nos currículos dos cursos, nos meios de ensino e nos métodos de avaliação. REGULAMENTO DE ADMISSÃO E QUALIFICAÇÃO. Versão Aprovada - AR (18-10-2004)
xiv - A Ordem dos Engenheiros afirmou hoje estar disposta a admitir todos os alunos licenciados em engenharia após a Reforma de Bolonha desde que os diplomas sejam de cursos reconhecidos pelo Governo e após uma mudança nos estatutos da Ordem (18-07-2007)
xv - Cerca de 70% de todos os licenciados em Engenharia Civil que em Fevereiro deste ano fizeram exame de admissão à Ordem dos Engenheiros (OE), chumbaram, “mesmo com a possibilidade de ir a oral a partir de 6,5 valores”. E alguns revelavam um desconhecimento tal que "nem sabiam dizer quantos litros de água cabem num metro cúbico". (10-12-2007)
Tem muita razão o Senhor Bastonário nessa grande máxima sobre mililitros e metros cúbicos.
Sabe Deus como ele se arrepiaria de ouvir (como eu OUVI) as confusões reinantes entre kVar e kWh (estes que vejo, por escrito, kW/hora - seja lá o que isto for) para assinaturas de contratos em que a potência (reactiva para fornos de padeiro) e energia são, indiferenciadamente iguais entre si e ao litro, que também testemunhei RECENTEMENTE - não passaram ainda duas semanas - mas nem lhes conto aonde nem a quem... (Não foi a ele! Graças a Deus!). Nem lhes poderia adiantar identificações porque, desde aí, fiquei catatónica.
É por causa disso que eu gostaria que TODOS os formandos em qualquer Engenharia fizessem exame INDIVIDUAL para admissão à Ordem! Penso mesmo que não chegariam a ser aprovados aos actuais 30% na área de civil, nem de qualquer das outras. Aposto!
________
http://www.ordemengenheiros.pt/Default.aspx?tabid=2843
28 julho, 2008
25 julho, 2008
500 euros
24 julho, 2008
"spanish moss"
Fico empolgadíssima por ter ficado a saber que, em Portugal, Plantas e Animais humanos ou não, somos todos, mas todos mesmo, "autotróficos", tal como dizem alguns entendidos sobre a plantinha cinzenta da fotografia - "Spanish moss".ISTO É QUE É UM AVANÇO PARA O CONHECIMENTO!
Como é que eu sei, perguntar-me-ão?
1- Por aqui:
Sei porque o Senhor Ministro da Ciência e Ensino Superior não se cansa nunca de falar em Investigação e dentro desta da Alimentação. "16/07/2008. UE: Mariano Gago participa em reunião de Ministros da Competitividade responsáveis pela investigação"
Extracto:
Os participantes, que procurarão chegar a acordo sobre as linhas de desenvolvimento do Espaço Europeu de Investigação até 2020, deverão produzir um documento preliminar de estratégia, na sequência das conclusões sobre o Futuro da Ciência e da Tecnologia na Europa, adoptadas em Dezembro último por iniciativa da presidência portuguesa. Os ministros tratarão ainda especificamente da investigação necessária em domínios como a alimentação e os ecossistemas, a energia e as alterações climáticas, a saúde e o envelhecimento, e a sociedade da informação.
Assunto: delineamento de estratégia de Investigação Agrária no quadro da União Europeia
1- Portal do “Standing Comittee on Agricultural Research portal – SCAR net” http://mail.esac.pt/exchweb/bin/redir.asp?URL=http://ec.europa.eu/research/agriculture/scar/index_en.cfm?p=3_foresight
(anexo: foresighting_food_rural_and_agri_futures.pdf)
.
E digo-lhes mais, meus caros e raros leitores, até estamos a ficar muito competentes neste domínio e, alguns de nós, como a minha própria pessoa, são até competentíssimos!
Sabiam isto? Ah! Meus amigos, eu também não!
23 julho, 2008
Retrocesso
A nova Directiva de Retorno da União Europeia é um retrocesso da política europeia de imigração, bem ao gosto dos que gostam de uma “Europa fortaleza”. Acerca disto, e contra os meus princípios de respeito pelos direitos de publicação, divulgo no meu sítio, com total concordância com ele, um muito bom artigo de opinião de José Vítor Malheiros, “Retorno à directiva da vergonha”, no Público de ontem (online só para assinantes). Para abrir o apetite, deixo um parágrafo.
“Não posso ser mais claro: não há nenhuma justificação ética para expulsar uma criança sozinha que nos bate à porta. Nenhuma. É uma vergonha fazê-lo. É uma vergonha sugeri-lo. É uma vergonha legislar para que isso seja feito. É uma vergonha defendê-lo. É uma vergonha fazer leis para aplicar apenas aos filhos dos outros, quando viraríamos o mundo do avesso para que elas não fossem aplicadas aos nossos filhos. É uma vergonha, uma vergonha e uma vergonha.”
22 julho, 2008
Águas negras
i) Verbas para Superior causam mal-estar entre reitores;
.
Será que o Primeiro Ministro se condoi da constante indingência dos Senhores Reitores?
Será que o Senhor Ministro das Finanças muda de ideias?
Será que o Senhor Ministro da Ciência e Ensino Superior está a ficar com coração de manteiga, e desiste de uma boa parte da sua actividade das relações internacionais, em favor de ressarcir despesas não planeadas pelos Senhores Reitores?
Será que o nosso PIB tem elastecidade e flexibilidade suficiente para que todos abramos a boca num berreiro?
Poderão de repente as nossas empresas, verdadeiramente, privadas passar a custear a maior fatia do bolo, teoricamente, necessário para que as nossas instituições de ensino superior se mantenham por uns tempos sem incomodarem com as choradeiras?
Será que os nossos concidadãos conseguem gerir a má digestão epidémica, que se prevê que ocorra, caso se desviem verbas para a educação superior, de utilidade imediata por comprovar, quando têm que gerir as suas próprias dívidas que ascendem ao valor de quase outro PIB nacional?
Será que os cursos mais caros serão os que conferem melhores competências? - Esta é só um cusquice minha!
Não tenho dúvidas. Como nadamos sempre em águas negras, o futuro da educação superior, e na verdade o futuro de Portugal, para muitos de nós, tem ainda um valor demasiado abstracto!
Afinal depois do encontro de hoje, com o Primeiro Ministro tudo continua na mesma:
"....não foi possível associar um número a cada um dos orçamentos"
Muito me admiraria que se conseguisse!
**
Ver em http://www.esnips.com/web/pedinchice, o texto na versão *.pdf intitulado:
Verbas para Superior causam mal-estar entre reitores.pdf
Não dá para crer!
Só conheço superficialmente o ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, mas tinha-o por homem inteligente e avisado. Qual não é o meu espanto ao ler hoje, na crónica habitual de Nuno Pacheco no Público, esta pérola (itálico meu a chamar a atenção para as afirmações (?) do ministro).
"Não era o caso do apressado D. João VI, como se viu, nem o caso do ministro que agora temos. Para este, o relevante é que agora haja um acordo ortográfico tão simples que se aprende em 10 minutos mas que precisa de acções de formação para professores que ameaçam durar anos. Mas não foi só isso que ele nos ensinou. Também disse, citando um livro que leu e muito o impressionou, que uma das causas do falhanço em muitos casamentos é a falta de vocabulário. Os maridos excitam-se, balbuciam umas letras, ficam roxos e como lhes falta vocabulário, batem nas mulheres. Magistral revelação! De hoje em diante, os conselheiros matrimoniais, em lugar de conselhos, devem oferecer dicionários aos desavindos. Se tiverem, claro, o cuidado de não lhes sugerir o Dicionário da Academia pois, de tão pesado, pode ser usado como arma mortal."
21 julho, 2008
Os mandamentos das raças
Publicado por um grupo de biólogos da Universidade de Stanford, preocupados com a utilização abusiva de “argumentos científicos” na defesa do racismo.
1. Todas as raças são iguais, não há nenhuma base científica para dizer que uma é superior a outra.
2. Dois portugueses podem ter mais diferenças genéticas entre si do que em relação a um chinês: não há uma relação entre a variação genética e a distribuição geográfica.
3. Os genes não definem toda a ascendência de uma pessoa: factores como a cultura e os factores sociopolíticos da sociedade em que se insere podem ser ainda mais importantes.
4. Membros do mesmo grupo étnico ou raça podem ter uma genética muito diferente - há várias populações diferentes que cabem na classificação de "hispânicos", por exemplo.
5. Características comportamentais completas, como os níveis de inteligência ou a tendência para actos violentos, não se podem explicar apenas pela genética.
6. Os cientistas devem ter muito cuidado ao usar grupos raciais para fazer investigação; podem estar apenas a usar estereótipos, e não categorias válidas.
7. A medicina deve concentrar-se no estudo das características de cada indivíduo, e não na sua raça. É uma ideia simplista dizer que a saúde é determinada apenas pelos genes e pode contribuir para atitudes racistas.
8. Os estudos sobre variação genética humana devem ter a contribuição de várias áreas do conhecimento, da biologia à economia e às ciências sociais.
9. Cientistas, jornalistas e outras pessoas com responsabilidades na divulgação da investigação científica devem ter cuidado com simplificações que podem ser usadas para determinados objectivos políticos.
10. Os programas escolares devem incluir não só o estudo da genética como o da história do racismo, para explicar como a ciência já foi usada para promover ideias racistas.
(Público, 20.7.2006)
19 julho, 2008
O único gato (com pedigree) da educação superior nacional
O financiamento encontrado para cada instituição é corrigido por um factor de coesão - a componente política - demasiado elástico, e dotado de excessiva longevidade, mas também é conhecido de todas as instituições.
Precavidamente, até costuma deixar de lado uma reservazinha, um tanto mixuruca, para eventuais imprevistos, e TODA ESTA informação é transmitida às instituições de ensino superior.
O financiamento anual de base, porém, não prevê - e MUITÍSSIMO BEM - pagamentos de fantasias ou de promessas eleitorais programáticas de senhores reitores ou de senhores presidentes de politécnicos.
Para outros investimentos necessários tais como infraestruras, haverá que se recorrer o depauperadíssimo PIDDAC - a precisar muito de ser reequacionado, sobretudo, no que diz respeito à programação de trabalhos de manutenção - e, para a investigação, há as candidaturas a Projectos de Investigação, e ou contratualizados com entidades públicas ou privadas nacionais e estrangeiras.
É por isso, que estranho muito que o CRUP se atreva sequer a anunciar na comunicação social que: "se não houver um reforço de 100 milhões de euros ainda para os orçamentos de 2008, as universidades ficam em grandes dificuldades financeiras que colocam em causa o pagamento de salários"
Diz-nos o Público de 18/07/2008 que:
- "Os reitores e o ministro do Ensino Superior discutiram hoje formas de resolver os problemas financeiros das instituições relativos ao ano de 2008, usando um fundo da tutela que rondará entre os 10 e os 15 milhões de euros". Estes 15 milhões de Euros devesm constituir o tal Fundinho de reserva, e que os Senhores reitores pelos vistos resolveram passar a mão, em exclusivo.
Anda bem o Senhor Ministro da Ciência parece que só decidiu fazer um levantamento - por um controlador financeiro - da situação nas universidades, ou outros dados seja, saber as verbas de que dispõem, que verbas estão em falta, números e alunos, entre outros dados;
Para mim, é claro que não sendo provável, podem existir enganos e, se os houver, precisam de ser corrigidos - deveriam ter sido corrigidos atempadamente, mas de certeza que não atingem dez dezenas de milhões de Euros, e de certeza que o fundinho de reserva mencionado como sendo de 15 milhões de Euros não é um exclusivo das Universidades Públicas.
Por isto, estou inteiramente do lado dos actuais Senhor Ministro da Ciência Tecnologia e Ensino Superior e do Senhor Ministro das Finanças - a excelência dos reitores ou dos presidentes dos politécnicos inclui muita atenção, responsabilidade e cumprimento de principios rigorosos de gestão, e não de pelourinhos aprazíveis ou delegações de pedinchice - únicas actividades a que a mim me parece se vêm dedicando com afinco, os nossos gestores de topo - e que, com ou sem RJIES, permanecem imutáveis, começo a ter receio que esta excelência, com pedigree, seja hereditária.
Sinto muito, mas é o que penso e, como sou esquecida, preciso de registar.
Se não concordarem comigo, paciência, provem-me que estou errada!
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Referência:
Fundo de tutela pode chegar aos 15 milhõesEnsino Superior: Reitores e tutela discutiram formas de resolver situação financeira relativa a 2008
18 julho, 2008
Inside information
Pessoa amiga, que faz parte da Assembleia Estatutária da Universidade do Porto (UP), vai-me pondo a par do teor das discussões que o referido órgão tem tido a propósito dos novos estatutos da UP. Como se sabe a UP foi uma das três instituições do ensino superior que aceitou a possibilidade de passar ao regime fundacional. Algumas observações sobre este processo. Em primeiro lugar, os membros externos à UP, que foram cooptados pela Assembleia Estatutária, com uma única excepção, têm primado pela ausência. Aparentemente estes membros não querem perder tempo com minudências estatutárias e cansaram-se depressa dos trabalhos de redigir os estatutos. Mau prognóstico, portanto, para o funcionamento futuro do Conselho Geral.
Em segundo lugar, a Assembleia Estatutária teve uma reunião com o ministro Mariano Gago há alguns meses atrás para analisar a possibilidade do modelo fundacional. Aparentemente o senhor ministro ter-lhes-á comunicado que via a possibilidade de somente um número muito reduzido de universidades portuguesas passar ao regime fundacional. Defendeu, igualmente, que rejeitaria o regime fundacional da UP caso os institutos de investigação (IPATIMUP, IBMC, etc.), não integrassem formalmente a universidade. Estes laboratórios associados de grande prestígio, que foram construídos à margem da UP, temeram, compreensivelmente, a perda da sua autonomia e dos padrões de excelência que construíram.
Esta semana as exigências dos laboratórios foram apresentadas à Assembleia Estatutária: queriam deter o monopólio da formação pós-graduada nas suas áreas científicas, objectivo ilegal face ao RJIES e que configuraria um esvaziamento dos cursos de pós-graduação de várias faculdades da UP.
Parabéns Nelson Mandela

Nelson Mandela faz hoje 90 anos. É um dos exemplos maiores da luta pela liberdade e dignidade humanas. No julgamento que o condenou a prisão perpétua Nelson Mandela, após uma longa intervenção de mais de quatro horas, afirmou:
"Durante a minha vida, tenho-me dedicado a esta luta do povo africano. Tenho lutado contra a dominação branca e contra a dominação negra. Tenho acalentado o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas possam viver juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para cuja concretização espero viver. Mas, se for necessário, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer."
Shame on you!
Há uns meses, a Universidade Metropolitana de Londres concedeu um doutoramento honoris causa ao Dalai Lama. O assunto parecia esquecido até que, recentemente, a imprensa chinesa o levantou, criticando a universidade, logo seguida pela incipiente comunidade chinesa internética, que apelou a um boicote às universidades inglesas.
O vice-chanceler (equivalente aos nossos reitores) Brian Roper apressou-se a exprimir desculpas públicas à China e lamentou a concessão do grau numa carta oficial ao embaixador chinês. Talvez não seja indiferente a tudo isto que a universidade tem 434 estudantes chineses, o que não é negligível em termos de propinas em tempos de vacas magras.
17 julho, 2008
Beba com moderação...
Ainda meio ensonado saio do metro e arrasto-me até a um café e snack-bar onde costumo beber o meu segundo café da manhã. Quando me dirijo à caixa para pagar reparo num aviso, ao lado da máquina registadora, que até então me tinha passado despercebido:
SÓ SERVIMOS BEBIDAS ALCOÓLICAS DEPOIS DAS 9.30.
É reconfortante saber que alguns empresários, num país com uma taxa tão elevada de consumo de álcool, levam a responsabilidade social a sério...