17 março, 2008
Um ouriço para mim, outro para....
Só posso ser sádica!
Não me perguntem pormenores, porque também não os quero transcrever num blog, nem eu os saberia reproduzir como esta região e seus habitantes, na sua maioria, talvez mereçam.
Ultimamente, tenho dominado a minha tendência para desbocar, porque já não sei se é Portugal que está a ficar muito estranho, ou se sou eu que estou a estranhar Portugal - alguém seguramente está a ficar esquizofrénico. Espero, sinceramente, que seja eu!
A verdade, é que me é dito, aqui, que a "nossa" castanha é tida pela investigação do sector, como o petróleo de Portugal.
Pode ser verdade, mas faço notar que esta exploração nacional não integra uma OPEP, que defenda os seus produtores - por exemplo, não percebo, porque é que atravessando a fronteira (meia dúzia de quilómetros) a produtividade duplica....
Será isto um resultado de deficiente técnica agrícola, ou apenas deficiente estrutura económica, ou simples desinformações especulativas, que circulam com a complacência de todos?
Assim, a castanha cá em cima acaba por induzir intricadas cadeias dos produtos e serviços promotores de uma sociobiodiversidade deveras intrigante, que agrega valor, exclusiva e selectivamente, em proveito próprio, e vai consolidando um intrincado e improvável, mas aqui possível, mercado insustentável.
A depauperação da região e do país acontece, perante todo um impávido sistema regulador caríssimo, a comportar-se tal como eu - apostado em assistir, placidamente, sem observar e ou intervir.
Originam-se e organizam-se, então, não empresas produtivas - geradoras de trabalho, mas, sim, nichos de tarefas aleatórias de natureza quase individual e sem rosto, que - também com a corda ainda folgada em torno da garganta, mas perante a inevitabilidade deste tipo de actividades ter, forçosamente, um fim num horizonte relativamente próximo - vão sobrevivendo de expedientes, e das espertezas saloias que tão bem nos caracterizam.
Por outro lado, pareceu-me poder registar nos produtores das castanhas o sentimento de frustração peculiar de quem paga exagerados impostos, pelo suporte estatal inexistente que recebem em troca.
Sabe - dizia-me alguém - a vida dos pequenos produtores de castanha, aqui, é muito difícil, é como se na época da apanha das castanhas eu repartisse os ouriços assim: um para mim, outro para o Sócrates.... um para mim, outro para o Sócrates,,,, um para mim, outro para o Sócrates.....; porque é que, pelo menos, ele não manda ninguém cá, para apanhar os dele?
Hoje não lhes falei de nenhum nível de educação pois não? Ou, pelo contrário, nem parei sequer de falar disso?
16 março, 2008
Pai de cabeção?
A agenda da CONFAP converge bastante com a do ME, mas é imperioso que se diga que também converge imenso com os dirigentes escolares e professores com quem lidei. O que esta ministra não está a saber fazer é puxar por muitos e muito bons para apoiarem as reformas e encorajá-los a defrontar as inevitáveis pressões da colecção dos medíocres.
Fui sempre membro activo da associação de pais, até há cinco anos, quando o meu filho entrou na universidade. Não creio que a situação se tenha modificado. no entanto, também não posso garantir que a situação que vivi possa ser generalizada. Lidei com dois presidentes de conselho directivo excepcionais em clarividência, bom senso e sentido da liderança. Eram os primeiros a reconhecer que essas suas capacidades e o seu espírito de missão ficavam limitadas por um excesso de “gestão democrática” da escola mas, principalmente, pela insuportável burocracia do ME e da DREL.
A minha outra experiência relevante, dessa época, é a do apreço pela grande dedicação e esforço da parte mais substancial dos professores. Até era notório uma coisa exemplar. Nas minhas duas associações, os outros membros da direcção eram maioritariamente professores, com a regra de que só professores de outras escolas. Depois do seu trabalho, ainda tinham pachorra para ir às nossas reuniões tratar de assuntos de uma escola em que eram só pais, não professores. A meu ver, o movimento dos professores, como colectivo, está a cometer erros. Mas toda esta gente excelente que eu conheci deve estar espalhada por todo o país e não merece a forma como é tratada.
Tudo isto vem a propósito de um artigo de opinião do Público do último sábado, “Boa educação”, um exemplo flagrante do maior conservadorismo e da defesa do ensino privado, coisa que, na educação, já é deriva a que o jornal nos vem habituando. Assina o artigo Gonçalo Portocarrero de Almada, que se intitula vice-presidente da Confederação Nacional de Associações de Família. A princípio, nem pensei que não era a CONFAP, até reparar na fotografia. O autor aparece com colarinho de padre! É pai de algum aluno? E o celibato eclesiástico? O que é esta CNAF, de que nunca ouvi falar, de que nunca li nada enquanto andava pelo movimento das associações de pais?
Mas o nome diz-me alguma coisa, parece-me que já o ouvi falar em nome de uma certa entidade e fui "googlar". Confirmei. O senhor é o visconde da Macieira, o que não interessa para o caso mas dá que rir. Foi ou ainda é capelão de um colégio (S. João de Brito?) e de uma residência universitária (Pio XII?). Tem iniciativas conjuntas com Paulo Teixeira Pinto. Isto cheira que tresanda a Opus Dei. Se for, não é caso único de influência da maçonaria negra no Público.
15 março, 2008
Tempus fugit por Jorge Luís Borges
Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,
Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,
Há um espelho que me viu pela última vez,
Há uma porta que fechei até o fim do mundo.
Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Este Verão cumprirei cinquenta anos:
A morte me desgasta, incessante.
13 março, 2008
Nota gastronómica (LI)
Erros meus, má fortuna, amor ardente... Triste sina portuguesa, a traduzir-se frequentemente, como descobri agora no meu caso, em coisa bem desagradável, e com que não se brinca, a diabetes (mas também não é para dramatizar). Ao menos, vai-me justificar algum prazer inventivo, o de uma boa cozinha para diabéticos. Há por aí mais quem queira fazer comigo um blogue só com este tema "os diabéticos também merecem comer bem"?
Progressos!?
Do documento original, extraí esta frase:
"O ministro do Ensino Superior reafirmou hoje que o processo de racionalização das instituições do Ensino Superior actualmente em curso não implica o despedimento de dois quintos dos docentes universitários. "
É sempre muito agradável ver claros progressos comportamentais em pessoas que julgávamos irrecuperáveis, ou como agora se diz: "...parece que estamos no bom caminho..."!
Não, não pensem "isso" - porque se não sou partidária de um estado accionista - "golden share" aqui e ali..., - sou ainda menos aficionada de um estado previdência.
O que me encantou, na notícia de que aqui lhes falo, foi o senhor ministro dizer-nos que quer racionalizar as instituições de ensino superior. É um bom começo, e mais vale tarde que nunca.
Os meus caros e raros leitores imaginam o não que aconteceria, se não quisesse(m) racionalizar nada? Eu não consigo imaginar!
Para a empreitada de se racionalizar o ensino superior sem ferir, ou ferir o menos possível, não nos falta sequer orçamento, só precisaríamos de ter uma estratégia pluri-anual devidamente orçamentada, para o sector.
Ah! Mas eu digo-lhes o que penso que temos, para o sector:
i) Uma documentação legal sortida, dispensável por já estarem muito claras as concepções europeias- caso do "Decreto Lei Europeu" - Decreto-Lei nº 74/2006 de 24 de Março, ou mal acabada e que possibilita interpretações a gosto do leitor, quando não é mesmo apenas uma rasoeira palavrenta que ninguém entende - Lei nº 62/2007 de 10 de Setembro. Legislação esta que, conjunta ou separadamente, obriga ou possibilita vacuidades [ex: "mestrados integrados", com ingressos a meia nau, (para quê o mestrado integrado?), "especialistas" cujo conceito está para ser definido nas calendas, uma política de investigação "orientada" sem explicações, umas fundações sem Regime Jurídico, etc., etc., etc...],
ii) Umas assinaturas de meia dúzia de protocolos internacionais com custos benefícios discriminatórios, e sem critérios,
iii) Uma Agência de Acreditação "nada morta", ou fantasma,
iv) Um aconjunto de "stakeholders" incógnitos que, seguramente, não representam as sensibilidades.
v) Desses "stakeholders", só por ouvir-se dizer fazem parte "empresas" tais como a EDP e a PT,
vi) Uns quantos conselhos e palpites veiculados, sabe-se lá como, por uma comunicação social de discutível independência,
vii) Uma futura "rede de politécnicos" cujo único objectivo parece ser hegemonizar no palco astros sem talento,
vii) Uma pedra lá para o norte e um logotipo virtual para o que se diz que vai ser o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia.
Insisto que, por ora, não faz falta orçamento ao ensino superior, faz-nos muita falta sim, é uma efectiva a governação no sector, que não represente o papel de arame farpado, com dotes esporádicos de oratória.
11 março, 2008
Professores e professores
Ao contrário do ensino básico e secundário (EBS), o corpo docente do ensino superior (ES) sempre foi muito hierarquizado. Isto reflecte-se, obviamente, na estrutura de carreira. A criação de duas categorias de professores do EBS está a ser uma das grandes razões de protesto. Imagine-se o que seria a criação de uma carreira com cinco categorias, como no ES. Mais. Após um curto interregno basista a seguir à revolução, cedo os hierarcas recuperaram poderes decisivos sobre os mais novos, por via da sua participação exclusiva nos conselhos científicos e da composição dos júris. Parece-me óbvio que isto, só por si, impede uma mobilização corporativa tão global e solidária como se vê nos professores do EBS.
Outra diferença essencial é que no EBS os estudantes quase não contam. Podiam contar os pais mas a grande maioria é desinteressada. Já no ES, a situação é diversa, com grandes tensões, amiúde, entre os dois grandes corpos, resultando por vezes em eles se defrontarem entre si, deixando incólume o adversário comum, o MCTES. Um caso exemplar é o das propinas. Veja-se o que se passou em Coimbra, que resultou num divórcio do que parecia ser um casamento feliz entre o reitor e a Associação Académica. Mas, afinal, o que colocou o reitor naquela situação (que ele devia ter ponderado antecipadamente) foi a política orçamental do MCTES.
Outra característica de que o ministério tira partido é a maior afirmação institucional. Repare-se que nesta luta dos professores do EBS, nunca aparece o nome de uma escola, muito menos qualquer forma de rivalidade entre elas. Aliás, factores de rivalidade como os “rankings” acabam sempre por serem esquecidos no dia seguinte da saída nos jornais e servem muito mais é para outra guerra, a do público/privado. Já no ES é diferente e nem falo no uso hábil que é feito, com culpas diversas, da dicotomia universidade-politécnico. Falo principalmente da rivalidade entre universidades, que dificulta uma frente unida de professores.
Ainda outra diferença essencial, a da cultura de avaliação. É novidade para o EBS, mas é coisa perfeitamente assimilada no ES, a nível pessoal, de carreira, na avaliação de projectos de investigação, na avaliação de cursos. Também, honra se faça aos professores do ES, uma já largamente conquistada cultura da mudança, a consciência da necessidade de uma reforma que seja vaga de fundo.
Finalmente, arrisco-me a uma coisa que me pode valer críticas e desagrados. No EBS, é difícil o clientelismo. A rigidez burocrática do sistema, os processos de colocação, as regras de progressão salarial, a benesse para alguns (oxalá que poucos) de não terem de se moer a ensinar, tudo em grande parte escapa ao poder do ME. É diferente no ES. Claro que o que vou dizer é teórico e não tenho qualquer ideia de que assim se passe. Teoricamente, repito, não é possível ao MCTES, por via da FCT, criar um sistema clientelista de bonzos de investigação atentos, veneradores e obrigados? Teoricamente, repito, não é possível ao MCTES, pelo aperto orçamental, criar tais dificuldades à abertura de concursos que muitos acharão que ou se calam e se portam bem ou se reformarão como professores auxiliares? E até, não é possível constituir uma espécie de corte em que professores cortesãos beijam a mão, só por vaidade da recepção nas Laranjeiras?
Passando ao que chamei a segunda ordem de factores, vou tentar chamar a atenção, muito esquematicamente, para algumas diferenças essenciais de política entre a ME e o MCTES. Começa logo por isto de MCTES, que demonstra habilidade política do ministro. Em 1995, sei eu muito bem, tudo indicava que o actual ministro ia ser MCTES e acabou por recusar e exigir ser só MCT (ciência e tecnologia, lembram-se?). Com isto, fez inegável bom trabalho, ganhou prestígio e atirou para cima de Marçal Grilo a batata quente das propinas. Goste-se ou não, deve-se reconhecer que isto é traquejo político, coisa antiga das lutas estudantis, como já disse, coisa a faltar à ME.
Depois, tem tido a habilidade máxima, pela qual devia ser responsabilizado, a de fugir da revisão dos estatutos de carreira como diabo da cruz. Digo que deve ser responsabilizado porque julgo que a revisão das carreiras é determinante para qualquer outra reforma. Neste sentido, dou razão à ME. Outra habilidade, a de se escudar em grandes pareceres internacionais, o que critiquei muitas vezes, embora reconhecendo a habilidade política. Também o uso matreiro de alguns argumentos para efeitos internos, como o desperdício de cursos com poucos alunos ou a reconhecida má gestão de algumas instituições, a manutenção amiguista de pessoal contratado supérfluo, a falta de sentido de “accountability”, etc.
Dito tudo isto, não quero esquecer uma sorte que o MCTES tem e o ME não, o de um quadro geral de referência política. No caso do EBS, este quadro é muito criticado, o do chamado “eduquês”, que os professores não sentem como coisa sua, antes como um exercício masturbatório de gente da 5 de Outubro (diga-se que, em boa parte, seus colegas professores). No caso do ES, há uma grande diferença. O MCTES pode invocar (a meu ver, em geral de forma errada) um quadro de referência que os professores cada vez mais sentem como seu: o processo e o paradigma de Bolonha.
09 março, 2008
Há quantos anos não se enchia o Terreiro do Paço?
Já aqui escrevi há tempos que há em Portugal uma sobrevalorização dos independentes, muitas vezes excelentes especialistas, mas não de política. Acabam por ser bons super-directores-gerais mas a fazerem permanente burrada política, coisa de que não têm traquejo ou para a qual, muitas vezes têm uma fatal sobranceria. Isto até vale para Correia de Campos ou Mário Lino, que deviam ser politicamente mais hábeis, porque são da geração em que eu também aprendi no movimento associativo e na clandestinidade como se faz política. Muito mais isto vale para Maria de Lurdes Rodrigues.
O que mais pena me faz é até concordar com o essencial das suas reformas, com o desdobramento de categorias, com a avaliação, com o aumento do tempo de permanência diário, com as aulas de substituição, com a profissionalização da direcção, com o maior envolvimento da comunidade e dos pais, etc. Só é pena que não veja isto acompanhado pela reforma dos programas e da filosofia do ensino. E também esta minha concordância no essencial não é extensiva ao nível do pormenor, que frequentemente não domino.
O que vai fazer Sócrates (JS)? A sua imagem de marca é da “reforma global”. Mas, como se sabe, se isto faz sangue, só pode ser feito na primeira parte do mandato, ou então é suicídio eleitoral. Em alternativa, coisas positivas (o PRACE e a desburocratização, por exemplo) num primeiro mandato, a luta a sério só depois de uma reeleição, como acontece tradicionalmente nos EUA. É por este tipo de constrições de calendário que penso que JS nunca poderia ter deixado cair Correia de Campos, no momento em que, olhando-se já para as eleições de 2009, toda a gente viu essa demissão como uma cedência de JS, ainda por cima com o aspecto caricato de sacrificar a pobre da ministra da Cultura, só para Correia de Campos não sair sozinho. Parece-me que, se nessa altura JS soubesse o que ia ser esta manifestação de professores, a companhia de Correia de Campos teria sido outra.
Um dos tópicos interessantes de discussão, nesta altura, é o da importância política ou histórica, em Portugal, da “reforma global”. Houve grandes reformadores bem sucedidos, mas sempre numa área bem definida: Passos Manuel na educação, Mouzinho no sistema jurídico, Fontes no desenvolvimento económico. Mas o grande exemplo da reforma “bulldozer” ao estilo de JS, Pombal, foi um fracasso, pouco ficou depois da viradeira. Os portugueses são acomodatícios, vão aceitando que alguma coisa mude mas para que, à príncipe Salina, nada mude no essencial.
Mais importante talvez, o português é invejoso (grande Camões, como soubeste escolher a última palavra dos Lusíadas!). A grande habilidade inicial de JS foi saber mudar coisas apelando para a reacção do homo vulgaris contra alguns privilégios de casta, de funcionários públicos, de militares, de juízes. Funcionou, mas depois começou a cansar e a cheirar a truque, coisa que o Zé cheira bem ao longe. O problema com Correia de Campos foi exactamente este. O ministro fez propostas correctas mas que nunca apareceram como resultado de luta contra algum privilégio corporativo. Tudo foi demasiadamente técnico, não percebeu que ia lutar contra interesses invencíveis que não apresentou ao homem da rua como significando injustiças e privilégios em relação ao Zé Povinho.
Na saúde, um demagogo (não me refiro a Correia de Campos) até teria terreno fácil: a acumulação com a privada (isto não tem um pouco a ver com as listas de espera?), os vencimentos chorudos, o desinteresse que muitos utentes sentem no dia-a-dia por parte de muitos profissionais. Na educação, é o contrário. A grande maioria dos pais sentem o enorme esforço dos professores dos seus filhos, sabem que eles não auferem fortunas de vencimentos, sabem que andam anos e anos de casa às costas. Perante reformas técnicas que não dizem nada à maioria do cidadão, a simpatia do homem comum vai para o professor, não para a ministra (que até, em tempos de importância da fotogenia, tem uma cara pouco simpática). Mais, tudo indica que isto só foi a primeira vaga e que, se os professores souberem evitar asneiras como greves em época de exames, cada vez mais irão em crescendo de luta e simpatia até ao começo do verdadeiro “momentum” eleitoral.
Dito tudo isto, é verdade essencial que as corporações são os grandes inimigos das reformas. Relembro o que escrevi ao início. Concordo com o essencial das reformas, obviamente discordo das razões contrárias, da corporação. O que reconheço é que se deu à corporação um bom presente, vitimizá-la. Como lutar contra as corporações? Não se podem exterminar mas pode-se, até certo ponto, desagregá-las ou tirar-lhes coesão. É a grande habilidade política, conquistar para a reforma o eleitor em geral mas, principalmente, os melhores da corporação, fazê-los sentir que são mais bem vistos como reformadores eles também.
É por isto que vou continuar esta nota, em dia próximo, com a situação na educação superior. O MCTES não tem nenhum mérito político em não estar a sofrer este tipo de contestação. Tem é a sorte de o corporativismo universitário estar muito mais minado por uma consciência crescente da exigência de qualidade e de modernização. Bem, nenhum mérito político talvez seja injusto de se dizer. Afinal, JMG politicamente tem “rabo mais pelado”. Por alguma razão nem quer ouvir falar de revisão do estatuto da carreira docente.
Nota 1 - No entanto, JS é um homem com sorte na vida, nos "estudos", nos projectos profissionais de engenharia de azulejo de retrete. Até tem a sorte de, com tudo isto, ir ter pela frente em 2009 o inefável Dr. Menezes.
Nota 2 - No meio de toda esta história, não consigo ter suficiente sentido surrealista para conseguir perceber o que pretende o PS demonstrar com uma reunião de amigos num pequeno pavilhão desportivo, com mobilização nacional. Que consegue motivar um décimo dos que o PCP pôs na rua ou um cagagécimo do que os professores mobilizaram? Não sou membro do PS, mas custa-me ver como JS e o aparelho que o sustenta são hoje uma excrescência parasitante de um partido em que milita desde há muitos anos muita gente com uma noção ainda nobre da política. Onde é que Alegre foi buscar parte certamente muito significativa dos seus votos?
08 março, 2008
Opiniões...
Muitos dizem-me que é a fotografia de uma simples toalha desarrumada, mas a dona da "coisa", que até sou eu, jura que é o seu cão flagrado em delito - dormindo indevidamente, a sono solto em cima de uma cama, de uma cama não, de um pijama que nem lhe pertence...Também é assim, que acontece, com os observadores das Reformas do Ensino Superior, em Portugal: a OCDE e alguns "stakholders" - segundo o PRESS STATEMENT do painel da própria OCDE - vêem uma coisa, com base num Progress Report feito pelo próprio MCTES (até o MCTES se (auto-elogia)
Que pena não se saberem quais stakholders é que estão satisfeitos com a Reforma de Ensino Superior em Portugal - talvez todos nós pudéssemos também perceber porquê.
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Fonte: PÁGINA DO MCTES
06 março, 2008
Acham que se faça a cruz e se diga a reza?
"EUA welcomes launch of European Quality Assurance Register for Higher Education Category: Eua News" - European Quality Assurance Register for Higher Education (EQAR) da onde extraí o seguinte texto:
[...]
"The new register, which is one of the milestones of the Bologna process reforms, aims to provide clear and objective information about trustworthy quality assurance agencies that are working in Europe. It been established by the “E4 Group” - comprising EUA, the European Association for Quality Assurance in Higher Education (ENQA), the European Students Union (ESU), and the European Association of Institutions in Higher Education (EURASHE) – under the mandate of Education Ministers from the 46 countries taking part in the Bologna process."
[...]
"Inclusion on the EQAR, which is voluntary, will be based on compliance with the European Standards and Guidelines for Quality Assurance adopted by European Education Ministers in 2005. A Committee – composed of independent experts nominated by the E4 Group, Business, Europe, Education International, together with five government observers – will be responsible for admissions to the register.
The register will be accepting applications from the summer of 2008 and information will be publicly accessible through a web-based tool. "
[...]
A acendalha de esperança que referi, resulta do facto de não termos ainda nem novas nem mandadas da "nossa" agencia de acreditação.
Lembram-se dela? da AAAES - Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior instituída pelo Decreto-Lei n.º 369/2007 de 5 de Novembro.
"S . Mamede de levede, S. João te faça um bom pão, S. Vicente te acrescente..."
**The Register is expected to:
- promote student mobility by providing a basis for the increase of trust among higher education institutions;
- reduce opportunities for "accreditation mills" to gain credibility;
- provide a basis for governments to authorise higher education institutions to choose any agency from the Register, if that is compatible with national arrangements;
- provide a means for higher education institutions to choose between different agencies, if that is compatible with national arrangements;
- serve as an instrument to improve the quality of agencies and to promote mutual trust among them.
A corda na garganta
Mais, congelamento de concursos, injustiça máxima. Como escreve o Público (5.3.2008), “o número de concursos que permitem aos professores subir na carreira académica desceu praticamente para metade, de 2006 para 2007, de 410 para 254, respectivamente. As progressões nos escalões estão congeladas desde 2005, assim como 35 por cento das vagas nos quadros estão por preencher, refere Mário Carvalho, dirigente da Fenprof”. Neste sentido, este apontamento vai muito a pensar no meu amigo MM, mas afinal um entre muitos, um homem já cinquentão, de belíssimo currículo, ganhador de projectos internacionais, convidado por tudo o que é gente importante na sua área por este mundo fora e ainda professor auxiliar. Uma vergonha. Se eu fosse ministro, não conseguiria dormir tranquilamente sabendo de situações como esta.
Afinal, juntamente com o congelamento das sabáticas (ridículo pela sua pequena importância económica mas significativo pela sua grande importância em termos de política universitária) o que vai pesar mais neste esquema é o fim da regra do ECDU que garante a contratação como professor auxiliar de todos os assistentes que se doutorem. Pode-se pensar que é coisa em vias de extinção. Em muitas escolas, certamente, mas no conjunto ainda andarão por cerca de 30% de todo o corpo docente. Este é um assunto em que tenho “mixed feelings”.
Concordo com o fim de uma coisa destas que considero absurda, mas justifico-me em termos estritamente qualitativos. Tipicamente, e como caso exemplar de endogamia, o professor contrata como assistente um jovem simpático, submisso, que lhe faz os fretes, leva-o mal ou bem a doutoramento, ele fica logo auxiliar, ao fim de cinco anos quase invariavelmente tem a nomeação definitiva, até se pode reformar, muitos anos depois e sem um único trabalho publicado, como professor auxiliar, com uma reforma que até nem é nada má.
O que me repugna é que, na actual política do MCTES, tudo me leva a suspeitar de que não estas as “razões virtuosas”, antes pura e simplesmente as razões orçamentais.
Nota - Falei de endogamia e vou deixar uma provocação. Hoje é certamente um termo horroroso, em política universitária. Mas nem sempre foi assim. Por exemplo, a típica universidade humboldtiana funcionou muito com base na endogamia, nas escolas que perpetuavam, em gerações de discípulos, a lição do fundador. Mesmo entre nós, temos bons exemplos. Estou a pensar principalmente na medicina, em “escolas” como a de Reinaldo dos Santos, do seu filho João Cid e dos seus discípulos. Ou no grande grupo satélite de Pulido Valente, que também passava por heranças de família. O que quero dizer com tudo isto é que a política universitária é demasiadamente rica e complexa para permitir discussões esquemáticas sobre frases feitas.
05 março, 2008
Nota gastronómica (L)
Tenho com a cerveja uma relação quase religiosa. As festas do Senhor Santo Cristo eram e são as mais emblemáticas da minha ilha. Metiam muita devoção, mas também prazeres profanos. Muita coisas no arraial, os sorvetes de serrilha, os barrinhos de Vila Franca, o "cup" da quermesse queque das meninas vicentinas, mas, acima de tudo, o grande ritual de cumplicidade com o meu pai, acompanhá-lo à cervejaria à ilharga e beber o fundo da caneca. Que delícia, porque aquilo vinha temperado com sabor de pai. Vê lá se me mandas um fundo de caneca da cerveja celestial, se é que os velhos frades aí a fazem. Hoje, raramente bebo cerveja à refeição, é todo um outro ritual, principalmente de tertúlia de amigos.
Creio que não temos uma boa cultura cervejeira, embora tenhamos uma excelente tradição de cervejarias, combinando com mariscos e bifes. O que sempre conhecemos foram as cervejas banais, de baixa fermentação. Quem andou pela Bélgica e pela Alemanha sabe o que é apresentarem-nos menus de cervejas tão extensos como os nossos de vinhos. Para meu gosto, destaco as cervejas encorpadas, de alta fermentação, as trapistes belgas, as ale inglesas, as weissbier alemãs. Já se vão encontrando cá com alguma facilidade. À parte, a inigualável Guiness, que desafia todas as classificações.
No dia-a-dia, aceito as standard, portuguesas ou Budweiss, Heineken, Tuborg, Carlsberg, mas é só para matar a sede estival, com amendoins. Beber com gosto, golo a golo, é outra coisa. É por isto que hoje, em Portugal, se vou cavaquear com amigos num bom bar de cervejas, só bebo duas, a Boémia e a Abadia.
E conversa puxa conversa. Em qualquer cervejaria da minha terra, era muito rica a oferta de vai grátis com a cerveja: amendoins, tremoços, favas secas torradas, favas fritas, pevides de abóbora, com ou sem pele, ervilha seca torrada. Hoje, cá, só pedindo por favor.
02 março, 2008
Regressei
Não vou analisar no concreto, caso a caso, as conclusões do estudo. Prefiro chamar a atenção para alguns aspectos gerais e até de método. Começo logo pelo único critério de análise, a inscrição em centros de emprego (CE). Admito que fosse difícil usar outros, na falta de um observatório que já propus num livro que começa a ficar velhinho em idade de registo civil mas infelizmente não em idade real, em muitos casos.
Mesmo este critério não é tratado exaustivamente e deixa interrogações. Quanto tempo ficam esses licenciados inscritos nos CE, em comparação com outros trabalhadores? Que possibilidades de emprego aceitaram ou recusaram, entretanto? Qual a sua área de residência, mais determinante do que a localização do estabelecimento em que tiraram o curso?
Mais importante: quantos licenciados se movem no mercado de trabalho, em ciclos de emprego-desemprego, sem passarem pelos CE? E muito bem, porque possivelmente serão os mais dinâmicos, os mais dotados de iniciativa. Com isto, relaciono ainda outra pergunta, admitindo que não sei como funcionam os CE: o desempregado inscreve-se para um emprego específico, relacionado com a sua habilitação, ou para qualquer emprego?
Esta é a questão essencial. O vício enorme da especialização da nossa educação superior, agravado com a deriva profissionalizante da educação universitária, introduziu um enorme factor de rigidez na regulação do sistema. O pior é que se tiraram as piores conclusões, numa perspectiva estreitamente utilitarista que está a ameaçar de morte a educação superior, até em contradição com o processo que a podia vitalizar, Bolonha.
Os quatro da Sorbonne (ou melhor, os três, descontando o inglês) não perceberam que o modelo anglo-saxónico de um primeiro ciclo curto nunca serviu para formar profissionais. Estes, ou eram formados a um nível de “know how” básico em ensino pós-secundário sem grau ou então a níveis seguintes de educação universitária. A declaração de Bolonha estabelece o primeiro ciclo como relevante para o emprego, mas já depois, com destaque para a declaração de Londres, se fala é de empregabilidade.
Isto quer dizer, por exemplo, que prefiro ouvir no noticiário ou ler no jornal um bom licenciado em português, história ou economia, culto e de cabeça aberta, do que um licenciado em comunicação social que escreve “á” em vez de “há” ou que escreve que Mário Soares foi exilado para S. Tomé em 1947 (isto para referir um caso real e recente). Indo mais longe, que prefiro ser atendido por um funcionário bancário que cultivou a mente aprendendo grego clássico na universidade do que por um colega que se ficou pelo secundário. Esta do grego vem a propósito de uma "blague" que cito sempre: a maior concentração geográfica de falantes de grego clássico é a City de Londres.
Como julgo já ter demonstrado, a empregabilidade na educação superior é difusa e não faz sentido qualquer política maltusiana baseada em critérios estreitamente quantitativos. Quando o MCTES fala na supressão do financiamento de cursos com poucos alunos, quando põe isto à cabeça da discussão do saneamento financeiro de algumas universidades, está pura e simplesmente a fazer política universitária de merceeiro (com o meu pedido de desculpas a muitos merceeiros que talvez tenham mentalidade mais larga). Isto faz-me lembrar a anedota conhecida de um analista económico que protestava, depois de um concerto, contra o desperdício de o compositor só ter usado os trompistas durante dois minutos.
Deixo ainda outra provocação, admitindo que é politicamente incorrecta. Não será que se tem de aceitar mesmo algum desemprego ou “dis-emprego” de licenciados? A evolução económica, social e tecnológica, tem uma velocidade muito superior à da adaptação da educação superior. Quando surge uma necessidade social, é então que se vai preenchê-la a nível educativo? Ou não será necessário dispor sempre de uma reserva?
Nota 1 - Como referi num congresso recente, dois dos principais responsáveis de um dos nossos jornais de referência são… biólogos! E não me consta que alguma vez se tenham inscrito num CE.
Nota 2 - Os meus agradecimentos aos colaboradores que, entretanto, foram mantendo este blogue, com destaque para a Regina Nabais.
01 março, 2008
Diga aaaaaghhhh!
Daí que, o bom mesmo é conferir - isto é, pescar umas quantas, mandar-lhes ou persuadi-las a abrir as bocas inocentes, de forma a verificar, previamente, se as dentaduras conferem ou não os standards de estatuto "saudável" - Normalmente, é e muito! Quando assim acontecer, não mergulhe, opte por um passeiozinho a pé, face à tentadora alternativa inicial da natação.
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Hoje, lembrei-me disto porque, via Blog Que Universidade? no seu habitual post de Revista de Imprensa anunciava este artigo do Público "Estrangulamento financeiro pode chegar a mais universidades, alerta reitor da Clássica." - subscrito por Bárbara Wong.
Por esse artigo, fica-se a saber, mais uma vez, os receios de costumeiras figuras de proa da nossa educação superior - universidades - relativamente aos financiamentos públicos das suas instituições, uma destas pessoas chegou mesmo a comparar o financiamento da Universidade de Utrech com o das universidades do país, lamentando que o financiamento das nossas 14 universidades públicas ser inferior ao da Universidade de Utrecht, na Holanda. As portuguesas recebem 650 milhões de euros, ao passo que a holandesa com uma dimensão semelhante à da Universidade do Porto, a maior do país, recebe 700 milhões.
Esqueceu-se de informar a comunicação social, para efeitos desta comparação, dentre várias outras coisas importantes, por exemplo:
1) Que a Universidade de Utrech publica Relatórios anuais de actividades detalhados, inclusivamente, em inglês, exemplos: aqui o de 2004 e aqui o de 2003;
2) Que a Universidade de Utrech tem 28,000 alunos, mas 2000, são alunos estrangeiros.
3) Que a Universidade de Utrech tem apenas 640 professores e 275 professors especiais - tendo portanto ratios muito elevados de alunos/professores (30/1);
4) Que 25 % do seu Orçamento tem origem efectiva em contratos internacionais, excluindo propinas e demais benesses estatais, tal como nós (ver Receitas Próprias da Lei nº 52/2007), e apenas 75% tem origem Estatal.
5) E com a craveira de Ultrech, na Holanda, só existem mais 4 instituições – Delft (TUD), Eindhoven (TUE) e Twente (UT), em Engenharia e Tecnologia, e Wageningen, mas esta sob a influência do Ministério de: "Agriculture, Nature and Food Quality".
6) Que o pouco de concreto que sabemos, apenas por versões livres da comunicação social, acerca das nossas instituições de educação superior, que se encontram em fase de "negociação" com o MCTES, para se tornarem fundações, é o seguinte:

FONTE: 28 de Janeiro de 2008, Jornal de Notícias
a) As dotações orçamentais que lhes forem atribuídas pelo Estado;
b) As receitas provenientes do pagamento de propinas e outras taxas de frequência de ciclos de estudos e outras acções de formação;
c) As receitas provenientes de actividades de investigação e desenvolvimento;
d) Os rendimentos da propriedade intelectual;
e) Os rendimentos de bens próprios ou de que tenham a fruição;
f) As receitas derivadas da prestação de serviços, emissão de pareceres e da venda de publicações e de outros produtos da sua actividade;
g) Os subsídios, subvenções, comparticipações, doações, heranças e legados;
h) O produto da venda ou arrendamento de bens imóveis, quando autorizada por lei, bem como de outros bens;
i) Os juros de contas de depósitos e a remuneração de outras aplicações financeiras;
j) Os saldos da conta de gerência de anos anteriores; - se têm muito é porque receberam a mais.
l) O produto de taxas, emolumentos, multas, coimas e quaisquer outras receitas que legalmente lhes advenham;
m) O produto de empréstimos contraídos;
n) As receitas provenientes de contratos de financiamento plurianual celebrados com o Estado; (a mina principal das futuras fundações - aqui vale praticamente tudo!)
o) Outras receitas previstas na lei.
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Alguma dessas nossas zelozas e proeminentes figuras públicas - excelentes gestores profissionais de topo das nossas instituições de ensino superior - poderá, além de se queixar e de se lamentar, publicar os números reais dos valores parcelares de todas as receitas próprias das suas próprias instituições - ano de referência 2006, para prefazerem pelo menos 50% dos fundos totais necessários, de forma a que todos saibamos se tem ou não dentes, para as nozes que querem trincar (Fundações)?
Sobretudo, informem o povo de qual o valor da componente "Projectos Internacionais".
Por outras palavras, por favor, abram a boca, e digam: aaaaaghhhh!
28 fevereiro, 2008
É isso mesmo! Deviamos era todos chorar a rir!
"Um departamento de uma escola pública obrigou um professor a fechar dois jornais humorísticos, onde se satirizava a Igreja e alguns políticos, porque o conteúdo era "desprestigiante" para a escola.
O Conselho de Departamento (…) deliberou, numa reunião, que estes meus projectos na blogosfera tinham que ser encerrados. Segundo argumentam, desprestigiam a minha própria imagem, a imagem do departamento e, acima de tudo, a imagem da universidade. Além disso, (…) dizem que eu faço lá coisas que não têm nada a ver com a minha profissão e que um docente universitário não pode ser escritor criativo nem humorista. Portanto, proibiram-me também de participar em eventos ligados ao humor.(...).
Mais a mais, esse blogger não deve nunca e de forma nenhuma, no futuro ou próxima oportunidade, roubar as deixas super engraçadas do tal "Conselho de Departamento" - estas sim, é que têm mesmo piada!
23 fevereiro, 2008
O que é isso de mulheres?
Mas o que me motiva esta nota é uma coisa um pouco à margem. “Nos anos 90, chegou a integrar a Mesa Nacional do Bloco de Esquerda. Mas sai em ruptura. O BE aceita em 1999, a pedido do PS, congelar o seu projecto de lei de quotas por sexos nas listas eleitorais. Numa reunião, Madalena Barbosa questiona a decisão e ouve Fernando Rosas perguntar: "O que é isso de mulheres?" Nunca mais voltou. “
Dá para acreditar?
22 fevereiro, 2008
EMPREGABILIDADE=DESEMPREGABILIDADE
Ele há coisas que me cansam...
Hoje de manhã, o MCTES anunciou na sua página, à comunicação social, o seguinte: "MCTES apresenta estudo sobre a empregabilidade dos cursos."
Sei que todos me gozam por ser uma devota convicta do GPEARI, e de facto sou, desde 1998, quando quem trabalhava, por lá, nestes temas era o pessoal afecto ao desactivado OCES.
Os colaboradores do GPEARI continuam a trabalhar bem - e penso que conseguiriam ainda trabalhar melhor, se... (já me estou a desviar,... isto são outros quinhentos...) - porque hoje publicaram aqui, um documento intitulado: "A procura de emprego dos diplomados com habilitação superior [Fevereiro 2008]".
A minha esperança estupidamente optimista foi que o estudo do MCTES sobre EMPREGABILIDADE dos cursos cá da terra não fosse o mesmo que o publicado pelo GPEARI, sobre DESEMPREGABILIDADE.
Acabo de constatar que afinal coincidem!!! E o título atribuído de manhã, pelo MCTES , à tarde já é o mesmo do GPEARI. ?????
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O que eu gostaria muito que o GPEARI fizesse - e tenho a certeza que se não perderem a fibra, um dia, ainda se metem por aí - seria aonde e quem (entidades públicas ou privadas) paga os salários dos formandos com "baixa desempregabilidade".
Já agora, se os meus caros e raros leitores entenderem, vejam este texto, bastante interessante, para verificarem se o vosso conceito de empregabilidade continua o mesmo daquele constantemente confundido e mencionado pelo MCTES.
Diga-se de passagem, que mesmo considerando as devidas ressalvas, e seriam algumas, o trabalho do GPEARI é muito útil, e eu continuo aderente incondicional ao fã clube deles.
21 fevereiro, 2008
Só citações!
"The Lisbon MBA com o MIT para a formação de gestores de topo nasce em Lisboa 21 Fevereiro 2008".
2- O documento mencionado no ponto 1, diz-nos que:
"O financiamento privado previsto inicialmente para garantir o lançamento do Programa nos primeiros 5 anos totaliza 9 milhões de Euros, que serão complementados com um valor máximo de 4.5 milhões de Euros de financiamento público através da Fundação para a Ciência e Tecnologia, FCT."
3 - O documento, mencionado no ponto 1, conclui-se assim:
"....peritos do MIT concluíram, entre outros aspectos, que: «… O compromisso do Governo Português em reforçar a Ciência e a Tecnologia e em promover a cooperação internacional no Ensino Superior, fazem de Portugal um país muito interessante para realizar investigação e um parceiro relevante para futuras parcerias na economia do conhecimento que emerge».
[...]
Nota gastronómica (XLIX)
Já avisei que, para defesa dos meus ricos olhinhos, tenho de me disciplinar no uso do computador. Vou repescando coisas escritas e nunca publicadas, como esta receita, que devia ter saído no verão passado.
Quando me resta cozido, e é quase sempre que me acontece, sempre avantajado, faço roupa velha, coisa excelente da cozinha tradicional esquecida (também a roupa velha do bacalhau cozido com todos). Há já alguns meses, variei, correspondendo ao calor da época. Fiz um carpaccio de queijo de carnes com pequenas brunesas de legumes e espuma de Madeira. Como tenho um sifão, foi-me muito fácil fazer a espuma. A maioria dos meus leitores não o têm e, em sua atenção, modifico a receita, mas sem garantia porque não experimentei.
Carpaccio de roupa velha com guarnição simples e espuma de laranja azeda
Restos das carnes e enchidos de um cozido, cerca de 600 g. 400 g de miolo de pão rústico.
1 mão de vaca, 1 cebola, 4 dentes de alho, 1 cenoura, 1 folha de louro, 1 raminho de salsa, sal, pimenta preta em grão, 4 cravinhos. 4 c. sopa de manteiga, 1 cebola pequena, 4 dentes de alho, 2 gemas.
1 alface, flor de sal.
1 c. sopa de manteiga, 1 c. sopa de farinha, caldo, 1 dl de sumo de laranja, 1 c. sopa de sumo de limão, 1 dl de natas, 1 raminho de alecrim.
Ovos cozidos, azeitonas pretas recheadas com pasta de malagueta e queijo fresco.
Cozer a mão de vaca com a cebola picada com os cravinhos, os outros ingredientes e os temperos. Como solução simples, se tiver restado caldo do cozido, em quantidade suficiente, pode-se usar em vez deste caldo, acrescentando gelatina. Coar o caldo.
Picar muito fino todas as carnes, mas não a moer. A melhor técnica é usar duas facas muito pesadas, uma em cada mão e ir malhando como batuque africano.
Embeber num pouco de caldo o miolo de pão, bem esfarelado. Alourar na manteiga a cebola e o alho picados fino e acrescentar as carnes, as gemas e o pão esmagado. Juntar 2 dl de caldo gelatinado. Ferver a lume alto, cerca de meia hora, mexendo bem, até secar e começar a ver-se uma crosta queimada no fundo. Deixar arrefecer, moldar num rolo de cerca de 5 cm de diâmetro, comprimindo bem e embrulhando em filme plástico de cozinha. Deixar no frigorífico. Fatiar fino, numa fatiadora de fiambre.
Arranjar, lavar e escorrer as folhas tenras do interior da alface. Temperar com flor de sal.
Fazer roux com a manteiga e a farinha e aveludar com caldo de carne e água. Ferver 5 minutos com o sumo de laranja e de limão e o alecrim. Remover as folhas de alecrim. Coar e ajustar a consistência para molho cremoso leve. Deixar arrefecer. Se se tiver um sifão, juntar as natas e fazer espuma. Na falta, com o molho frio, juntar as natas, numa tigela com o tamanho adequado para, inclinada, permitir bater com varinha.
Servir colocando no centro do prato uma rodela de ovo cozido, com uma azeitona recheada. Logo à volta, fatias de carpaccio, parcialmente sobrepostas. Na borda do prato, folhas de alface regadas com a espuma.
18 fevereiro, 2008
One small step for a man, a giant leap for mankind
Não é bem verdade, porque afinal mãe é mãe e todos nós devemos mais à mãe do que ao pai. No ovo, o núcleo, com o total diploide dos cromossomas, é paritário, mas todo o resto da célula, de enorme importância, é da mãe. Até há genes, os mitocondriais, que eu e todos os meus amigos homens só recebemos do lado da mãe, os do pai perderam-se pelo caminho difícil da fecundação.
Isto quer dizer que para a formação de um ovo, o oócito feminino (feminino é sempre o "receber"!) está pronto a desenvolver a informação genética diploide resultante da fecundação. mas também pode fazê-lo com um outro núcleo diploide, de células adultas, masculino ou feminino, introduzido num oócito de que previamente se esvaziou o núcleo. É a clonagem. Na prática, o essencial é que este ovo e o animal que dele resultar (lembram-se da ovelha Dolly?) não é a "mistura" de pai e mãe mas sim a cópia de quem forneceu o núcleo e os cromossomas (e assim se pode ser, verdadeiramente, filho da mãe...).
Então vamos produzir seres em série, geneticamente iguais? Tolice, seria a clonagem reprodutiva, só um louco a faria e dificilmente, com todas as regras de bioética que temos hoje. Outra coisa é que este clone, a qualquer momento, me/lhe permite dispor de células estaminais (péssima tradução, vou escrever células indiferenciadas, já explico porquê).
Todas as nossas células contêm o mesmo conjunto de genes, mas a natureza é económica. Porque é que um neurónio há-de produzir um enzima pancreático ou uma célula sanguínea produzir um neuro-transmissor? É o que se chama a diferenciação, cada célula de cada órgão adulto tem uma data de disjuntores genéticos desligados, para "poupar electricidade". No ovo, não pode ser assim, as células têm a capacidade de se orientar para as muitas estradas da diferenciação. Hoje conhecemos bastante bem, e podemos usar, quais os factores biológicos, os "sinais de trânsito", que fazem uma célula ir para célula sanguínea ou para célula do fígado.
Na prática, isto quer dizer que as células indiferenciadas, com esta capacidade de evoluírem em múltiplas direcções, são capazes de produzir novas células onde já tudo parecia morto: num enfarte do miocárdio, numa lesão da medula de um tetraplégico, no pâncreas de um diabético, na retina de um cego, no cérebro de um doente de Parkinson.
É claro que o Vaticano já veio dizer que isto era a mais horrorosa das manipulações da vida humana. Diz da pior maneira, usando argumentos cientificamente insustentados, como o de que é possível obter facilmente células indiferenciadas por outros meios. É extremamente difícil obtê-las de um adulto nos casos típicos em que pode precisar delas (por exemplo, um doente com enfarte do miocárdio). É possível obtê-las por altura do parto, do sangue do cordão umbilical, mas isto significa que cada pessoa teria de ter congelado, toda a vida, um armazém de células indiferenciadas. A clonagem permite é esta coisa simples: ter as minhas células indiferenciadas quando preciso delas.
Infelizmente, receio que não seja só o fundamentalismo religioso a condenar estas enormes explorações do domínio pelo próprio homem da inexorabilidade do seu destino. Há toda uma enorme relutância cultural em relação aos "perigos da ciência". É certo que há razões para receios e a tragédia de Hiroshima deve estar sempre presente. Mas parece-me inegável que o homem tem sabido aprender com cada tragédia. Pior até são as coisas mais pequenas, mas também as que mais devem fazer pensar em termos realistas. Por exemplo, morrem anualmente milhares de pessoas com infecções por bactérias resistentes a antibióticos, na maior parte dos casos por erro humano. Mas quantos milhões de vidas são salvas por antibióticos?
Portanto, nada disto me tolhe o tradicional optimismo generoso (utópico?) dos cientistas. Principalmente porque este optimismo é lúcido e são os cientistas os primeiros a estabelecerem o mais seguro dos sistemas de controlo das suas conquistas. E, já agora, porque, admitindo excepções aberrantes, a ciência é uma acttividade que motiva homens superiores e essa superioridade não fica esquecida quando se apaga a luz do laboratório.
17 fevereiro, 2008
Too damn BRIGHT and cheery good job!
Hoje, venho tirar o chapéu à Universidade de Aveiro por ser uma instituição atenta ao seu "ambiente concorrencial".
[Um aparte irrelevante:
Será que é por ter uma reitora? Nah!.... Não!
Deve é NÃO TER o seu povo todo encostado numa qualquer esquina a dormir e a passar o tempo a filosofar sobre autonomias, ou as cotações destas nos mercados de votos....]
Já não é de hoje, mas prova-se por aqui, que a UA continua a PENSAR sistemática e, objectivamente, a AGIR mesmo, quanto à sua posição relativa ao RJIES! - isto sim, em Portugal, é REFRESCANTE E INOVADOR!
Penso que deve ter lido com alguma atenção todo o documento, pertinente à Lei nº 62/2007 em especial, os artigos 115.º, 132.º e 136.º e chegado às duas únicas conclusões possíveis:
[.....]
[.....]
f) As receitas derivadas da prestação de serviços, emissão de pareceres e da venda de
publicações e de outros produtos da sua actividade;[Nota minha: Pareceres,
recomendações, relatórios...]
[.....]
Estado;
[.....]
Aliás, foi por causa deste pensamento simples e óbvio, e para prevenir o prosseguimento nacional de se avolumarem Receitas Privativas adquiridas, espertamente, apenas por alguns, à custa do erário público de todos, já tão ao gosto e em uso pelo ISCTE, e não só...., que eu escrevi, em 04/07/2007:"Registo em arquivo falecido - Papel selado de 25 linhas "
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Como o RJIES não preveniu nada disto; Desejo do coração, à UAVEIRO, que consiga melhorar as suas receitas privativas, com esta aberta legal da Fundação - que, afinal, parece ser pública de direito privado ou vice versa, o resultado, neste particular, é o mesmíssimo - porque é uma instituição que, a meu ver, fez por MERECER esta abébia!
15 fevereiro, 2008
O único nosso "outcome" do Processo de Bolonha
"No universo de 25 mil docentes do ensino superior público, cerca de 9.500 professores (quase 40%) têm contratos administrativos de provimento com o estatuto de convidados, ou seja, fora da carreira que pode conduzir à nomeação definitiva"
...
"Parte significativa dos docentes em causa provém do ensino superior politécnico público, onde os contratos são tendencialmente mais curtos. Entre 10 mil docentes, três em cada quatro (7.500 no total) estão com vínculos precários."
13 fevereiro, 2008
A filosofia do humor

Estou ainda com grandes limitações à escrita, mas vou-me tentando. Começo por uma nota curta, sobre a filosofia. É uma coisa com uma diferença essencial com a ciência. Não é preciso ser-se cientista para saber ciência, pode-se recorrer a educação de bom nível ou até a boa divulgação. O que é impossível é um não cientista fazer ciência.
No caso da filosofia é diferente. Vou considerar como filósofo, por analogia com o cientista, o erudito, profissional, com grande informação e conhecimento do essencial do pensamento filosófico histórico. Serão uns milhares de pessoas. Mas há muitos mais "filósofos". Não vou referir o caso limite da "filosofia espontânea", discutida por Althuser, mas mais o caso de pessoas que, em variadas actividades, na sua reflexão, na visão do mundo, da sociedade e do homem, fazem filosofia, talvez a um grau menor de elaboração, mas decerto, com frequência, muito rica, no sentido em que mais valorizo a filosofia: fazer os outros reflectirem.
Até o humor permite isto, por vezes com que eficácia! Vem isto a propósito de ter sido agora publicado um livro que obviamente já encomendei, "A Filosofia segundo Woody Allen". Não se enganem, não é mais um dos magníficos livros de humor do complexado-mor.
É um livro escrito por quinze eminentes filósofos, académicos, que passam a escrito aquilo que costumam fazer, usar nas suas aulas e discutir com os alunos o forte conteúdo filosófico que está por detrás de cada piada de Woody Allen.
Enquanto não lerem o livro, façam um exercício: leiam com olhos de filósofos a colecção de citações de Woody Allen que tenho no meu "site". Poucas, vou ter de completar a lista.
Tecla(s) 3 ???!!!
Já não? Pois, percebo, eu também já me tinha esquecido....
Acho que sim, e agradeço muito, porque as "minhas" questões devem mesmo ter sido tidas em consideração.
É pena é que a legislação nacional que diz pretender governar a nossa Educação Superior - que deu e está a dar no que está a dar - é que não mereceu consideração de ninguém!
O Alexandre Sousa do Co-Labor, a páginas tantas, teve a paciência de entrar em cena para me ajudar e ler com olhos de ver o Manual de Frascati. Obrigada Alexandre!
Vejam aqui o resultado da "minha interpretação" sobre a minha leitura intensiva do famigerado Manual.
Há outra?
OK! "Desembuchem! Estou à espera!
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PS 1 - Desta vez (só desta vez), infelizmente, penso que não sou eu que tenho direito à designação de Tecla 3.
Mas que há numerosas Teclas 3 - com responsabilidades, pensando que os outros é que são os Duh! - lá isso há!
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PS 2 - Se me perguntarem porque é que a minha interpretação está expressa num
"pauerpointe" em "inglês manhosíssimo", eu digo-vos:
Acho que interessa (já interessou, e bastante!) a muitas pessoas que não se expressam tão bem português, quanto em "inglês".
10 fevereiro, 2008
Encontro de bloggers de IES
Contando com a organização e o apoio logístico de J. Cadima Ribeiro, do blog "Universidade Alternativa" o próximo encontro de bloggers de Educação Superior, 2ª edição, está a tomar forma, e previsto para dia 10 Março, mas ainda com data a confirmar.O encontro será exactamente aqui.
Fiquem atentos!
09 fevereiro, 2008
Complex business mergers
Para resumir a minha situação, e por exemplo, todos sabemos que a maior parte das fusões e consórcios têm o pequeno defeito de falharem, redondinhos, benefícios eventualmente promissores.
A maior parte das falhas destas opções resultam das entidades de origem estarem inquinadas de identidades culturais diversas, que precisariam de ser, previamente, harmonizadas.
O resultado sinergético e potenciador de uma fusão ou de um consórcio pode ser espectacular, mas ao ignorarmos, à partida, pelo menos, quais são os benefícios expectáveis, dá-me ideia que a mudança aos olhos dos leigos, como eu, se perspectiva numa espécie tipo Adamastor - uma coisa desgrenhada com olhos em bico e dentes amarelos, que fica à nossa espera, não se sabe aonde nem quando.... TENEBROSO!
Quero com isto dizer, por exemplo, que compreendo que o Senhor Presidente do CCISP - para fazer as vontades ao Ministro Mariano Gago de formar "consórcios estruturais entre os politécnicos de regiões próximas" - arrisque a dizer-nos mais ou menos isto: que será ".... algo na linha do que se passa na União Europeia: cada politécnico perde soberania (à semelhança dos Estados), mas não a sua autonomia (tal como cada um dos países). “É preciso é saber qual o limite da soberania, por exemplo”, refere o presidente do CCISP." [1]
Ora bem, até essa ideia pálida, vai a ciência da população em geral, mesmo, aquela mais distraída - desconfiamos do que é e de como funciona um consórcio, o que não se percebe, a meu ver, são coisas muito mais simples mas essenciais ao bom acolhimento das mudanças, por parte dos envolvidos ou a envolver nestes "negócios de grego" (salvo seja, porque já nem os gregos são assim... como, aliás, nem nunca foram...):
- quais são os objectivos REAIS do instituição de consórcios;
- quais são as vantagens REAIS da instituição de consórcios;
- quais são os POTENCIAIS inconvenientes [fora as perdas dessa tal soberania (mais para sobas do que para soberanos) e da hipotética autonomia].
Se alguém me souber esclarecer, como preciso, só destas 3 coisitas "primevas" a respeito desses consórcios, ficarei grata porque, além de estarrecida, ultimamente, ando a sentir-me burra de doer....
Isto é só uma fase passageira, ... não é? NÃO É?!
[1] http://campus-destaques.blogspot.com/2008/02/maiores-politcnicos-do-norte-vo.html